A revalorização do caiçara
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| Os 100 anos de Altamir. |
Acontece em Caraguá, no domingo, dia 25, um evento onde será feita uma homenagem aos cem anos
de Altamir Tibiriçá Pimenta, um caiçara de corpo e alma. Uma homenagem das mais
justas. Essa homenagem, feita por moradores da cidade e região, é um
reconhecimento a um dos caiçaras mais importantes de Caraguá. Ela demonstra o
quanto os caiçaras foram e são importantes para o Litoral Norte. Homenagens
semelhantes deveriam e devem ser feitas nas demais cidades da região. É a
revalorização dos caiçaras. Nos últimos 30 anos os caiçaras ficaram
praticamente esquecidos nas atividades políticas e econômicas, apesar de tudo o
que fizeram e
representam
para a nossa região. Algumas entidades culturais sempre valorizaram os caiçaras. O poder público, poucas vezes.
Altamir
Altamir Tibiriçá Pimenta
foi um caraguatatubense que lutou e brigou pela cidade até a sua morte. Ele
nasceu em 24 de fevereiro de 1918, na Fazenda Mocóca em Caraguatatuba, filho de
Theotino Tibiriça Pimenta e Dona Generosa Rita Pimenta, uma das mais
tradicionais famílias caraguatatubenses. Altamir foi professor, jornalista,
vereador e prefeito em Caraguatatuba.
Iniciou seus estudos na
Escola Rural da Fazenda Mocóca. Depois, foi para Santos, cursar o ginasial no
Colégio Santista dos Irmãos Maristas. Quando jovem, em
1932, autorizado pelo pai, tomou conta de um aparelho telefônico na
Fazenda Cocanha, para comunicação de avisos importantes, como das passagem de
aviões, os chamados "vermelhinhos", e de navios de guerra da ditadura
implantada em 1930 e combatida pela Revolução Constitucionalista de 1932,
promovida por São Paulo.
Em 1938, Altamir lecionou
como professor leigo na Escola do Bairro Massaguaçu. Em 1940, por Portaria do
então Prefeito e interventor Dr. Bráulio Pereira Barreto, foi nomeado, em
comissão, para o cargo de Encarregado do Expediente da Prefeitura( mais tarde
transformado em Secretaria, aí ficando até julho de 1963, quando se
aposentou). Em 1946, foi nomeado pelo Embaixador Dr. José Carlos de Macedo
Soares como Prefeito de Caraguatatuba, exercendo o cargo até 13 de maio de
1947. Em 1951 foi candidato a vice-prefeito de Caraguatatuba, na chapa de
Antonio Augusto Matheus, vencendo essas eleições, cumprindo o mandato de1956
a 1959.
Em 11 de outubro de 1953 lançou o jornal A Voz do
Litoral, onde foi redator e repórter. O jornal deixou de circular na década
de 80. O prefeito Matheus e seu vice Altamir construíram o Cemitério
Municipal, em 02 de novembro de 1956 e conseguiram a criação da Comarca de
Caraguatatuba, pela Lei Estadual nº5285 de 19 de fevereiro de 1959, cuja
instalação se verificou em 26 de setembro de 1965. Eles foram responsáveis
ainda pela construção da rede adutora e distribuidora de água da cidade,
beneficiando o centro e os bairros Prainha, Caputera e Sumaré. A rede foi
inaugurada dia 06 de abril de 1958, com a presença do Governador Jânio da
Silva Quadros e esposa Dona Eloá do Valle Quadros. Esse ato foi registrado em
uma placa de bronze no Chafariz existente na Praça Cândido Mota, que marca a
inauguração do Primeiro Serviço de Água de Caraguatatuba.
Altamir comandou as solenidades das
festividades comemorativas do 1ºCentenário de Caraguatatuba, do
dia 20 de abril de 1957, encerradas dia 28, com a presença de toda Diocese de
Santos, tendo à frente o saudoso Bispo Dom Idílio José Soares. Altamir foi
responsável também pela instalação da primeira rádio de Caraguá, a Rádio
Oceânica. Nas eleições de 1959, Altamir Tibiriça Pimenta continuou sua
trajetória política sendo candidato a Vereador, saiu-se vitorioso nas
eleições, 1960/1963.
Não conclui seu mandato porque teve que deixar
Caraguá para acompanhar os estudos dos filhos: Luiz Carlos Moreira Pimenta e
Mário Wagner Moreira Pimenta, havidos com a primeira esposa, Dona. Vêrmia
Fernandes Moreira. Após nove anos residindo fora, Altamir retornou para
Caraguatatuba. Com sua nova mulher, teve três filhas: Generosa Rita, Joana Paula
Segunda e Renata. Altamir ocupou inúmeros cargos e funções na cidade: na
Congregação Mariana, na Sociedade São Vicente de Paula, no Clube XV de
Novembro, foi assessor de relações públicas, em 1973, no governo de Tereza
Cury Nogueira. Altamir faleceu em 2000.
