segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Via Orla

Dengue

Em Caraguá, população de baixa renda e negra é a mais afetada pela dengue, constatou pesquisa da Unicamp.  
 
Cientista Igor Cavallini Johansen. Foto:Saúde Plena.
Em tempos de muita atenção e cuidados com a dengue, zika e chykungunya, vírus que vem preocupando a todos nós, encontrei um estudo bastante interessante na internet. Trata-se de uma pesquisa feita pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)  que foi desenvolvida aqui em Caraguá. A pesquisa foi feita sobre o Aedes Aegypti, não incluindo os casos de zika e Chikungunya, que até então, não ameaçavam o país. Nos dois primeiros meses deste ano a cidade registrou 7 casos de dengue. A prefeitura tem realizado um trabalho dos mais elogiáveis no combate a dengue, zika e chykungunya.
A pesquisa, desenvolvida pelo cientista social Igor Cavallini Johansen, não tem nada a ver com o controle efetivo do mosquito transmissor, descoberta de novos medicamentos ou até de vacinas para combater a dengue. Johansen se dedicou a estudar qual é a população mais afetada pela dengue, utilizando informações colhidas em Caraguatatuba. Ele aproveitou o fato da cidade ter mais de 100 mil habitantes, ser alvos de muitos investimentos que atraíram e atraem muita gente para o município.
Anteriormente, Joshansen, havia feito uma pesquisa na cidade de Altamira, no Pará. Lá, apurou que a falta de saneamento básico-água encanada, rede de esgoto e coleta de lixo, poderia favorecer a incidência da dengue. Em Caraguá, a situação é diferente, quase 100% dos moradores possuem água encanada e, cerca de 70% das moradias tem esgoto coletado e tratado. “Ainda assim, a doença não se espalha de forma homogênea pela cidade, concentrando-se em algumas regiões. Fui em busca de outras explicações”, contou o pesquisador em entrevista concedida ao site Saúde Plena.  
Com dados fornecidos pelo Censo do IBGE e do controle da dengue mapeadas pela Secretaria de Saúde do município, Johansen cruzou as informações com os “pontos estratégicos”, nomenclatura utilizada pelo Ministério da Saúde no mapeamento de potenciais criadouros do Aedes Aegypti, como borracharias, ferros-velhos e depósitos de materiais recicláveis.

Com a ajuda da colega da Unicamp e analista do IBGE, Maria do Carmo Dias Bueno, o pesquisador teve acesso a uma nova forma de disponibilização dos dados do Censo, que divide o município em células do mesmo tamanho. As conclusões apontadas pelo estudo foram impressionantes e mostraram que a visão da dengue como doença 'democrática', que 'atinge todas as classes sem distinção' precisa ser revista. Johansen constatou que em Caraguá a dengue atinge a população de baixa renda e negra ou seja pobres e negros são mais vulneráveis à dengue. A pesquisa foi feita em 2014.
“Uma demonstração disso está na proximidade entre os grupos populacionais mais atingidos e os pontos estratégicos. Como a Prefeitura já tinha esses pontos mapeados, pude verificar que morar em um raio de 300 metros desses locais aumenta em 67% a taxa de incidência de dengue. E as borracharias e depósitos de materiais recicláveis não estão em bairros nobres ou condomínios; estão na periferia”, acrescentou o cientista social em sua entrevista.

O pesquisador considerou que a grande cartada da pesquisa foi a possibilidade de sobrepor o banco de dados do município, com o georreferenciamento de cada um dos casos de dengue; à malha cartográfica do IBGE. Assim, foi possível demonstrar que o perfil socioeconômico e o de saúde estão muito relacionados. “As populações com menor renda e maior proporção de negros e pardos estão mais vulneráveis a causas externas e doenças evitáveis. É um acúmulo de 'chances' – a pessoa não é branca, tem renda baixa e mora perto de um ponto estratégico”, resumiu o cientista.
Johansen acredita que a metodologia possa ser replicada em outros municípios, desde que um aspecto da dengue não seja esquecido: por ter múltiplos fatores, a enfermidade não pode ser reduzida ao viés populacional. “A manifestação da doença depende até da susceptibilidade biológica individual ao vírus – meu vizinho pode ter apenas sintomas leves e nem procurar um diagnóstico, enquanto eu posso precisar ir para o hospital. A perspectiva populacional, sozinha, não é suficiente para explicar toda a cadeia de fatores inter-relacionados que envolvem a dengue”, concluiu o pesquisador.
Segundo ele, o Aedes aegypti encontra na região de Caraguatatuba condições favoráveis. Além da urbanização acelerada, contribuem o clima quente e úmido; o turismo que gera grande circulação de pessoas e a localização no corredor de passagem para o porto de São Sebastião. O município é ainda cortado pela rodovia Rio-Santos, cidades onde a dengue é considerada endêmica.

Johansen acrescentou que, no sentido inverso, como fator de proteção da população, há o indicativo de que o aumento de 1% na proporção de domicílios não próprios, com destaque para os alugados, reduz em 92% a taxa de incidência na área de estudo. “Uma hipótese ainda a ser testada é de que a cidade serve como segunda residência para proprietários que descem a serra apenas em feriados e temporadas. O imóvel fica fechado praticamente o ano inteiro, sem que a vigilância tenha acesso a eventuais criadouros. Já no imóvel alugado, o inquilino está presente e tem um cuidado maior em relação a recipientes que podem acumular água”, acrescentou.

Dengue em Caraguá

Mapeamento feito por Johansen.


O histórico da dengue em Caraguatatuba tem início em 2002, quando ocorreram as notificações dos primeiros casos autóctones – cuja transmissão se dá dentro da cidade e cujo contaminado é um residente. Em 2002 foram 333 casos. Em 2010, foram 3.698 ocorrências confirmadas e praticamente todas (3.672) autóctones; e, duas mortes. Em 2013 houve o segundo maior pico, com 1.679 registros autóctones e uma morte. Em 2014 foram 2176 casos e duas mortes; em 2015 foram 5042 casos e oito mortes. A prefeitura tem feito um ótimo trabalho, mas os moradores e principalmente, veranistas tem que colaborar mais evitando os criadouros do mosquito transmissor ainda mais nesta época de Zika e  Chikungunya.  Fonte: Unicamp e Site Saúde Plena.    

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Via Orla

Figuras 

Dudé, um exemplo vivo de caiçara, do antigo “Risca Faca”.  

