Gente
Há cinco
anos morria Bourabeby, médico e prefeito.
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| Bourabeby, sentado a direita. |
Hoje, dia 9,
terça-feira, a morte de Bourabeby completa 5 anos. José Bourabeby foi um
prefeito muito querido em Caraguá. Tinha um estilo de governar a la “Sicupira”.
Cuidava da prefeitura como se fosse a casa dele. Bourabeby faleceu em 2012, aos
82 anos. Foi um dos maiores líderes políticos da cidade. Até hoje, funcionários
municipais e moradores mais antigos se recordam dele. A maioria, com muito carinho. Aproveito a
data para relembrar o estilo Bourabeby de governar.
Estilo Malufista: Bourabeby tinha verdadeira adoração pelo Paulo
Maluf. Maluf, quando governador e quando candidato, vinha Caraguá e visitava a
casa de Bourabeby. Dona Maria Luíza fazia com carinho a comida árabe que Maluf
adorava. Bourabeby seguia o mesmo método de Maluf: cumprimentava a todos com
jeito simples e perguntava sobre a família de todos, sem esquecer os nomes do
pai, da mãe, dos avos, enfim de todos da famíla. Essa era uma marca de
Bourabeby. Candidato ou não era carinhoso com todos...principalmente, com seu povão...
Gabinete do Povão: Contam que um dia o Dito Firmino foi até o
gabinete pedir ajuda ao Bourabeby. Dito tinha umas contas de água atrasada e
precisava religar a água em sua casa. Quando foi ao gabinete, trajava roupa de
trabalho e chinelo de dedo e lá tinha muita gente de terno, aguardando ser
atendido por Bourabeby. A chefe de gabinete dona Nilza explicou que
dificilmente o prefeito poderia atender o Dito. Nesse momento, Bourabeby abriu
a porta de sua sala e ao ver o Dito perguntou o que ele estava fazendo no
gabinete. Dito disse que retornaria outra hora...”Que nada, Dito!!! Entra aqui,
você é do meu povão, o pessoal engravatado vem aqui atrás de dinheiro da
prefeitura...Dito entrou e foi atendido por Bourabeby, que pelo telefone pediu
a empresa que religasse a água da casa dele...
Obra importante: Bourabeby conseguiu com o Estado a construção do
primeiro ginásio de esportes coberto de Caraguá. Concluiu a obra e ficou mais
de três meses sem deixar o ginásio ser utilizado. Ele levava todo mundo lá prá
ver o ginásio, mas ninguém podia praticar esportes na quadra. É que Bourabeby
tinha medo de que o pessoal pudesse estragar o piso, na época, um dos mais
modernos do país...
Pátio de Obras: Bourabeby tinha verdadeira paixão pelo pátio de
obras. Todos os dias, às vezes, até aos domingos, o “turcão” visitava o pátio
de obras. Chegava ás cinco, seis horas da manhã e gostava de ver a frota, na
época, poucos carros, máquinas e caminhões... lavados, limpos e em perfeita
manutenção. Zelava como ninguém pelos bens públicos...
Explicações ao povo: Quando foi cassado em 1991, Bourabeby só deixou o
gabinete após dar entrevistas ao J.R.Forlim, da rádio Oceânica, na época,
emissora de grande audiência na cidade. Ele queria explicar ao “seu povão” que
tinha sido cassado por não atender as exigências dos vereadores da época e não
por mau uso do dinheiro público ou corrupção.
Médico: Bourabeby atendia a todos com muito carinhos nos
postos de saúde por onde trabalho. Atendia em média 80 pessoas por dia. A
maioria dos moradores, principalmente, os mais antigos e humildes adoravam ser
atendidos pelo Bourabeby. Indagado por um repórter como conseguia atender tanta
gente em tão pouco tempo, Bourabeby explicou: a maioria vem (ao posto de saúde)
em busca de carinho, de uma palavra amiga e de medicamentos simples. Procuro
dar atenção e melhorar a vida deles”...dizia.
O Fusca: Antigamente, comentavam que Bourabeby tinha vida
dupla. Em Caraguá, circulava de fusquinha velho e, que quando viajava para
Aparecida, usava carros mais modernos. Não era verdade, Bourabeby era uma
pessoa muito simples, sem luxo algum. Curtia mesmo seu fusquinha branco no qual
rodava por toda a cidade...O fusquinha era a sua marca registrada...Teve também
a época do carrão, um galaxie, que ele usava para viagens a capital...O carro,
no entanto, gastava muito combustível e o “turcão” era econômico demais...