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Revalorização Política
Tudo indica que os
caiçaras retornam ao cenário político, comercial, educacional e cultural do Litoral
Norte. É um movimento natural e muito importante. Na política, nas eleições do
ano passado, tivemos a eleição de dois caiçaras puros, Délcio Sato, em Ubatuba
e Márcio Tenório, em Ilhabela. Os prefeitos de São Sebastião, Felipe Augusto e, de Caraguá, Aguilar Jr. tem procurado valorizar os caiçaras, por entenderem o
quanto eles colaboraram e ajudaram no desenvolvimento de suas cidades.
Sato
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| Sato, prefeito caiçara. |
Sato é filho do mecânico e pescador
Sehe Sato e de dona Giorgina, que trabalhou muitos anos como merendeira em
escolas públicas. Nasceu em Caraguá, em 12 de maio de 1970. Um dos três irmãos,
Alexandre, já faleceu, os outros dois são: o feirante Beto e o escriturário
César. Sato é o caçula. Ele é casado com Sandra e tem um filho: Gabriel.
Sato começou a trabalhar aos 12 anos
de idade. Aos 13 anos foi guarda mirim em Caraguá, época em que conheceu sua
esposa Sandra. Em 1986 foi trabalhar na Sudelpa(Superintendência do
Desenvolvimento do Litoral Paulista). Em 1987 trabalhou no Cepam (Centro de
Estudos e Pesquisas de Administração). Em 1988 serviu o Exército. Em 1991 foi
trabalhar na Assembleia Legislativa assessorando o deputado Arnaldo
Jardim.
Em 1992 assume gerência de uma
empresa privada e dois anos depois inicia sua militância política como
Presidente do Diretório Estudantil e em 1996 é eleito Presidente da Associação
Ecológica do Litoral Norte. Em 1997 começa a trabalhar na Prefeitura de Ubatuba
como chefe de gabinete. Em 1999 forma-se em direito pela Univap, de São José
dos Campos. Assume a Chefia de Gabinete da Prefeitura de Ubatuba, administrada
por Zizinho Vigneron. Foi também, professor universitário em Caraguá.
Em 2000, Sato disputou sua primeira
eleição em Ubatuba, concorreu ao cargo de vereador pelo PPS, obteve 445 votos,
foi o 17º mais votado mais não se elegeu. Zizinho Vigneron, que tentava a
reeleição, acabou sendo derrotado pelo professor Paulo Ramos. Em 2005,
Sato retorna a chefia de gabinete da Prefeitura de Ubatuba, administrada por
Eduardo César. Deixou a prefeitura para disputar a sucessão de Eduardo, acabou
não se elegendo, obtendo 8.121 votos pelo PSB (17,99% dos votos válidos). No
ano passado, saiu candidato pelo PSD e venceu as eleições com 14.243 votos (
36,41% dos votos válidos).
Tenório
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| Tenório, nascido na Praia da Fome. |
Márcio Batista Tenório, 46 anos, filho do pescador Manoel Tenório e da
caseira Elza Gomes Batista Tenório, é o prefeito de Ilhabela, município com
cerca de 35 mil habitantes e um orçamento estimado em R$ 600 milhões,
decorrente do repasse de royalties do pré-sal pela Petrobras. Para ver
concretizado seu sonho, de ser prefeito da cidade onde nasceu, ele teve que
batalhar e muito. Não foi nada fácil.
Márcio Tenório, que nasceu na Praia da Fome, em Ilhabela, vem de uma
família de 6 irmãos. E, também foi pescador. Começou a trabalhar com 5 anos,
ajudando o pai, seu Manoel, na pesca de camarão. Ficou trabalhando na
pesca na pesca até os 13 anos. Em seguida, trabalhou como servente de pedreiro,
mestre de obra, auxiliar de limpeza de campings, balconista e caixa de
supermercado.
Como morava na Praia da Fome, um local isolado, cujo acesso só era
possível de barco, Márcio não tinha como frequentar a escola. É interessante
destacar, que a praia onde ele morou, foi no passado, um local onde os
escravos, que vinham da Africa, ficavam alojados, para se alimentarem e
recuperarem suas forças, antes de serem levados para serem vendidos aos
senhores de engenhos. Por isso, a praia, tem o nome de Praia da Fome. É uma
praia das mais lindas da ilha.
Por não ter tido a oportunidade de estudar, na infância, devido à dificuldade
de acesso a escola, Márcio, hoje, abriga uma sobrinha em sua casa, justamente
para que ela possa estudar. Em suas conversas, até hoje, o prefeito lamenta não
ter podido estudar desde cedo, devido as dificuldades de acesso a escola
pública, quando vivia na Praia da Fome. É, por isso, também, que ele, como
prefeito, se preocupa tanto em melhorar as condições de vida daqueles, que
vivem nas comunidades isoladas da ilha.