O caiçara Dudé


A gente que vive há mais tempo em Caraguá vai percebendo que tá cada vez mais difícil de ver ou rever antigos caiçaras. Por isso, quando a gente encontra com alguns deles faz questão de bater um papo para saber como andam as coisas, a vida deles e relembrar como era a cidade antigamente. A gente percebe que o caiçara tá realmente em extinção. O crescimento e desenvolvimento de nossas cidades do Litoral Norte tem afastado os caiçaras da orla e das praias. Com o desenvolvimento, as áreas e mesmo casas ocupadas por ele em frente as praias, se tornaram valiosas para empreendedores e veranistas. 

Em troca de dinheiro- farto para essa gente simples, humilde e sem qualquer ambição, muitos venderam suas áreas e casas e foram morar em bairros mais afastados. A partir daí e, também, devido as dificuldades da pesca artesanal, muitos trocaram a pesca pela construção civil ou pelos "bicos" no comércio. Por isso, quando encontro alguns deles, faço questão de "trocar uma boa conversa".     

Todos os dias o Dudé passa em frente ao Restaurante Valentin, indo e vindo do Supermercado Silva. Aquele andar de caiçara, arrastando o chinelo de borracha; corpo moreno; shorts e camisa, cabelos embranquecidos pelo tempo e trabalho árduo de antigamente. Dudé é o típico caiçara que vivia no bairro “Risca Faca”, antigo reduto dos pescadores artesanais de Caraguá.  O bairro chamava carinhosamente de Risca Faca por que em qualquer discussão ou confusão, com um deles, o pescador caiçara, tirava a peixeira e “raspava no chão”. Hoje, o bairro é conhecido como Ipiranga e tem pouco caiçaras, muito pouco. A maioria deles deixou o bairro após vender suas casas para veranistas. Os caiçaras, devido à redução da captura do peixe e camarão e, também, devido à valorização da orla, foram aos poucos deixando o local.

O Dudé, no entanto, é o exemplo real daqueles antigos caiçaras. Sempre converso com ele, para saber como anda sua saúde. O papo sempre foi muito legal. Entre os assuntos: o  desenvolvimento da cidade, a redução da população caiçara, a falta de peixe e, é claro, o futebol. Dudé jogou em vários times amadores da cidade, entre eles, o XV, o Ipiranga e o São José. Jogava como zagueiro ou lateral direito. Era um a zagueiro daqueles em que a bola passa, mas o atacante, não.  Jogou contra ele. Era difícil passar por ele. Batia prá caramba, mas era uma “moça” fora do campo.

A vida de Dudé vou contar agora. José Benedito de Andrade Filho ganhou o apelido de Dudé da avó, dona Clarinda Germano Ferreira, caiçara da gema. Dudé é filho de José Bendito de Andrade e Maria da Conceição. Nasceu na Bahia, mas não se lembra em que cidade. Logo após o pai, seu José morrer, Dudé veio para Caraguá, ainda recém-nascido junto com a mãe, que faleceu em 1970. Dudé para quem não sabe foi um dos primeiros açougueiros de Caraguá. Começou trabalhando no matadouro municipal, que pertencia à Prefeitura de Caraguá, que existia ali, no antigo bairro Risca Faca.

Com o surgimento dos açougues, com o passar dos anos, trabalhou em praticamente todos eles; do Vicente Orlando, do Zé Ricota, do Pedro Alves Monteiro, do Dair Fonseca, do Julinho e do Zé Gordinho. Cortava com muita experiência carne vaca e de porco. Nos açougues se aposentou em 2003. Entre um período e outro passou também a viver da pesca. Segundo ele, uma vida muito difícil. Talvez, por isso, muito caiçara, deixou a pesca, para trabalhar na construção civil ou viver de caseiro.

Dudé foi casado com dona Delfina, com quem teve 13 filhos, entre eles, o Marcão, o Marcelo, o Glauco, o Cacau, o Ricardo, a Fernanda, a Marina, a Márcia, a Luciana, a Lico, a Vera e a Ana Paula. Dudé diz que perdeu a conta do número de netos. “São mais de 40...”, afirma. Hoje, aos 76 anos, Dudé caminha a pé pelas ruas da cidade e lamenta não conhecer mais quase ninguém. Segundo ele, hoje, existem poucos caiçaras e tá cada vez mais difícil rever os amigos. Sente saudades dos antigos moradores do “Risca Faca”, a maioria, já falecidos.


Lembra de figuras folclóricas, entre eles, o “Toninho Saruba”, que depois de tomar umas e outras ficava com as mãos imitando o som de um piston...Ele comenta que as vezes vai aos domingos aos campos de futebol e mesmo lá, tá difícil de rever os amigos. Segundo ele, a cidade cresceu, se desenvolveu, veio muita gente de fora- a maioria sem identidade nenhuma com a cidade e, hoje, as pessoas mais antigas, que tanto colaboraram com o crescimento da cidade, passam praticamente esquecidas e despercebidas...    

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Via Orla

Turismo 

3º Caraguá Fly Show: um espetáculo radical em Caraguatatuba.




Caraguá se posiciona cada vez mais como a Capital do Voo Livre. E, não é para menos, esta atividade esportiva das mais radicais é praticada por aqui há mais de 40 anos. O voo livre vem se tornando uma das principais atrações da cidade. Praticantes de todas as partes do país e até mesmo, do exterior vem até aqui para praticar o voo de asa delta ou parapente.

A cidade tem duas rampas, situadas no alto do Morro do Santo Antônio, que são bastante procuradas ao longo do ano. Temos uma associação, a Associação Caraguatatubense de Voo Livre e o apoio da Prefeitura e Associação Comercial e Empresarial para que este esporte cresça cada vez mais por aqui. E, é claro, se transforme cada vez mais em um dos nossos principais atrativos turísticos.

Este fim de semana teremos o 3º Caraguá Fly Show. E, mais uma vez deverá agitar a cidade. É interessante lembrar que existe um projeto na assembléia legislativa desde 2009, de autoria do então deputado Mozzart Russomano, que reconhece a cidade como a “Capital do Voo Livre no Estado de São Paulo”. Mozzart é irmão do deputado federal Celso Russomano. Não sei em que pé está a coisa, se o projeto foi sancionado ou não.

Voo Livre

O voo livre começou no Brasil há cerca de 42 anos. O voo livre teria começado a ser praticado em Caraguá por volta de 1976. Os nossos primeiros "voadores" foram um japonês, de sobrenome Yutaka e, um rapaz conhecido como Felipe, ambos de São José dos Campos. No final da década de 70, voadores de São José dos Campos e Atibaia, utilizavam o morro do Santo Antônio para praticar a atividade. O primeiro "voador" de Caraguá,  teria sido o caiçara Caco, hoje, proprietário de uma marina no Camaroeiro.

