Curiosidades de Caraguá
A Ilha cobiçada pelo Rei Roberto Carlos
A Ilha cobiçada pelo Rei Roberto Carlos
Escrevi essa história já há algum tempo. Agora, recentemente, um dos herdeiros da família Varam Keutenejian, Marcos Varam Keutenejian me enviou uma mensagem onde faz algumas correções: ele explica que foi seu pai e não seu avô que construiu a casa no ilhote da Cocanha; e, alega que a estória de que seu pai escondeu armas na ilha foi uma lenda de mau gosto criada pelos caiçaras da região. Veja a mensagem enviada pelo empresário e relembre a história:
MEU NOME E MARCOS VARAM KEUTENEDJIAN, SOU NETO DE VARAM KEUTENEDJIAN E , ME SINTO NA OBRIGACAO DE FAZER PEQUENAS CORREÇÕES. MEU AVO VARAM JAMAIS ESTEVE NA ILHA, QUEM COMPROU E FEZ A CASA ESTRADA E TUDO MAIS QUE ESTA DESCRITO DE FORMA CORRETA FOI MEU PAI M MARCOS KEUTENEDJIAN, FALECIDO ESTE ANO EM FEVEREIRO, EU FREQUENTEI DURANTE MUITOS ANOS ,JUNTAMENTE COM AMIGOS A ILHA , ATE QUE ME DESINTERECEI EM 1990, DEVIDO AS BUROCRACIAS DO ENTAO CONDEPHAT, PARA A EXECUÇÃO DE REFORMAS , ENTAO NECESSARIAS.É UMA PENA POIS TIVE MOMENTOS MARAVILHOSOS LÁ.QUANTO A HISTÓRIA DAS ARMAS LHE DIGO QUE TUDO NÃO PASSA DE UMA LENDA DE MAU GOSTO.
ATT.
MARCOS VARAM KEUTENEDJIAN
Quem visita ou frequenta as praias Cocanha, Mococa e Massaguaçu, na região Norte de Caraguá, pode observar a sua frente duas ilhas: o Ilhote da Cocanha e a Ilha do Tamanduá. O Ilhote da Cocanha, que fica bem muito próxima da praia que leva o mesmo nome, já foi considerado uma das ilhas mais badaladas da sociedade paulista nos anos de 40, 50 e 60 e, chegou a ser cobiçada pelo cantor Roberto Carlos, que mostrou interesse em adquiri-la na década de 70. A ilha, na década de 50, pertencia à família armênia Keutenedjian, uma das mais importantes da capital, proprietária da Varam Motores, uma das empresas pioneiras na indústria automobilística brasileira(leia texto abaixo), do Hotel Danúbio e da Tecelagem Varam(hoje, têxtil Vicunha). Milionário, seu Marcos Varam Keutenedjian transformou o Ilhote da Cocanha em seu paraíso a beira mar. Na época, Santos era o local preferido dos paulistanos e o Guarujá começava a surgir como uma opção de veraneio a beira mar. Para diferenciar, a ilha ganhou um casarão em seu topo, que oferecia uma vista das mais belas das praias da Cocanha, Massaguaçu, Mococa e Tabatinga; iluminação, garantida por um gerador potente, que iluminava os jardins, a casa e o acesso entre o píer e a mansão. A estradinha tinha calçamento, coisa rara nas cidades e estradas da região. Um jipe importado fazia o transporte das pessoas entre o píer e a residência no alto da ilha. Uma fonte abastecia de água o casarão. O proprietário seu Marcos, adorava pescarias. Nos fins de semana, reunia a nata da sociedade paulistana no Ilhote da Cocanha. Às vezes, quando ia pescar no Amazonas ou Mato Grosso, levava consigo o caiçara Epifânio de Oliveira Carlota, mais conhecido como João Ité, que coordenou a construção da casa do ilhote da Cocanha e era uma espécie de caseiro do proprietário. Ouvi, do seu João, muitas estórias sobre a mansão do ilhote da Cocanha. Gostava de sentar na varanda da casa dele, que depois se transformou na varanda do Restaurante Caiçara, lá no Massaguaçu, e ouvir suas estórias. Na época do golpe militar em 1964, o exército vasculhou a ilha em busca de armamento, mas nada foi encontrado. O proprietário da ilha adorava caçar e colecionava armas. Consta que a partir do final dos anos 50, seu Marcos, o proprietário, decidiu dedicar-se apenas as caçadas na África do Sul, abandonando de vez o Ilhote da Cocanha. Com a morte de Varam na década