Tenório passou a se dedicar aos estudos, a partir dos 13 anos. Ele sempre
trabalhou em Ilhabela. Aos 18 anos, em 1989, prestou concurso público na
prefeitura local e foi aprovado para o cargo de servente. Aproveitou para
concluir o primeiro grau. Decidiu fazer novo concurso público, passou
novamente, desta vez, para o cargo de escriturário.
Aprovado, foi trabalhar como encarregado na Secretaria de Saúde. Ganhou
tanta experiência nesta área, que em 2009, foi convidado para ser o interventor
do Hospital de Clínicas de São Sebastião, um dos mais importantes do Litoral
Norte. Deixou o cargo em abril de 2012, para retornar à prefeitura de Ilhabela,
já com o intuito de disputar as eleições daquele ano, como candidato a
prefeito. Em julho de 2012, afastou se da prefeitura e saiu candidato a
prefeito pelo PSC.
Márcio Tenório
enfrentou o prefeito Toninho Colucci (PPS), que era candidato a reeleição.
Colucci se reelegeu. Márcio Tenório ficou em segundo lugar, obtendo 18,70% dos
votos. Márcio reassumiu seu cargo na prefeitura ilhabelense, onde em 2013, se
licenciou para trabalhar novamente, em São Sebastião, desta vez, como assessor
da Secretaria de Saúde. Com a intensão de voltar a disputar as eleições em sua
cidade, em julho de 2015, deixou a prefeitura de São Sebastião para retornar à
Ilhabela.
Na ilha, foi
trabalhar como assessor da Secretaria de Assuntos Jurídicos. Em 2016, se
afastou da prefeitura, para concorrer às eleições municipais. Desta vez, pelo
PMDB. Márcio Tenório foi eleito com 7.917 votos (44,16% dos votos). E, logo ao
assumir, se comprometeu em fazer um governo participativo, ouvindo e
consultando a comunidade local sobre os caminhos de sua administração.
Márcio, que tem 46
anos, é casado há 20 anos com Julia Carmina de Almeida Tenório, com quem tem
duas filhas, Ana Julia e Manuela. Ele sempre quis ser prefeito da cidade, para,
segundo ele, poder atender as necessidades da população em todas as áreas. Ele
tem uma história na cidade, conhece bem a realidade e quer, como prefeito,
transformar a vida da população ilhabelense.
Comércio
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| Os caiçaras Sávio e Ari, no meio Toninho Barbosa. . |
Em Caraguá, depois
de quase 25 anos, uma dupla de caiçaras assume o comando da mais importante
Associação Comercial e Empresarial da região, a ACE de Caraguá. O presidente é
Sávio Luiz dos Santos, filho do ex-prefeito Silvio Luiz dos Santos (1969/1972)
e de dona Severina Garrido dos Santos. O casal foi
proprietário da Sorveteria Sérgio, uma das mais antigas e tradicionais de
Caraguá, hoje, administrada por Sávio e sua esposa Silvana. Sylvio faleceu
em 1989, aos 71 anos; sua esposa, dona Severina faleceu em 99, aos 70 anos.
O vice de Sávio é Ari Barbosa, proprietário de um supermercado
e do Quiosque Canto Bravo, um dos mais frequentados de Caraguá. Ari é filho de
Antonio Roberto Barbosa, de 86 anos, que nasceu no dia 10 de outubro de 1931, na cidadezinha de Alagoas da Canoa, em
Alagoas. Trabalhava na roça, junto com seus outros cinco irmãos, quando em 1951
decidiu tentar a sorte no sul do país. Pegou um pau de arara e depois de alguns
dias de viagem, chegou a capital paulista. Trabalhou em lavouras do Paraná e
interior de São Paulo. Passou por Santos e foi ajudar um irmão que tinha uma
pensão em Ilhabela. Em seguida, foi trabalhar como servente em São Sebastião.
Em 1954, chegou em Caraguá.
Com a mulher a mulher Aurelina e dois filhos
Toninho e Leni, começou vida nova trabalhando em uma loja de material para
construção. Foi contratado pelo DER(Departamento de Estradas de Rodagem). Depois,
foi trabalhar na Sucen(Superintendência de Controle das Endemias), onde ficou
até se aposentar. Em 1994, seu filho Ari, aposentou do banco e investiu na
compra de um quiosque na Martim de Sá. Seu Antonio ficou a frente do negócio
durante um ano. Quando Ari deixou o banco e assumiu o comércio, seu Antonio
ficou responsável pela venda do coco verde. Já são mais de 18 anos no ramo. Os casos citados acima são apenas alguns da revalorização de caiçaras, muitos outros devem estar ocorrendo em nossa região.