O pessoal utilizava o Morro do Santo Antônio para pular de asa delta. O voo era feito nas proximidades da primeira estátua de Santo Antônio, que ficava mais abaixo e a esquerda da atual. Com o passar dos anos e o aumento do número de praticantes, foram feitas as duas rampas: norte e sul. O paraglider chegou em Caraguá em 1992 pelo voador José Mário de Souza. Ele, que voava de asa delta deste 1986, esteve no Rio de Janeiro, fez um curso e comprou o equipamento para usar em Caraguá.  Zá Mário, inclusive, representa Caraguá e o Brasil em vários eventos de voo-livre no exterior.

Tenho notado, que a cada dia que passa a asa delta tem perdido espaço para o parapente ou paraglider. Deve ser pela facilidade de transporte ou custo do equipamento, não sei também, não tenho idéia do número de praticantes de voo-livre aqui em Caraguá. Nos fins de semana, feriados prolongados e temporada de verão, vejo dezenas de paragliders colorindo o céu de nossa cidade...Tem gente que pratica no Morro da Martim de Sá e até mesmo, no passado, lá na Fazenda Serramar. Nunca tive coragem de  voar...Já vi prefeito, padre e muitos comerciantes e amigos, saltarem lá de cima...Deve ser um emoção das  mais incríveis...Sei que a decolagem é feita a cerca de 360 metros de altura e, que o voo dura cerca de 20 minutos, até o pouso seguro nas areias da praia central...É preciso ter muita coragem...  

Como essa modalidade cresce a cada dia, a  prefeitura, a ACE e a Associação Caraguatatuba de Voo Livre, se uniram para regularizar a atividade em nossa cidade. A preocupação maior é com a atividade do voo duplo comercial, aquela em que o turista ou veranista, paga para voar e ter o voo registrado em vídeo ou fotos. Cinco pessoas exploram essa atividade aqui em Caraguá, de maneira ainda amadora. No Rio de Janeiro, essa atividade é das mais lucrativas, pois apenas nos fins de semana mais de 800 pessoas participam do voo-duplo. Acontece que inúmeras outras pessoas e até mesmo agências de fora da cidade também exploram essa atividade por aqui, de maneira clandestina. A prefeitura quer regularizar essa atividade, juntamente, com a associação local e também, com assessoria da ABLV (Associação Brasileira de Voo Livre e da ABP(Associação Brasileira de Parapente).


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Via Orla

Memórias


      Carlos Lacerda e o Litoral Norte.

 
Ex-governador Carlos Lacerda
O ex-governador do Rio de Janeiro, jornalista Carlos Lacerda, conhecido no passado como “o Corvo”, será tema de um livro produzido pela Companhia das Letras. O livro que irá resgatar os últimos 13 anos da vida do ex-governador carioca, período que vai de 1964 e 1977, está sendo escrito pelo jornalista Mário Magalhães, que foi autor da biografia “Marighela: O guerrilheiro que Incendiou o Mundo”. O livro deve ser lançado em 2016.

Magalhães tem em mãos 4.000 páginas de documentos sobre Lacerda, um dos políticos mais polêmicos da nossa história. Carlos Frederico Werneck de Lacerda nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 30 de abril de 1914, filho de Maurício Paiva de Lacerda e de Olga Werneck de Lacerda. Iniciou sua carreira profissional em 1929, escrevendo artigos para o Diário de Notícias. Em 1932 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, abandonando o curso em 1934. Trabalho como jornalista no Correio da Manhã (1938). Fundou a Tribuna de Imprensa, em 1949. Em 1955, quando morou nos EUA, foi colaborador dos jornais O Globo e Estado de São Paulo. Trabalhou ainda no Jornal do Brasil e Jornal da Tarde, sob o pseudônimo de Júlio Tavares.  
Como político, Lacerda participou do grupo articulador da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização fundada em 1935 com o caráter de "frente popular", cujo programa, baseado na mobilização das massas, propunha a luta contra o integralismo, o imperialismo e o latifúndio. Foi vereador, deputado  e governador da Guanabara. Foi preso político e exilou-se em Cuba. Morou nos EUA e em Portugal. Em 1954 a situação política se agravou quando, na madrugada do dia 5 de agosto, ao voltar de um comício no Colégio São José, Lacerda foi alvejado na porta de sua casa, à rua Toneleros, em Copacabana. O atentado que se tornou conhecido como Atentado da Toneleros , resultou na morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz, integrante de um grupo de oficiais da Aeronáutica que dava proteção a Lacerda, que escapou com um ferimento no pé. Lacerda se colocou contra Getúlio, com a  exigência da renúncia de Vargas começou a generalizar-se nos meios militares. Isolado politicamente e na iminência de ser deposto, Vargas suicidou-se no dia 24.
Litoral Norte
 
Lacerda, na década de 70. 
O jornalista Mário Magalhães dever esclarecer em seu livro a passagem do ex-governador Lacerda pelo Litoral Norte de São Paulo. O ex-governador frequentou Caraguatatuba e Ubatuba no início da década de 70. Ele estava sempre acompanhado dos empresários italianos Castelini, Lambardini e Sabadini, suíços e gregos. Conheci o governador durante seus almoços e jantares no restaurante Xamego, em Caraguá. O restaurante que pertencia a minha mãe, dona Maria Burihan, era praticamente o “escritório” de Lacerda e dos empresários  estrangeiros que conviviam com ele. No Xamego, Lacerda tomava seu uísque( era uma garrafa por noite) e viabilizava com os estrangeiros os investimentos que seriam feitos em nossa região.

Tinha um brasileiro, de nome Ruy Guerra, que segundo consta, era o braço direito do ex-governador. Comentava-se, na época, que Guerra comprou muitas áreas entre Ubatuba e Caraguatatuba, todas elas, pertencentes ao ex-governador. Numa dessas áreas, a Tabatinga, teria sido vendida a um grupo estrangeiro para a construção do Condomínio Costa Verde Tabatinga, que viria a se tornar um dos mais valorizados do litoral brasileiro, no final da década de 70.  

Nunca pesquisaram os cartórios para saber se as terras pertenciam oficialmente ao ex-governador. Existiam apenas comentários. Segundo consta, Lacerda utilizava-se de “laranjas” para comprar as áreas mais valorizadas do nosso litoral, entre elas, o trecho que vai da Tabatinga, passa pela Praia da Figueira, Ponta Aguda e Praia da Lagoa.

Boa parte das áreas foi adquirida da família “Barra Seca” uma das mais tradicionais na região da Tabatinga. Uma entrevista publicada, na página 12, do Jornal MARANDUBA News, edição de  25 Fevereiro 2012, com o título “ Gente da Nossa História”, o senhor  Venceslau Manoel de Oliveira, relatou ao repórter Ezequiel dos Santos, que sua família foi pioneira no Rio da Prata e que, era casado com Aurora de Oliveira,filha de Pedro Barra Seca. Segundo Venceslau, Pedro era irmão de Leopoldo, João e Leodônio Barra Seca. Venceslau contou ao Ezequiel que conheceu a pessoa que adquiriu as terras pertencentes à família, que depois vendeu ao Condomínio Costa Verde, era o senhor Carlos Lacerda.