de 60, a família praticamente abandonou a ilha. Marcos, o filho, faleceu em fevereiro deste ano. Seu filho Marcos, neto de Varam, conta agora, que tentou regularizar a ilha, mas teria enfrentando muitos dificuldades junto ao Condephat para regularizar as reformas na casa. Ele conta que desistiu de investir na ilha em 1990. Marcos, o neto, confirma que o cantor Roberto Carlos chegou a se interessar pela ilha em 1969. Seu João Ité foi comunicado pelos proprietários de que o cantor iria visitar o local. Porém, não teria havido acordo na negociação entre as partes. Seu João Ité chegou a cuidar da ilha durante muitos anos. Ele morreu em 2002, aos 75 anos, levando consigo um grande segredo: onde teriam sido enterradas em 1964 as armas que eram colecionadas pelo seu Varam. Um mistério que até hoje não foi desvendado e que segundo, o neto Marcos, não passaria de uma lenda inventada pelos caiçaras da região. Aos poucos, a casa da ilha foi sendo depredada.
Muita gente acabou levando “lembranças” daquela que foi a ilha mais badalada da região. Alguns anos atrás, um empresário de Caraguá O engenheiro Manoel Ferreira, tomou posse do local e alguns anos depois colocou a ilha a venda. Hoje, a posse da ilha está nas mãos de Edmilson, que juntamente com dois sócios, André e Beto, administram um restaurante no local, o “Ilha da Cocanha Restaurante”, especializado em frutos do mar, entre eles, mexilhões, que são extraídos fresquinhos de um cultivo que existe ao lado a ilha. Quem visita o Ilhote da Cocanha, agora já sabe, que aquele local foi um dos mais badalados do Litoral Norte.
A Família Keutenedjian
A família Keutenedjian era uma das mais
ricas da capital paulista nas décadas de 40,50 e 60. Segundo consta, Varam
Keutenedjian chegou ao Brasil por volta de 1920. Trabalhou como mascate e
depois na empresa Gasparian. Casou-se com umas sócias, dona Claudina. Varam foi
um dos pioneiros da indústria automobilística brasileira. Foi proprietário do
Laníficio Varam, hoje, Grupo Textil Vicunha e do Hotel Danúbio, além de
inúmeras empresas. Em 1948, a Varam Motores produzia em São Bernardo do Campo,
conhecida como a “Detroit Brasileira”, automóveis e caminhões Nash.
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| Fábrica da Varam Motores em São Bernardo do Campo(SP) |
Varam
Motores S.A., que já na segunda metade dos anos quarenta fazia a importação e
montagem dos automóveis e caminhões Nash. O prédio da Varam serviu para a
instalação da Simca do Brasil em 1958. Mais alguns anos depois, foi o berçário
de todos os Dodge brasileiros. Ainda nos anos 20, consta que o modelo FIAT 1900
teria sido montado no Brasil pela Varam Motores. A pioneira Varam, à
margem da Via Anchieta, ligação São Paulo-Santos, foi cooptada para montar
automóveis Fiat. Quantidade não determinada, lembra o octogenário Marcus Varam,
filho do empreendedor Varam Keutenedjian, dos Fiat 1400 em sua transição para o
modelo 1900 de 1953, enfatizando a boa relação de tamanho e área interna, a
disposição para andar, a resistência e o baixo consumo. Porém, as regras
exigiam operações de montadora, as partes desinteressaram-se, e os Fiat Varam
findaram-se em 1955. Os modelos da FIAT voltaram a ser produzidos em 1976, na
fábrica de Betim, com o 147 abrindo o caminho da liderança de década. Segundo
consta, a Varam
Motores solicitou licença de funcionamento à Prefeitura de São Bernardo do
Campo, em junho de 1948, dois meses após a quase vizinha Brasmotor, que até
então montava veículos da Chrysler em um galpão em São Paulo, no bairro do
Brás. Os carros Nash Ambassador, 1947 e
1948 fizeram sucesso.
