sábado, 9 de outubro de 2021

Quem matou "Bebeca"? Uma linda e meiga gatinha

 

Bebeca morreu envenenada por chumbinho

Um “assassino” anda a solta no bairro Jardim Primavera, em Caraguatatuba. Os moradores estão preocupados e temerosos. Dois gatos e um cachorro morreram recentemente envenenados com aldicarb, mais conhecido como “chumbinho”. Leia no final da matéria um estudo sobre o que este veneno causa nos animais. É de doer o coração. Como pode alguém fazer isso para um animal? É muita crueldade!

A última morte de animal por chumbinho no bairro ocorreu no sábado passado, dia 2. A vítima foi a gatinha “Bebeca”, de apenas sete meses. Uma gatinha linda e carinhosa, que era amada pelos donos e adorada pela maioria dos vizinhos. Uma morte que entristeceu a todos.

O donos de “Bebeca” e os vizinhos estão inconformados. A família de “Bebeca” possui outros três gatos( Udi, Serelepe e Liga) e uma cadelinha. Os animais, como os demais do bairro, estão “proibidos” de deixar a casa e vigiados constantemente no quintal. É que, o “assassino pode estar por aí”. Todo cuidado é pouco.

Bebeca

A gatinha foi encontrada no quintal da casa, às 6 horas da manhã, do último sábado, acuada em um canto, vomitando e defecando. A família levou a gatinha imediatamente para o médico veterinário. “Bebeca” estava sofrendo muito e a família não sabia o que estaria ocorrendo com ela. Uma hora depois foi anunciado o óbito da gatinha, para a tristeza da família.

O veterinário informou aos donos que a causa da morte da gatinha “Bebeca” tinha sido o envenenamento provocado pela ingestão de chumbinho. Segundo a família, os outros três gatos da casa não tiveram problemas, ou seja, não ingeriram chumbinho. A maioria dos vizinhos foram informados do ocorrido e todos passaram a adotaram medidas para protegerem seus animais de estimação.

Entre os animais, os gatos estão entre as vítimas fatais do "chumbinho". A maioria deles saem para passear durante a noite e acabam por ingerir iscas contendo chumbinho. Como o efeito do veneno é rápido e cruel, muitos são encontrados mortos pela manhã. Foi o que deve ter ocorrido com “Bebeca”.

É crime

Uso de chumbinho é crime 


Segundo especialistas, o efeito do "chumbinho" em animais é bem rápido, aparecendo sintomas entre 5 a 10 minutos após a ingestão. Os sinais irão depender do tamanho do animal e da quantidade ingerida. O consumo de grandes quantidades do veneno pode causar morte súbita.

Fiquem atentos aos seus animais. Os sinais de intoxicação podem ser vários: salivação (o animal começa a babar), vômitos, diarreia, convulsão, inquietação ou prostração, incoordenação, tremores, falta de ar (dispneia), hemorragia oral ou nasal, fraqueza, pupilas contraídas e provoca graves lesões nos pulmões, fígado e rins do animal.

Segundo especialistas, os animais intoxicados devem ser tratados com lavagem estomacal (até 2h após ingestão), sulfato de atropina para conter a maioria dos sinais causados pelo aldicarb, soroterapia para eliminar mais rápido o veneno, anti-hemorrágico, anticonvulsivantes e carvão ativado para evitar a absorção do tóxico pelo organismo, entre outras medidas.

Muita gente ainda usa o chumbinho contra os ratos. É crime comercializar o produto, e quem compra também está cometendo uma contravenção. Quem coloca, propositadamente, iscas com "chumbinho" (ou qualquer outro veneno) para matar o cão ou gato do vizinho não sabe que pode ser preso, pois infringe a Lei Ambiental.

A nova lei, sancionada em 29 de setembro de 2020, a Lei 14.064/2020, apelidada de “Lei Sanção” prevê pena de reclusão de dois a cinco anos para quem comete abuso e maus tratos a animais, além de multa e proibição da guarda. Segundo dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem 28,8 milhões de domicílios com pelo menos um cachorro e mais de 11 milhões com algum gato.