Na Tabatinga, surgiria em 1977, o Condomínio Costa Verde Tabatinga. Não se sabe se Lacerda apenas teria vendido a área para os italianos ou se teve participação no empreendimento, na ocasião, um dos mais luxuosos do Litoral Paulista. O condomínio ocupava uma área de 1.500.000 mil metros quadrados, sendo 560.000 m2 de área verde, que incluía no início, um campo de golfe e uma marina. A marina não chegou a ser viabilizada por questões ambientais.   O projeto executado por um grupo suíço/italiano tinha como objetivo implantar uma nova concepção europeia que garantia lazer, sofisticação e segurança, num dos trechos mais lindos do litoral paulista.

O lançamento do condomínio foi dos mais sofisticados e, na Europa. O lançamento aconteceu em Paris, no ano de 1978 (Lacerda já tinha falecido), no sofisticado e luxuoso Restaurante Maxim´s. A publicidade “contava” que algo semelhante só se via em filmes ou na Europa, em Marselha, Porto Fino ou Porto Redondo. E, que, não existia no Brasil algo parecido. Logo depois, viria o lançamento do Condomínio As Gaivotas, também, idealizado e projetado por empreendedores italianos, suíços e gregos, cravado no alto da colina da Tabatinga, com 168 apartamentos e um bondinho funicular, único até então no país, que transporta os condôminos de suas unidades até a areia da praia da Tabatinga. Nunca se soube se Lacerda teve participação nesses empreendimentos.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Via Orla

Gente Caiçara

A cidade cresceu e modernizou, mas o “Zé Natureza” permanece o mesmo.

 
Zé Natureza e seus mariscos.
A cidade vai crescendo, as pessoas vão chegando e a gente fica muito tempo sem rever antigas pessoas ou amigos. Os mais antigos moradores sempre contam que tá difícil encontrar de rever os amigos de antigamente. Alguns chegam a comentar que circulam pelo centro comercial e até nos shoppings e, que passa quase despercebido. A cidade mudou muito. Muita gente veio de fora atraída pela excelente infraestrutura que Caraguá oferece hoje. Assim fica difícil rever os mais antigos. Esta semana bateu uma saudade do “Zé Natureza”, perguntei para algumas pessoas e, a maioria, não soube dar informações sobre ele. No domingo, um amigo chegou a afirmar que o “Zé Natureza” não estaria bem de saúde. Fiquei preocupado, mas ontem, terça-feira, o Zé apareceu no Valentin Restaurante para me oferecer seus mariscos fresquinhos. Coisas da vida...

Para quem não é caiçara ou que está há pouco tempo na cidade vou falar do “Zé Natureza”, uma figura das mais folclóricas da cidade. José Carlos Pereira da Silva, o “Zé Natureza”, nasceu em Maringá, no Paraná. Filho de José Pereira da Silva e dona Nanci. A família passou por sete cidades antes de se estabelecer em Caraguá. Seu José, pai do “Zé Natureza”, chegou em Caraguá em 1976 para trabalhar na Construtec, empresa contratada pelo governo do Estado para fazer o acostamento da Rodovia dos Tamoios. Além do “Zé”, tiveram os filhos Garrincha, Paulinho Garrincha, Mara, Clotilde e Rose.
Zé, Garrincha e Paulinho foram excelentes jogadores de futebol, os dois últimos atuaram em equipes profissionais. Zé jogou em clubes amadores, entre eles, o XV, o Independente, o União e o Cruzeirinho. Era um bom centroavante. Zé tinha 14 anos quando chegou em Caraguá. Trabalhou na Padaria Capri, na Quitanda da Terezinha, entre outros estabelecimentos.
Naquela ocasião, praticamente não existiam traylers nas praias da cidade. Pois bem, o Zé, em parceria, com o Paulão da Pensão Beira Mar, compraram um vagão de trem antigo do Parque do Trombini e instalaram um dos primeiros traylers na praia da Martim de Sá. Outros dois traylers foram instalados no mesmo período, no início da década de 80: o do ex-vereador Pereira e outro pertencente ao Aluizio Arouca e Rubinho Barbosa.

O trayler do Zé e do Paulão foi um dos pioneiros e um dos mais frequentados da Martim de Sá. Aí surgiria o apelido “Zé Natureza”. O Zé saia cedinho para pegar marisco nas costeiras da praia. Isso, todos os dias e até hoje. Em 1986 vendeu o trayler para o Zequinha e passou a viver como pescador, vendendo o marisco que retirava das costeiras.

Lembro de uma estória bem interessante do Zé: uma amiga jornalista da Globo, a Vera, veio passar um fim de semana comigo em Caraguá. Fomos ao trayler do Zé e ela, a Vera, ficou encantada com o caiçara. Chegaram a namorar por um período e a Vera cismou de levar o Zé para morar na capital. Acostumado a viver só de calção e sem camisa, o Zé não se enquadrou na capital. Ficou nervoso por ter de usar calça comprida, camisa e sapatos e, muito mais irritado, com o trânsito e o corre corre da capital. Não deu outra. O Zé ficou menos de uma semana por lá e pegou o ônibus para Caraguá. O romance terminou aí. 


Hoje, aos 60 anos, casado e com duas filhas: Graziela e Nádia. Zé continua uma pessoa simples e humilde. Retira o marisco nas luas cheias e  novas, quando a maré fica mais rasa. O marisco, segundo ele, tá em falta. “ O aquecimento global aqueceu as águas do mar e isso prejudica o desenvolvimento dos marisco”, justifica. Zé Natureza, mora no Tinga, bairro popular de Caraguá, vive só de calção e sem camisa e usa uma bicicleta para se locomover pela cidade. Vende o quilo do marisco a R$, 8,00. Assim, vai mantendo a família. Segundo o Zé, Caraguá cresceu e se desenvolveu muito e isso prejudicou a natureza. “Não temos mais mangues na cidade”, lamentou.        

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Via Orla

Patrimônio

Está sendo finalizado o restauro do Sobradão do Porto de Ubatuba

Casarão do Porto

Muito legal o trabalho que a prefeitura de Ubatuba está fazendo na recuperação de um dos prédios, mais antigos e importantes de nossa região. Trata-se do restauro do Sobradão do Porto de Ubatuba, único casarão da cidade que restou dos tempos do ciclo do café, que foi uma das fases mais importantes da economia ubatubense. O casarão foi construído em 1846 e declarado patrimônio em 1959 pela Secretaria do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Arquitetônico Nacional – SPHAAN.

