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| Câmara de Ubatuba, no apagar da luzes quer aprovar projeto de "verticalização" |
A
postura dos vereadores em algumas cidades da região vem deixando a desejar e o
pior, mostrando que, boa parte deles está despreparada para o cargo que ocupa,
apesar de eleitos pela população e pagos por ela. Encerradas as eleições municipais, alguns vereadores vem agindo de maneira nada exemplar para com os seus eleitores e a coletividade.
Em Caraguatatuba, Ubatuba e São sebastião, alguns vereadores, ao invés de defenderem o interesse da coletividade e serem um "fiscal do povo", defendem os interesses de um grupo político derrotado nas últimas eleições ou de grupos privados interessados em mudar leis para faturar em cima. A eleição acabou gente!!! E, mudar leis ao "apagar das luzes", significa uma baita irresponsabilidade. O povo não merece isso. A região não pode conviver com isso. Não dá mais.
Fica a expectativa de que os vereadores que assumirem em 2021 possam mostrar outra atitude. É preciso melhorar a relação entre a Câmara e a coletividade. O vereador é fundamental para o crescimento ordenado de uma região que vive e depende do turismo. Eleito, ele deve defender os interesses de toda uma comunidade e, não apenas, prioritariamente o prefeito ou grupos políticos ou econômicos. Não falo isso para defender nenhum prefeito, comento apenas por entender que o vereador precisa ser mais independente e mais presente junto a sua comunidade. Pode e deve se posicionar a favor das propostas do prefeito caso elas forem de interesse da coletividade e contra, se o projeto prevê benefícios para grupos ou terceiros.
Seria bacana, também, se os legislativos da região, promovessem no final de cada ano um balanço da atuação de cada vereador eleito. Cada vereador teria que divulgar os projetos apresentados, requerimentos e indicações. Seria uma bela maneira deles prestarem contas aos seus eleitores e a população. Nenhuma Câmara da região faz isso, mas deveria fazer. Por outro lado, a população precisa acompanhar mais de perto a atuação dos vereadores. O Ministério Público também.
Falta de quorum
Em
Caraguatatuba, por exemplo, vereadores de oposição, liderados pelo ex-prefeito refeito
Antonio Carlos(cujo filho Mateus foi derrotado nas urnas), indignados pela
perda das eleições deixaram de comparecer em duas sessões consideradas
importantes para o legislativo e executivo.
Na
primeira, online e por videoconferência, o prefeito Aguiar Junior, reeleito,
prestaria contas aos vereadores e aos "MUNÍCIPES” sobre seu último ano de governo. A segunda
sessão, também, sem quórum, ocorreu na
sexta-feira, dia 18) na qual seria discutido o orçamento de 2021, de interesse do
legislativo, do executivo e dos "MUNÍCIPES".
Foram
duas sessões, uma ordinária e outra extraordinária. Estiveram presentes nas duas
sessões apenas sete vereadores, todos eles, aliados ao prefeito reeleito: Carlinhos
da Farmácia, presidente; Aguinaldo Butiá; Aurimar Mansano; De Paula; China; Tato
Aguilar e Vilma Teixeira.
De
acordo com o artigo 92 do regimento interno, as sessões da Câmara só podem ser
abertas com a presença de, no mínimo, a maioria absoluta dos membros da Câmara.
O projeto de sexta, sobre o orçamento, tinha passado por duas audiências
públicas através de videoconferência, que contou com a participação da
população, que encaminhou perguntas e sugestões.
Sessão
ordinária e extraordinária é dever do vereador estar presente, afinal, foi
eleito e é pago pelo povo. Independente da briga política, é obrigação do
vereador estar presente em todas as sessões, que por sinal são realizadas
apenas uma vez por semana. E o salário deles é bem acima da média recebida pela
maioria da população.
Não
justifica as ausências por rixa política, se fosse por isso, não participariam de
nenhuma sessão. Desde o início da legislatura já estava evidente a existência
de dois grupos: um a favor e outro contra o prefeito da cidade, sempre foi
assim. Mas, até então, jamais os vereadores de oposição deixaram de cumprir
suas obrigações, comparecendo as sessões marcadas pela mesa diretora, mesmo
quando não reeleitos para a próxima legislatura.
O
vereador que se ausentou tem que entender que ele não foi convidado para ir a
uma festa ou a uma solenidade com o prefeito e sim para uma “Sessão de Câmara”,
sua principal obrigação ao ser eleito pela população e ser remunerado para tal
função. Por isso, a ausência, mesmo por rixa política, não se justifica. É preciso
mudar tal postura.
Sessão secreta
Em
Ubatuba, a postura de alguns vereadores também tem deixado a desejar. Vejam, o
vereador-pastor Claudnei Xavier, ex-presidente e um dos mais experientes,
apesar de não ser reeleito, entrou no “apagar das luzes”, com um projeto, que
se aprovado pode liberar a verticalização no município.
Em
Ubatuba, a sacanagem para com os munícipes é tão grande que marcam e remarcam
os dias e horários para a votação, justamente, para evitar a presença da
população na câmara. Divulgam que a sessão será às 9 horas, depois mudam para às
13, depois para às 14, em seguida, transferem para o dia seguinte.
Pior,
por causa da pandemia, limitaram o acesso para apenas 20 pessoas, a maioria,
assessores dos vereadores. A população decidiu protestar em frente ao
legislativo e através das redes sociais. A Câmara de Ubatuba tem histórico de
aprovar projetos polêmicos em horários e dias que a população não pode
comparecer. Puta sacanagem.
O
projeto em pauta, que permite a verticalização, segundo consta, é patrocinado
por construtoras interessadas em investir na cidade. A proposta deveria ser
discutido em audiência pública, com a participação da sociedade civil
organizada e não apenas pelos vereadores.
A
justificativa é simples, como alegam ambientalistas e segmentos da sociedade
civil: o município não tem infraestrutura necessária para aumentar de quatro
para nove pavimentos a altura dos prédios e a construção deles em algumas
praias e bairros. A proposta agrada apenas os interesses dos construtores. Um morador entrou na justiça e conseguiu uma liminar barrando a votação.
Projeto suspenso
Surpreendentemente,
em São Sebastião, a partir de toda polêmica causada pela discussão e votação do
Plano Diretor, um vereador, o Neto, após pedir vistas ao projeto, conseguiu um
mandado de segurança na justiça suspendendo a votação do projeto.
Neto
entende que o projeto pode abrir brechas para a verticalização e o pior- a
proposta teria sofrido alterações, sem passar pela aprovação em audiências
públicas. O MP negou a liminar, alegando que trata-se de um assunto de responsabilidade
do legislativo. Foi a justificava dada pelo promotor Alfredo Portes.
O
juiz da cidade, Dr. Gilberto Aleby Soubihe Filho, entendeu que não. O projeto somente
poderá voltar a ser discutido após estudos técnicos aprofundados e colocados em
discussão nas audiências públicas. Ou seja, a população tem que ser consultada
se concorda ou não com alterações propostas na lei do uso do solo e no plano
diretor. O vereador Neto não foi reeleito.