Enterro: contam que Laércio, um dos candidatos a vereador
de Bourabeby, estava no cemitério para prestar solidariedade à família de um de
seus futuros eleitores, cujo parente tinha falecido. O candidato telefona do
cemitério para o Bourabeby para tentar atender a uma ajuda da família. “Dr.
José, a família precisa de dinheiro para quitar as despesas...Bourabeby não
deixou que ele concluísse a ligação e de imediato pediu que ele deixasse o
cemitério. Bourabeby explicou por telefone: “ em sepultamento, o político, deve
chegar cinco minutos antes do enterro justamente para evitar os pedidos de
última hora”...Laércio deixou o local de fininho pelos fundos do cemitério...
Missa: Bourabeby apoiava um empresário da cidade na
disputa da prefeitura. Combinaram de ir à missa. Chegando lá, o candidato
entrou na igreja e seguia direto para os primeiros bancos da igreja, quando foi
puxado repentinamente pela camisa por Bourabeby. “ Todo candidato tem que
sentar no último banco, porque é um local que tudo mundo que chega ou que saí
da igreja vai vê-lo”...
No coração: Um filho do pescador Pedro Estevan, família
tradicional do Massaguaçu, encontra Bourabeby no centro da cidade. Pará o
ex-prefeito e diz: “Dr. José, o senhor soube que meu pai morreu...”. Bourabeby
interrompe...e responde de imediato: “ Morreu prá você, porque para mim, ele
continua vivo aqui no meu coração”...
Atendimento: Todo mundo conhecia o jeitão Bourabeby de
atender os munícipes. Se era gente ligada a ele, o atendimento era imediato .
Bourabeby ia até o setor, chamava o diretor e pedia que atendesse imediatamente
o munícipe seu amigo. Quando ele era procurado por um munícipe que era da oposição
ou que não tinha votado nele, o “turcão” dispensava outro tipo de atendimento.
Bourabeby acompanhava o munícipe até a seção, colocava o braço esquerdo em seu
ombro, chamava o diretor responsável e dizia: “atenda o pedido dele o mais
rápido possível!!. Sem que o munícipe percebesse, Bourabeby com o braço direito
estendido por trás do munícipe e sem que ele percebesse, fazia com as mãos o
sinal de “não”. O diretor da seção entendia tudo, mas o munícipe não percebia
nada e ia feliz para casa...
Durão: Moradores fizeram um abaixo-assinado para impedir
que a câmara aprovasse mudanças na lei do uso do solo, feita pelo ex-prefeito
procurando com isso regularizar a construção de um prédio feita de
maneira irregular pelo seu vice prefeito. O assunto virou polêmica e uma equipe
da TV Globo veio a cidade. A repórter foi entrevistar o Bourabeby no gabinete.
O turcão, naquele estilo personalista de governar, não gostou das perguntas e
acabou expulsando a repórter do gabinete. “ O Roberto Marinho manda lá na sua
emissora, aqui, em Caraguá, mando eu.”.., afirmou o Bourabeby...
Quintal vira Colégio: Na década de 70, Bourabeby e o então secretário
estadual do Interior, Rafael Baldacci, decidiram "tomar" uma área
próximo ao estádio do XV de Novembro, para ceder em comodato à família do
Angelo Nogueira, para construção do colégio Módulo. A área era uma posse de
propriedade da dona Vitinha, na época, inspetora de aluno do colégio
Thomaz Ribeiro de Lima. Dona Vitinha mantinha no local, um quintal com várias
árvores frutíferas e um galinheiro. Dona Vitinha procurou Bourabeby para
explicar que parte da área tinha sido designada pelo Exército
Brasileiro como Praça das Bandeiras. (Na época, alunos do colégio havia
ateado fogo nas bandeiras do Brasil, do Estado e do Município, num episódio que
até hoje não foi justificado. Como tratava-se de período da ditadura, as
bandeiras queimadas foram enterradas e em cima foi feito uma espécie de
monumento pelo Exército, que denominou o local de Praça das Bandeiras).
Bourabeby ouviu dona Vitinha atentamente e justificou: "Dona Vitinha, no
local será construído um colégio, que é muito mais prioritário para nossa
cidade. Os filhos de nossos moradores não vão precisar mais viajar para
estudar"...
Donizete: Bourabeby vence as eleições e logo no primeiro dia que toma posse manda
reunir todos os funcionários do pátio de obras. Sabia quem tinha votado
nele e aqueles que votaram contra eram chamados para deixar a fila e
preocurar o Donizete. "Você aí do fundo já para o Donizete",
gritava Bourabeby. E, Bourabeby, continuava indicando os funcionários e
gritando "Donizete". O Donizete, até hoje, funcionário exemplar da
prefeitura, era na época, quem cuidava das contratações e demissões de
servidores.