O trabalho de restauro do casarão está sendo finalizado. O trabalho é acompanhado por uma comissão formada pelo IPHAN, a Fundart e a Secretaria de Obras da Prefeitura de Ubatuba. A última vistoria do IPHAN foi feita no dia 3 de fevereiro. Todas as etapas são registradas, com boletins de medição e relatórios da fiscalização do IPHAN, bem como catalogação do material para que a memória dessa intervenção fique para a geração futura.

As obras estão sendo feitas pela equipe do Estúdio Sarasá, que trabalha há mais de 30 anos com restauro e inclui em seu curriculum projetos como o do restauro do Teatro Municipal de São Paulo, da Catedral de Brasilia e o Museu de Arte Sacra de São Paulo, bem como todos os fortes e fortalezas do litoral paulista como o forte de Bertioga.

Segundo ele, foi substituído parte do madeiramento do telhado-todas as peças foram limpas de maneira manual para retirada de líquens e de vegetação e lavamos cada telha uma a uma. Os 380 metros quadrados da cobertura do Sobradão correspondem a cerca de 6.000 telhas. “O trabalho no telhado envolveu ainda a hidratação de todo o madeiramento com óleo de linhaça, a descupinização e a substituição de partes apodrecidas, assim como a colocação de manta de subcobertura para aumentar a proteção. “
O mesmo tratamento será feito na madeira dos caixilhos externos – isto é, batentes, portas e janelas. Toda marcenaria que estiver comprometida vai ser substituída com o mesmo desenho do original. Além da conservação preventiva com hidratação e aplicação de cupinicida, esses itens receberão um fundo preparador e pintura com tintura à óleo”.

Técnica milenar na recuperação da fachada

Com a conclusão da cobertura, começa já nesta semana a recuperação da fachada principal, que envolve a limpeza e erradicação da vegetação e, em seguida, o resgate dos adornos e elementos escultóricos e a pintura. Esse trabalho na fachada é feito com o uso de argamassa de restauração, à base de cal, uma técnica tradicional utilizada há mais de 500 anos na região e no Brasil. “Essa argamassa é compatível com a tipologia construtiva do casarão, que é de tijolos e taipa de mão. Ela deixa que a casa transpire, retém menos umidade interna na parede e retarda a proliferação do mofo”, explica Toninho Sarará, que coordena o restauro do casarão.

Ele acrescenta que, diferente das tintas modernas impermeáveis, como a acrílica, que deixam as pinturas com um aspecto plástico, a textura da pintura feita com a cal e colorida com óxido de ferro (o pó xadrez) fica aveludada, similar à pele. Ela é mais resistente e também antibactericida. “O processo químico chamado de extinção da cal faz com que ela se transforme em carbonato de cálcio e volte a ser pedra”.

Toninho lembra que em todo o litoral brasileiro, nos fortes e nas construções mais antigas, as conchas do mar eram utilizadas como substituto ao mármore, fonte do carbonato de cálcio, cujas jazidas eram de difícil acesso. “E é por isso que aqui na região e em outras cidades do litoral, como Paraty e São Vicente, encontramos muitas conchinhas nas argamassas: elas eram o material ligante”. A técnica é milenar. Ela já apareceu há mais de 10 mil anos na Palestina, em Jericó, era muito comum também no Egito e hoje é utilizada pela Unesco na reconstituição do patrimônio histórico no mundo inteiro. Fonte: Prefeitura de Ubatuba.


Via Orla

Praias

Ministério Público quer prefeituras cobrando taxa de publicidade por uso de guarda-sóis fornecido por empresas aos quiosques de praias.

Em reportagem publicada, hoje, terça-feira, no Jornal A Tribuna, de Santos, sobre o comercio irregular nas areias das praias de Santos e Guarujá- onde os comerciantes instalam cadeiras e mesas na praia e chegam a cobrar pelo uso dos equipamentos, tipo taxa de consumação, o promotor de Justiça do Meio Ambiente de Santos, Daury de Paula Júnior, levantou um assunto dos mais interessantes.
Segundo ele, as prefeituras deveriam cobrar taxa de publicidade dos quiosques pelo uso de cadeiras e guarda-sóis com logomarcas de cerveja ou qualquer outro tipo de comércio. Daury afirma, que não é permitida propaganda em guarda-sóis, embora a maioria dos ambulantes tenha patrocinadores que estampam suas marcas. “Isso caracteriza publicidade e devem ser cobradas (as taxas previstas em lei) as empresas que estão fazendo a propaganda”.
As prefeituras do Litoral Norte deveriam acatar a sugestão do promotor Daury e iniciar a cobrança da taxa de publicidade existente nos guarda-sóis e cadeiras. E, fazendo isso, destinar as verbas obtidas (referente a cobrança da publicidade) na promoção de eventos ao longo do ano ou na limpeza das praias. Bastante oportuna a colocação feita pelo promotor Daury.
Nas praias de nossa região a maioria dos quiosques ocupam a parte mais nobre das areias das praias para instalarem suas mesas, cadeiras e guarda-sóis. Em algumas praias, os equipamentos, chegam a ocupar a maior parte da orla.  Não tivemos notícias este ano por aqui, de quiosques cobrando “consumação” pelo uso de mesas, cadeiras e guarda-sóis.
Lá. nas bandas de Santos e Guarujá,  o Ministério Público Estadual (MPE) tem dois inquéritos em curso para investigar a possível ocupação inadequada nas areias das praias de Santos. Um é sobre as barracas das instituições e o outro é justamente sobre o comércio ambulante.
Segundo disse o promotor, ao jornal A Tribuna, a investigação era sobre comércio irregular na areia, por questões ambientais. Mas chegaram reclamações de que alguns ambulantes estariam ocupando áreas no entorno. Segundo ele, é preciso respeitar limites, não pode haver reserva de espaço e nem privatização para uso comercial.
O MPE não pretende, por enquanto, ingressar com ação judicial. O MPE entende  que a questão pode ser resolvida de forma administrativa, pela Prefeitura, que é responsável por regulamentar a atividade. Uma opção seria definir um número máximo de cadeiras e guarda-sóis.
“A praia é um bem de uso comum do povo, qualquer um pode colocar cadeira e guarda-sol. Irregular é isso estar associado a uma prática comercial, um espaço para atender clientes. Se (o ambulante) permitir que a pessoa sente e traga o isopor dela, não tem problema nenhum. Não se pode privatizar o uso, seja por 10 minutos, uma hora ou o dia todo”. 