Estudo

Um grupo de veterinários da Faculdade de Medicina Veterinária, da Universidade Estadual do Ceará, apresentou em 2017 um estudo sobre a intoxicação provocada por Aldicarb em um felino de 3 anos de idade. É assustador.

O aldicarb, um carbamato de alta toxicidade, que é vendido de forma clandestina e usado ilegalmente como raticida doméstico.  Esta substância inibe a enzima acetilcolinesterase presente nas sinapses colinérgicas, acarretando estimulação excessiva dos receptores nicotínicos e muscarínicos, por conta disso, o atendimento e diagnóstico precoce do animal é fundamental para aumentar suas chances de sobrevida.

Um felino, fêmea, sem raça definida (SRD), três anos de idade, castrada e semidomiciliada apresentou subitamente um quadro de êmese, hiperexcitabilidade, agressividade, sialorreia, dispneia e posteriormente defecou-se e urinou-se. Segundo o tutor esses sinais clínicos ocorreram após o animal ter tido acesso às áreas comuns do condomínio. Imediatamente o felino foi levado à emergência veterinária.

O animal foi sedado com diazepam (2mg/kg por via IM) para conter e estabilizar o animal, logo em seguida recebeu sulfato de atropina (0,5mg/kg por via IM) e ranitidina (1mg/kg) por via SC. O animal foi submetido a oxigenoterapia por máscara, além da, realização de um acesso venoso, fluidoterapia colocada a soro com Lactato de Ringer a uma taxa de 30 ml / hora e administração de furosemida (2mg/kg por via IV).

Neste mesmo dia, o animal apresentou uma melhora, mostrando-se estável e retornou para casa com o acesso venoso, três horas após ter recebido alta, este teve uma piora e retornou para emergência onde permaneceu em internamento sendo submetido a fluidoterapia na dose de manutenção até vir a óbito por uma parada respiratória dois dias após o ocorrido. Posteriormente, o corpo do felino foi encaminhado para um laboratório de patologia para realização da necropsia.

No exame interno, foi observado congestão e edema encefálico e áreas de hemorragia. No coração, havia dilatação átrio-ventricular direita com áreas de hemorragia do miocárdio. Enquanto, o pulmão se apresentava com edema agudo, congestão e hemorragia pulmonar, além da presença de atelectasia e enfisema em focos. No fígado, existia uma acentuada dilatação e congestão dos sinusóides hepáticos, ocorrendo áreas de necrose e degeneração hidrópica moderada dos hepatócitos e colestase intra e extrahepática.

Ademais, havia múltiplas áreas de infarto renal com extensa produção fibrótica. Nefrite subaguda intersticial e adjacente às áreas de infarto. Intensa degeneração cortical e cortico-medular renal com áreas múltiplas de hemorragia. Havia gastroenterite catarral hemorrágica com grande quantidade de material necro-hemorrágico na luz onde se observam partículas pequenas, arredondadas e de cor prata, compatíveis com chumbinho. Moderada congestão e edema da mucosa gastrointestinal. Focos de necrose e hemorragia.

Foi observado congestão plurivisceral e inexistência de sinais de traumatismo no corpo do felino. O Aldicarb exerce sua toxicidade por meio da inibição da atividade da acetilcolinesterase (carbamilação) e, consequentemente, da estimulação excessiva dos receptores nicotínicos e muscarínicos, causando edema, congestão e degeneração hidrópica, principalmente, em pulmões e fígado. A morte ocorreu por parada respiratória em virtude de hipertonicidade os músculos respiratórios. Assim, a necropsia sugeriu que a causa mortis foi por insuficiência respiratória por suspeita de intoxicação exógena por aldicarb. Fonte: Simpavet(Sindicato dos Médicos Veterinários do Estado de São Paulo).

 


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