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| Bebeca morreu envenenada por chumbinho |
Um “assassino” anda a solta
no bairro Jardim Primavera, em Caraguatatuba. Os moradores estão preocupados e
temerosos. Dois gatos e um cachorro morreram recentemente envenenados
com aldicarb, mais conhecido como “chumbinho”. Leia no final da matéria um
estudo sobre o que este veneno causa nos animais. É de doer o coração. Como
pode alguém fazer isso para um animal? É muita crueldade!
A última morte de animal por
chumbinho no bairro ocorreu no sábado passado, dia 2. A vítima foi a gatinha
“Bebeca”, de apenas sete meses. Uma gatinha linda e carinhosa, que era amada
pelos donos e adorada pela maioria dos vizinhos. Uma morte que entristeceu a
todos.
O donos de “Bebeca” e os
vizinhos estão inconformados. A família de “Bebeca” possui outros três gatos(
Udi, Serelepe e Liga) e uma cadelinha. Os animais, como os demais do bairro,
estão “proibidos” de deixar a casa e vigiados constantemente no quintal. É que,
o “assassino pode estar por aí”. Todo cuidado é pouco.
Bebeca
A gatinha foi encontrada no
quintal da casa, às 6 horas da manhã, do último sábado, acuada em um canto,
vomitando e defecando. A família levou a gatinha imediatamente para o médico
veterinário. “Bebeca” estava sofrendo muito e a família não sabia o que estaria
ocorrendo com ela. Uma hora depois foi anunciado o óbito da gatinha, para a
tristeza da família.
O veterinário informou aos
donos que a causa da morte da gatinha “Bebeca” tinha sido o envenenamento
provocado pela ingestão de chumbinho. Segundo a família, os outros três gatos
da casa não tiveram problemas, ou seja, não ingeriram chumbinho. A maioria dos
vizinhos foram informados do ocorrido e todos passaram a adotaram medidas para
protegerem seus animais de estimação.
Entre os animais, os gatos
estão entre as vítimas fatais do "chumbinho". A maioria deles saem
para passear durante a noite e acabam por ingerir iscas contendo chumbinho.
Como o efeito do veneno é rápido e cruel, muitos são encontrados mortos pela
manhã. Foi o que deve ter ocorrido com “Bebeca”.
É crime
Segundo especialistas, o
efeito do "chumbinho" em animais é bem rápido, aparecendo sintomas
entre 5 a 10 minutos após a ingestão. Os sinais irão depender do tamanho do
animal e da quantidade ingerida. O consumo de grandes quantidades do veneno pode
causar morte súbita.
Fiquem atentos aos seus
animais. Os sinais de intoxicação podem ser vários: salivação (o animal começa
a babar), vômitos, diarreia, convulsão, inquietação ou prostração,
incoordenação, tremores, falta de ar (dispneia), hemorragia oral ou nasal,
fraqueza, pupilas contraídas e provoca graves lesões nos pulmões, fígado e rins
do animal.
Segundo especialistas, os
animais intoxicados devem ser tratados com lavagem estomacal (até 2h após
ingestão), sulfato de atropina para conter a maioria dos sinais causados pelo
aldicarb, soroterapia para eliminar mais rápido o veneno, anti-hemorrágico,
anticonvulsivantes e carvão ativado para evitar a absorção do tóxico pelo
organismo, entre outras medidas.
Muita gente ainda usa o
chumbinho contra os ratos. É crime comercializar o produto, e quem compra
também está cometendo uma contravenção. Quem coloca, propositadamente, iscas
com "chumbinho" (ou qualquer outro veneno) para matar o cão ou gato
do vizinho não sabe que pode ser preso, pois infringe a Lei Ambiental.
A nova lei, sancionada em 29
de setembro de 2020, a Lei 14.064/2020, apelidada de “Lei Sanção” prevê pena de
reclusão de dois a cinco anos para quem comete abuso e maus tratos a
animais, além de multa e proibição da guarda. Segundo dados do
IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem 28,8
milhões de domicílios com pelo menos um cachorro e mais de 11 milhões com algum
gato.