Em algumas cidades da baixada santistas, é permitida a colocação, pelos comerciantes, de 20 cadeiras, 10 guardas-sóis e 10 banquetas na faixa de areia, para usufruto dos frequentadores. Em Praia Grande, por exemplo, funciona assim. No Guarujá e Santos, as prefeituras também procuram reduzir o número de mesas, cadeiras e guarda-sóis nas areias das praias. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Via Orla

Lembranças

 Uma noitada animada com um dos Rolling Stones.

Ron Wood e Josephine. 

Os Rolling Stones se apresentam mais uma vez no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre. Sou fã da banda, mas não pude ir a nenhum de seus shows que aconteceram anteriormente e, acontecem, este mês por aqui. Os Stones são simplesmente históricos e, sensacionais. Um show e tanto. Tenho disco em vinil, cds e dvds do grupo. Tive, no entanto, uma oportunidade única, que poucos fãs tiveram: jantar e tomar umas e outras com um dos integrantes do grupo: o guitarrista Ron Wood. Foi uma noitada e tanto, regada a caipirinhas, cervejas e pratos elaborados pelo meu amigo Júnior Joly, de Ilhabela.

Junior era e, ainda é, o proprietário do Hotel Maison Joly, um dos melhores de Ilhabela. A noitada aconteceu há cerca de 20 anos atrás, no dia 28 de fevereiro de 1996. Trabalhava na Folha de São Paulo, fazia matérias para a Folha Vale e Agência Folha. Fazia a tradicional ronda da manhã, quando meu telefone tocou, por volta das 9 horas. Era o Joly. Lembro até hoje, o teor do telefonema: "Salim, estou reunindo alguns amigos para recepcionar o guitarrista Ron Wood, do Rolling Stones. Não divulgue prá ninguém, porque será um encontro para poucos", disse Joly. De início, não acreditei muito, achei que se tratava de uma brincadeira do Joly. Ele insistiu: “É verdade, se mande para cá por volta das 20 horas e não comente nada com ninguém, pois se o pessoal souber, o cara não terá paz”. Lembrei que tinha visto anteriormente, em seu estúdio no hotel, fotos do Joly com os Rolling Stones, feitas possivelmente em Londres. Passei a acreditar no assunto. E, aproveitei, para perguntar ao Joly, se o Wood daria uma entrevista para a Folha. “Acho que tudo bem..”, respondeu o Joly.
Junior Joly 

Para evitar surpresas, não comentei o assunto apenas com o editor da Folha Vale, na época,  o Hélcio Costa, mesmo assim, pedi à ele que levasse o assunto ao a pessoal da redação da capital, para saber se havia interesse da matéria. Minha preocupação era a seguinte, imagina se o cara não aparece na ilha?

De qualquer maneira, a oportunidade era única...Imagine, curtir uma noitada com um rolling stone no hotel mais badalado do Litoral Norte e ainda por cima, fazer fotos e uma entrevista para a Folha. Qual jornalista não gostaria de estar numa dessas...Prá falar a verdade, não consegui mais trabalhar...Só pensava no encontro com o guitarrista logo mais à noite. A notícia vazou na Folha Vale e não parei de receber ligações dos colegas. Todos querendo um autógrafo do Wood. O guitarrista havia passado o carnaval no RJ, de onde acompanhou o desfiles das escolas, no camarote da Brahma, ao lado da mulher Josephine. Viria para Ilha Bela para conhecer a ilha e descansar antes de ir para São Paulo.

Para evitar problemas, já que meu inglês mal dava para o gasto, decidi procurar algum amigo que falasse e entendesse inglês fluentemente. Aí ocorreu uma estória das mais interessantes, que por sinal já contei aqui no blog. Procurei o amigo Gera (Geraldo Pinto) ,  que  tinha sido comissário de bordo e manjava muito bem o inglês. Fui falar com ele e, ele simplesmente desconversou. Não falei que iria jantar e entrevistar um stone, disse apenas que precisa fazer uma matéria na ilha e necessitava de alguém que falasse e entendesse bem, o inglês.  “Salim, não dá tenho muitos compromissos”, respondeu o Gera.

Achei que era melhor abrir o jogo com ele. “Gera vou te levar para jantar e beber com um dos stones, mas mantenha isso em segredo, por favor”, disse. E, ele respondeu: “você tá de brincadeira, um stone em Ilhabela? Não li isso em nenhum lugar e muito menos, vi isso na teve”. O Gera realmente não acreditava.   "Vai contar lorota prá outro, Salim?”, insistiu.  Perguntei então, quanto ele cobraria para ir até lá comigo. Ele finalmente decidiu ir até lá, mesmo assim, não acreditando na possibilidade de encontrar com um dos Rolling Stones...
Mason Joly, classe A.

O Maison Joly, sem dúvidas nenhuma, sempre foi um dos hotéis mais charmosos do País. Instalado no alto do morro do Cantagalo, a 80 metros do nível do mar e a 300 metros da vila, o Maison Joly  tem apenas dez apartamentos, todos eles, oferecendo uma das vistas mais lindas da ilha. O hotel é maravilhoso e, por isso mesmo, sempre hospedou celebridades do mundo todo, como a rainha Silvia, da Suécia, artistas e empresários internacionais e brasileiros.

Joly, o proprietário, cativa a todos com sua hospitalidade e simpatia...Chegamos, eu e o Gera, no hotel, subimos os mais de 40 degraus da escadaria e o Joly nos aguardava na porta. Entramos e, de cara, encontramos o Ron Wood e o Bob Keys(saxofonista que integra a banda nas apresentações da banda). Os dois estavam sentados no bar do hotel. Suas mulheres, Josephine Wood e Mirian Stemberg (brasileira, mulher de Keys), apareceram depois.

Joly nos colocou numa mesa e iniciamos um bate papo, enquanto Wood abria a rodada de caipirinhas...Gera, contratado para ser meu intérprete e tradutor, estava imóvel como uma estátua...Parecia não acreditar no que presenciava...Graças ao Joly e a Mirian, consegui entrevistar Wood, que foi super gentil e atencioso. Tomamos caipirinha e cerveja, falamos sobre o Brasil, a beleza de nossas praias e matas, conversamos sobre o carnaval, que havia se encerrado, entre outros assuntos. Wood contou que varou a madrugada no camarote da Brahma e que deixou o sambódromo com o sol nascendo. Comentou que ficou impressionado com a quantidade de pessoas envolvidas nos desfiles e com a riqueza das fantasias e carros alegóricos. "Um carnaval simplesmente sensacional", comentou Wood. 

Wood e Keys, bem como, suas mulheres foram muito legais.  Participaram do jantar cerca de dez pessoas. Wood fez questão de me dedicar um desenho, que guardo até hoje comigo, inclusive, autografado. Solicitei a ele alguns autógrafos para os colegas jornalistas. Wood autografou um por um, citando os nomes de cada um deles. Foi uma noitada muito legal...

