Dengue
Em Caraguá,
população de baixa renda e negra é a mais afetada pela dengue, constatou pesquisa
da Unicamp.
Em tempos de muita atenção e cuidados com a dengue, zika e chykungunya, vírus
que vem preocupando a todos nós, encontrei um estudo bastante interessante na
internet. Trata-se de uma pesquisa feita pela Unicamp (Universidade Estadual de
Campinas) que foi desenvolvida aqui em
Caraguá. A pesquisa foi feita sobre o Aedes Aegypti, não incluindo os casos de
zika e Chikungunya, que até então, não ameaçavam o país. Nos dois primeiros meses deste ano a cidade registrou 7 casos de dengue. A prefeitura tem realizado um trabalho dos mais elogiáveis no combate a dengue, zika e chykungunya.
A pesquisa, desenvolvida pelo cientista social Igor Cavallini Johansen, não tem nada a ver com o controle efetivo do mosquito transmissor, descoberta de
novos medicamentos ou até de vacinas para combater a dengue. Johansen se
dedicou a estudar qual é a população mais afetada pela dengue, utilizando
informações colhidas em Caraguatatuba. Ele aproveitou o fato da cidade ter mais
de 100 mil habitantes, ser alvos de muitos investimentos que atraíram e atraem
muita gente para o município.
Anteriormente, Joshansen, havia feito uma pesquisa na cidade de
Altamira, no Pará. Lá, apurou que a falta de saneamento básico-água encanada,
rede de esgoto e coleta de lixo, poderia favorecer a incidência da dengue. Em
Caraguá, a situação é diferente, quase 100% dos moradores possuem água encanada
e, cerca de 70% das moradias tem esgoto coletado e tratado. “Ainda assim, a
doença não se espalha de forma homogênea pela cidade, concentrando-se em
algumas regiões. Fui em busca de outras explicações”, contou o pesquisador em entrevista
concedida ao site Saúde Plena.
Com dados fornecidos pelo Censo do IBGE e do controle da dengue mapeadas
pela Secretaria de Saúde do município, Johansen cruzou as informações com os
“pontos estratégicos”, nomenclatura utilizada pelo Ministério da Saúde no
mapeamento de potenciais criadouros do Aedes Aegypti, como borracharias,
ferros-velhos e depósitos de materiais recicláveis.
Com a ajuda da colega da Unicamp e analista do IBGE, Maria do Carmo Dias Bueno, o pesquisador teve acesso a uma nova forma de disponibilização dos dados do Censo, que divide o município em células do mesmo tamanho. As conclusões apontadas pelo estudo foram impressionantes e mostraram que a visão da dengue como doença 'democrática', que 'atinge todas as classes sem distinção' precisa ser revista. Johansen constatou que em Caraguá a dengue atinge a população de baixa renda e negra ou seja pobres e negros são mais vulneráveis à dengue. A pesquisa foi feita em 2014.
Com a ajuda da colega da Unicamp e analista do IBGE, Maria do Carmo Dias Bueno, o pesquisador teve acesso a uma nova forma de disponibilização dos dados do Censo, que divide o município em células do mesmo tamanho. As conclusões apontadas pelo estudo foram impressionantes e mostraram que a visão da dengue como doença 'democrática', que 'atinge todas as classes sem distinção' precisa ser revista. Johansen constatou que em Caraguá a dengue atinge a população de baixa renda e negra ou seja pobres e negros são mais vulneráveis à dengue. A pesquisa foi feita em 2014.
“Uma demonstração disso está na proximidade entre os grupos
populacionais mais atingidos e os pontos estratégicos. Como a Prefeitura já
tinha esses pontos mapeados, pude verificar que morar em um raio de 300 metros
desses locais aumenta em 67% a taxa de incidência de dengue. E as borracharias
e depósitos de materiais recicláveis não estão em bairros nobres ou
condomínios; estão na periferia”, acrescentou o cientista social em sua
entrevista.
O pesquisador considerou que a grande cartada da pesquisa foi a
possibilidade de sobrepor o banco de dados do município, com o
georreferenciamento de cada um dos casos de dengue; à malha cartográfica do
IBGE. Assim, foi possível demonstrar que o perfil socioeconômico e o de saúde
estão muito relacionados. “As populações com menor renda e maior proporção de
negros e pardos estão mais vulneráveis a causas externas e doenças evitáveis. É
um acúmulo de 'chances' – a pessoa não é branca, tem renda baixa e mora perto
de um ponto estratégico”, resumiu o cientista.
Johansen acredita que a metodologia possa ser replicada em outros
municípios, desde que um aspecto da dengue não seja esquecido: por ter
múltiplos fatores, a enfermidade não pode ser reduzida ao viés populacional. “A
manifestação da doença depende até da susceptibilidade biológica individual ao
vírus – meu vizinho pode ter apenas sintomas leves e nem procurar um
diagnóstico, enquanto eu posso precisar ir para o hospital. A perspectiva
populacional, sozinha, não é suficiente para explicar toda a cadeia de fatores
inter-relacionados que envolvem a dengue”, concluiu o pesquisador.
Segundo ele, o Aedes
aegypti encontra na região de Caraguatatuba condições favoráveis. Além da
urbanização acelerada, contribuem o clima quente e úmido; o turismo que gera
grande circulação de pessoas e a localização no corredor de passagem para o
porto de São Sebastião. O município é ainda cortado pela rodovia Rio-Santos,
cidades onde a dengue é considerada endêmica.
Johansen acrescentou que, no sentido inverso, como fator de proteção da população, há o indicativo de que o aumento de 1% na proporção de domicílios não próprios, com destaque para os alugados, reduz em 92% a taxa de incidência na área de estudo. “Uma hipótese ainda a ser testada é de que a cidade serve como segunda residência para proprietários que descem a serra apenas em feriados e temporadas. O imóvel fica fechado praticamente o ano inteiro, sem que a vigilância tenha acesso a eventuais criadouros. Já no imóvel alugado, o inquilino está presente e tem um cuidado maior em relação a recipientes que podem acumular água”, acrescentou.
Dengue em Caraguá
Johansen acrescentou que, no sentido inverso, como fator de proteção da população, há o indicativo de que o aumento de 1% na proporção de domicílios não próprios, com destaque para os alugados, reduz em 92% a taxa de incidência na área de estudo. “Uma hipótese ainda a ser testada é de que a cidade serve como segunda residência para proprietários que descem a serra apenas em feriados e temporadas. O imóvel fica fechado praticamente o ano inteiro, sem que a vigilância tenha acesso a eventuais criadouros. Já no imóvel alugado, o inquilino está presente e tem um cuidado maior em relação a recipientes que podem acumular água”, acrescentou.
Dengue em Caraguá
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| Mapeamento feito por Johansen. |
O histórico da
dengue em Caraguatatuba tem início em 2002, quando ocorreram as notificações
dos primeiros casos autóctones – cuja transmissão se dá dentro da cidade e cujo
contaminado é um residente. Em 2002 foram 333 casos. Em 2010, foram 3.698
ocorrências confirmadas e praticamente todas (3.672) autóctones; e, duas
mortes. Em 2013 houve o segundo maior pico, com 1.679 registros autóctones e
uma morte. Em 2014 foram 2176 casos e duas mortes; em 2015 foram 5042 casos e
oito mortes. A prefeitura tem feito um ótimo trabalho, mas os moradores e
principalmente, veranistas tem que colaborar mais evitando os criadouros do
mosquito transmissor ainda mais nesta época de Zika e Chikungunya. Fonte: Unicamp e Site Saúde Plena.