Estudo
Um grupo de veterinários da
Faculdade de Medicina Veterinária, da Universidade Estadual do Ceará,
apresentou em 2017 um estudo sobre a intoxicação provocada por Aldicarb em um
felino de 3 anos de idade. É assustador.
O aldicarb, um carbamato de alta toxicidade, que é
vendido de forma clandestina e usado ilegalmente como raticida
doméstico. Esta substância inibe a enzima acetilcolinesterase
presente nas sinapses colinérgicas, acarretando estimulação excessiva dos
receptores nicotínicos e muscarínicos, por conta disso, o atendimento e
diagnóstico precoce do animal é fundamental para aumentar suas chances de
sobrevida.
Um felino, fêmea, sem raça definida (SRD), três
anos de idade, castrada e semidomiciliada apresentou subitamente um quadro de
êmese, hiperexcitabilidade, agressividade, sialorreia, dispneia e
posteriormente defecou-se e urinou-se. Segundo o tutor esses sinais clínicos
ocorreram após o animal ter tido acesso às áreas comuns do condomínio.
Imediatamente o felino foi levado à emergência veterinária.
O animal foi sedado com diazepam (2mg/kg por via
IM) para conter e estabilizar o animal, logo em seguida recebeu sulfato de
atropina (0,5mg/kg por via IM) e ranitidina (1mg/kg) por via SC. O animal foi
submetido a oxigenoterapia por máscara, além da, realização de um acesso
venoso, fluidoterapia colocada a soro com Lactato de Ringer a uma taxa de 30 ml
/ hora e administração de furosemida (2mg/kg por via IV).
Neste mesmo dia, o animal apresentou uma melhora,
mostrando-se estável e retornou para casa com o acesso venoso, três horas após
ter recebido alta, este teve uma piora e retornou para emergência onde
permaneceu em internamento sendo submetido a fluidoterapia na dose de
manutenção até vir a óbito por uma parada respiratória dois dias após o
ocorrido. Posteriormente, o corpo do felino foi encaminhado para um laboratório
de patologia para realização da necropsia.
No exame interno, foi observado congestão e edema
encefálico e áreas de hemorragia. No coração, havia dilatação átrio-ventricular
direita com áreas de hemorragia do miocárdio. Enquanto, o pulmão se apresentava
com edema agudo, congestão e hemorragia pulmonar, além da presença de
atelectasia e enfisema em focos. No fígado, existia uma acentuada dilatação e
congestão dos sinusóides hepáticos, ocorrendo áreas de necrose e degeneração
hidrópica moderada dos hepatócitos e colestase intra e extrahepática.
Ademais, havia múltiplas áreas de infarto renal com
extensa produção fibrótica. Nefrite subaguda intersticial e adjacente às áreas
de infarto. Intensa degeneração cortical e cortico-medular renal com áreas
múltiplas de hemorragia. Havia gastroenterite catarral hemorrágica com grande
quantidade de material necro-hemorrágico na luz onde se observam partículas
pequenas, arredondadas e de cor prata, compatíveis com chumbinho. Moderada
congestão e edema da mucosa gastrointestinal. Focos de necrose e hemorragia.
Foi observado congestão plurivisceral e
inexistência de sinais de traumatismo no corpo do felino. O Aldicarb exerce sua
toxicidade por meio da inibição da atividade da acetilcolinesterase
(carbamilação) e, consequentemente, da estimulação excessiva dos receptores
nicotínicos e muscarínicos, causando edema, congestão e degeneração hidrópica,
principalmente, em pulmões e fígado. A morte ocorreu por parada respiratória em
virtude de hipertonicidade os músculos respiratórios. Assim, a necropsia
sugeriu que a causa mortis foi por insuficiência respiratória por suspeita de
intoxicação exógena por aldicarb. Fonte: Simpavet(Sindicato dos Médicos
Veterinários do Estado de São Paulo).


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