No dia seguinte, voltei ao hotel, para me despedir dele e agradecer ao Joly pela oportunidade. Wood iria embarcar em um helicóptero para a capital paulilsta.  Ele iria realizar uma exposição de quadros e desenhos em São Paulo, na Galeria Nara Roelesm, cujas obras seriam vendidas a U$S 1.000...Não digo que ficamos amigos, porque nunca mais estive com ele...Mas, o fato de ter passado uma noitada com um dos stones foi simplesmente inesquecível...Graças ao amigo Junior Joly... Quem quiser ver a reportagem feita naquela ocasião é só pesquisar: http://acervo.folha.uol.com.br/fsp/1996/02/29/267/   

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Via Orla

Memória Caiçara


Mário Ricardo Pinto: o Iaiá, o Rei do Churrasquinho.

 
Iaiá, personagem caraguatatubense
Os caiçaras adoram relembrar o passado de nossa cidade. Por isso, o blog volta a reproduzir matérias que relembram personagens antigos de nossa cidade. Vamos relembrar  antigos comerciantes, que tanto se dedicaram com suas famílias para que nossa cidade chegasse ao estágio em que se encontra atualmente; teremos também políticos, que no passado, sem receber salários e sem orçamento, administraram a cidade com muita dificuldades; também vamos recordar dos esportistas, verdadeiros craques; e, relembraremos figuras populares, que até hoje, são lembrados pelos nossos antigos moradores. Hoje, vamos falar sobre a vida de Iaiá (Mário Ricardo Pinto), uma das pessoas mais tradicionais e folclóricas  de Caraguá, nas décadas de 60 e 70.

Iaiá era uma pessoa diferenciada, de família tradicional. Nascido em Paraibuna, Iaiá tinha cinco irmãos: Benedita Pinto Ferreira- a mais conhecida, era comerciante e muito respeitada na cidade, chegando a ser vice-prefeita;  Deroce, Benedito, Antônia,  Doralice e Eugênia. Iaiá trabalhou na Fazenda dos Ingleses, nas décadas de 50 e 60. Com o fim das atividades da fazenda, IaIá começou a trabalhar em barzinhos.

 Era de autoria dele o churrasquinho (no pão francês) e o frango a passarinho mais cobiçados, deliciosos e famosos da cidade. À noite e na madrugada, muita gente da cidade freqüentava o barzinho de Iaiá para matar a fome e saborear seus quitutes.

Naquela época, existiam poucas opções para se comer um lanche tarde da noite. Os temperos de Iaiá, no entanto, eram insuperáveis. Com o passar dos anos, veranistas e turistas passaram a freqüentar seu estabelecimento, ou seja, o churrasquinho e o frango preparados por ele acabaram se tornando atração turística.

O barzinho reunia de tudo, pescadores, professores, comerciantes, médicos e até juiz de direito. Tudo era muito simples, nem sempre havia mesas e cadeiras. Iaiá fazia tudo sozinho e procurava sempre brincar com as pessoas.  Era um tremendo gozador.

Circulava pela cidade de bicicleta. Nela, mantinha uma cesta no bagageiro, onde levava suas coisas. Ninguém nunca soube informar onde ele aprendeu a cozinhar. O tempero era insuperável, mas ele mantinha segredo. Iaiá inventava muito, às vezes, colocava cerveja na carne, em outras, cachaça. Ninguém resistia. Ficava tudo muito saboroso.

O pano utilizado para a limpeza das mãos era o mesmo que limpava o balcão, mas nenhuma diferença fazia. O pano sobre os ombros, as unhas nem sempre limpas, assustavam um pouco, principalmente, veranistas e turistas, mas para a gente o que importava mesmo era o sabor dos pratos produzidos por ele.

 Iaiá adorava também tomar umas e outras, às vezes, muitas. Lembro que ele colocava vários copos (desses tradicionais dos botecos, tipo americano) sobre o balcão e cada um deles contendo uma dose de bebida e em seguida tomava num só gole cada um deles. Após tomar todos eles, numa seqüência só, ele fazia caretas, mas se  mantinha em pé, embora mais vermelho do nunca. Jamais vi o Iaiá bêbado. Apesar dos goles a mais, nada disso, atrapalhava ou prejudicava sua qualidade culinária. Chegou a mudar de locais, mas a clientela seguia junto.

Conheci o Iaiá quando ele trabalhava no Bar e Bilhar do João Baiano, que ficava nas esquinas das ruas Altino Arantes e Santa Cruz, na região central da cidade. Ponto de encontro dos jogadores de sinuca, comerciantes e aposentados. O bar do João Baiano- um sãopaulino doente- era também uma das poucas opções noturnas de Caraguá. Foi ali que ouvi uma das estórias mais engraçadas envolvendo o Iaiá. Contam que durante a madrugada, nos momentos de pouco movimento, Iaiá sempre tirava um cochilo, sentado num caixote de madeira, encostado no balcão.

 Uma noite, o pessoal que jogava bilhar resolveu aprontar com ele: desligaram todas as luzes do bar e fingiram que jogavam sinuca, cantando as bolas e as respectivas caçapas onde elas deveriam ser colocadas, em voz alta: “Bola sete na caçapa do meio. Bola dois na caçapa do fundo”, tudo em voz alta. Iaiá acordou com o barulho e como não conseguia enxergar nada, começou a gritar que estava cego. Ele ficou muito assustado e o pessoal resolveu interromper a brincadeira, acendendo novamente as luzes do bar.

Iaiá morreu em 1979, aos 69 anos. Os moradores da cidade até hoje guardam com carinho sua lembrança. Sempre foi solteiro. Iaiá era muito engraçado. Seu sobrinho Bira Ferreira lembra de várias passagens engraçadas envolvendo o tio. “Iaiá dizia que, em Caraguá o que é, não é.”..   

Segundo argumentava o Iaiá: o bairro chamado Rio do Ouro, nuca teve ouro e era na verdade o mais pobre da cidade. O bairro chamado Porto Novo, tinha um porto muito antigo. O Rio Claro tinha águas escuras. O Rio Escuro tinha águas claras. O bairro da Ponte Seca, na época, não tinha nenhuma ponte e vivia alagado no período de chuvas. O  Morro do Chocolate, nunca teve chocolate. O Morro do Algodão, nunca teve algodão. O Barranco Alto, nunca teve “barranco alto”.

Relembra Bira Ferreira, que um dia o delegado Sartorello (delegado que também deixou ótimas lembranças na cidade, uma vez quis proibir o uso do biquíni...) chamou-lhe a atenção.