Curiosidade, somente em 1948 a Nash fez conversível, tinha uma no Paraná e está hoje no Museu de Orlândia, mas existe um segundo sendo restaurado no sul do país. O seu Eugênio Cardoso, colecionador de carros antigos de Ubatuba, tem uma Nash 1947 também com motor trocado, mas em excelente estado. A Varam Motores levou para SBC vários imigrantes para a fabricação de peças em madeira de precisão para serem aplicadas nos Nashs e outros modelos. Eram verdadeiros artistas no trabalho com madeira que, apos o abandono pela montadora desse tipo de material, perderam os empregos e começaram a trabalhar na fabricação de móveis. Interessante, a partir do fechamento da montadora e redução do uso de madeira nos carros, os profissionais passaram a produzir móveis. Em poucos anos, S.B. do Campo passou a ser conhecida também como " A cidade dos Móveis e dos Automóveis". Existem ainda informações que o seu Varam teria sido proprietário da fazenda Felicidade, em São José dos Campos, onde criava gado de leite e chegou a montar um Fabrica de doce. Os Varam também teriam sido responsáveis pela montagem pioneira no país da Volkswagen, da Fiat, da BMW motos e tratores Ferguson. A Varam Motores foi adquirida pela Simca do Brasil, empresa francesa que no mesmo prédio iniciou a produção de modelos que marcaram época: Simca Chambord (sedan que imitava os “rabos de peixe” norte-americanos), Simca Jangada (perua) e Simca Presidente. A Simca, acabou quando o seu controle acionário foi adquirido pela Chrysler, famosa montadora norte-americana que produziu no Brasil a linha “Dodge” (Charger, Polara, entre outros). No fim dos anos 70, a histórica fábrica da pioneira Varam Motores foi adquirida pela Volkswagen, sua “vizinha da frente” que ali instalou a Volkswagen Caminhões, posteriormente transferida para Resende, no Estado do Rio de Janeiro. Quando a VW caminhões deixou o local, o prédio caiu em situação de abandono, e foi posteriormente demolido, no fim dos anos 90.
Curiosidade, somente em 1948 a Nash fez conversível, tinha uma no Paraná e está hoje no Museu de Orlândia, mas existe um segundo sendo restaurado no sul do país. O seu Eugênio Cardoso, colecionador de carros antigos de Ubatuba, tem uma Nash 1947 também com motor trocado, mas em excelente estado. A Varam Motores levou para SBC vários imigrantes para a fabricação de peças em madeira de precisão para serem aplicadas nos Nashs e outros modelos. Eram verdadeiros artistas no trabalho com madeira que, apos o abandono pela montadora desse tipo de material, perderam os empregos e começaram a trabalhar na fabricação de móveis. Interessante, a partir do fechamento da montadora e redução do uso de madeira nos carros, os profissionais passaram a produzir móveis. Em poucos anos, S.B. do Campo passou a ser conhecida também como " A cidade dos Móveis e dos Automóveis". Existem ainda informações que o seu Varam teria sido proprietário da fazenda Felicidade, em São José dos Campos, onde criava gado de leite e chegou a montar um Fabrica de doce. Os Varam também teriam sido responsáveis pela montagem pioneira no país da Volkswagen, da Fiat, da BMW motos e tratores Ferguson. A Varam Motores foi adquirida pela Simca do Brasil, empresa francesa que no mesmo prédio iniciou a produção de modelos que marcaram época: Simca Chambord (sedan que imitava os “rabos de peixe” norte-americanos), Simca Jangada (perua) e Simca Presidente. A Simca, acabou quando o seu controle acionário foi adquirido pela Chrysler, famosa montadora norte-americana que produziu no Brasil a linha “Dodge” (Charger, Polara, entre outros). No fim dos anos 70, a histórica fábrica da pioneira Varam Motores foi adquirida pela Volkswagen, sua “vizinha da frente” que ali instalou a Volkswagen Caminhões, posteriormente transferida para Resende, no Estado do Rio de Janeiro. Quando a VW caminhões deixou o local, o prédio caiu em situação de abandono, e foi posteriormente demolido, no fim dos anos 90.