 O delegado encontrou o Iaiá e deu-lhe uma catracada: “ Se eu pegar o senhor dirigindo sem habilitação pela cidade vou prende-lo”. Iaiá respondeu: “O senhor está confundindo tudo. A única coisa que tenho na vida é minha bicicleta. O senhor tem que prender é meu irmão (o Deroce), que é mais feio que eu.”. Deroce, seu irmão, dirigia um fusquinha verde pelas ruas da cidade, sem ter habilitação. Esse Iaiá...    


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Via Orla

Economia


Com navio-plataforma que homenageia Caraguá, Petrobras instala novo sistema de produção no pré-sal.

Empresa inicia operação da 2ª rota de escoamento e tratamento de gás

navio-plataforma da Petrobras. 

A Petrobras deu início em fevereiro à operação na área de Lula Alto, no campo de Lula, do sétimo grande sistema definitivo de produção do pré-sal da Bacia de Santos. A produção está sendo processada pelo navio-plataforma (FPSO) Cidade de Maricá, cuja capacidade é de produzir, diariamente, até 150 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás. A unidade vai produzir, armazenar e transferir petróleo ancorada a uma profundidade de 2.120 metros e a cerca de 270 quilômetros da costa.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, e os diretores da companhia visitaram a Unidade Operacional da Bacia de Santos, na última terça-feira, e deram as informações. Com mais este sistema de produção, a camada pré-sal contida nas Bacias de Santos e de Campos já responde por 35% da produção brasileira de petróleo. Entre as empresas com atividades no pré-sal brasileiro, apenas aquelas integrantes de consórcios liderados pela Petrobras têm participação nesta produção.

Camada pré-sal já responde por 35% da produção brasileira de petróleo 

A consolidação da Bacia de Santos, que responde por 70% da produção da camada pré-sal, vem se dando há pouco mais de cinco anos, com uma média de lançamento de uma grande plataforma a cada nove meses. A performance da produção tem se mostrado dentre as melhores em termos mundiais, sendo que os quatro primeiros sistemas de produção, instalados entre 2010 e 2014, permanecem produzindo praticamente a plena capacidade (475 mil barris diários de petróleo, com apenas 19 poços produtores) e as três mais recentes, que estão em fase de crescimento da produção, também apresentam o mesmo alto desempenho com relação aos poços já em operação (205 mil barris diários de petróleo com apenas sete poços produtores).

O primeiro desses grandes sistemas a entrar em produção foi o Piloto de Lula em outubro de 2010 (FPSO Cidade de Angra dos Reis). Na sequência foram implantados o Piloto de Sapinhoá em janeiro de 2013 (FPSO Cidade de São Paulo), o Piloto de Lula Nordeste em junho de 2013 (FPSO Cidade de Paraty), o Lula/Iracema Sul em outubro de 2014 (FPSO Cidade de Mangaratiba), o Sapinhoá Norte em novembro de 2014 (FPSO Cidade de Ilhabela), o Lula/Iracema Norte em julho de 2015 (FPSO Cidade de Itaguaí) e o Lula Alto em fevereiro de 2016 (FPSO Cidade de Maricá).

 Ainda em 2016, entrarão em operação mais dois grandes sistemas definitivos de produção, o projeto Lula Central (FPSO Cidade de Saquarema) e o projeto Lapa (FPSO Cidade de Caraguatatuba)— informa a companhia. Essa significativa evolução na concepção e construção de poços, sistemas submarinos e plataformas tem sido acompanhada de um grande esforço na implantação de uma complexa infraestrutura de escoamento e processamento de gás— destaca o comunicado.

Desta forma, dando continuidade à expansão da capacidade produtiva da Bacia de Santos, no dia 12 de fevereiro (sexta-feira), a Petrobras iniciou a operação da segunda rota de escoamento de gás natural produzido no pré-sal desta bacia, através de um gasoduto denominado Rota 2. Com 401 quilômetros de extensão, o Rota 2 é o gasoduto submarino de maior extensão em operação no Brasil e possui capacidade para escoar diariamente 13 milhões de metros cúbicos de gás, interligando os sistemas de produção do pré-sal da Bacia de Santos com o Terminal de Tratamento de Gás de Cabiúnas, em Macaé, no Rio de Janeiro, o qual teve sua capacidade de processamento ampliada para 28,4 milhões de metros cúbicos por dia, de forma a receber o gás proveniente do pré-sal da Bacia de Santos e, também, da Bacia de Campos.

O gasoduto Rota 2 se interligará ao gasoduto Rota 1, em operação desde 2011, e com capacidade de escoamento de outros 10 milhões de metros cúbicos diários. Com 359 quilômetros de extensão e trechos de 18 e 34 polegadas de diâmetro, o Rota 1 é composto por dois trechos: o trecho Lula-Plataforma de Mexilhão e o trecho que liga a Plataforma de Mexilhão até a Unidade de Tratamento de Gás (UTGCA) Monteiro Lobato, instalada em Caraguatatuba, São Paulo, a qual teve a sua capacidade de processamento adequada, em 2014, para receber diariamente até 10 milhões de metros cúbicos de gás produzido no pré-sal da Bacia de Santos.

 Com este novo gasoduto, a capacidade total instalada de escoamento de gás natural do pré-sal da Bacia de Santos alcança o patamar de 23 milhões de metros cúbicos diários, o que assegurará o crescimento da produção de petróleo e a ampliação do suprimento de gás nacional ao mercado brasileiro, contribuindo de forma decisiva para consolidação da estratégia da Petrobras de aumentar a participação do gás natural nos seus negócios— destaca a Petrobras.

As áreas de Lula Alto e de Lula Central, além dos gasodutos Lula Nordeste-Cernambi e Lula/Plataforma de Mexilhão, são de propriedade do Consórcio BM-S-11, operados pela Petrobras (65%), em parceria com a BG E&P Brasil Ltda — companhia subsidiária da Royal Dutch Shell plc (25%) e Petrogal Brasil S.A. (10%).

Os campos de Sapinhoá e de Lapa estão localizados na concessão BM-S-9, operada pela Petrobras (45%), em parceria com a BG E&P Brasil Ltda — companhia subsidiária da Royal Dutch Shell plc (30%) e RepsolSinopec Brasil S.A (25%). O gasoduto Cernambi-Tecab é propriedade do Consórcio Cabiúnas 1, operado pela Petrobras (55%), em parceria com a BG E&P Brasil Ltda — companhia subsidiária da Royal Dutch Shell plc (25%), RepsolSinopec Brasil S.A (10%) e Petrogal Brasil S.A. (10%). Fonte: www.revistafatorbrasil.com.br 

Cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Vale e Litoral Norte, segundo IBGE

  A cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Litoral Norte Paulista e Vale do Paraíba entre 2010 e 2022, se...