terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Via Orla

Saúde
Risco da febre amarela chega ao Litoral Norte.
Ubatuba registra dois casos suspeitos de febre amarela. As pessoas possivelmente infectadas estiveram em Minas Gerais e chegaram a cidade com suspeita da doença. Se confirmado, trata-se de “casos importados”, ou seja, as pessoas infectadas não contraíram a doença na cidade ou em nossa região.
De qualquer maneira, a Vigilância Epidemiológica, tem dedicado muito cuidado com esses dois casos suspeitos. Todos os moradores dos bairros Centro, Taquaral, Figueira e Saco da Ribeira devem ser imunizados contra a doença, para evitar que a pessoa que estiver infectada, picado pelo mosquito da dengue, possa levar a doença para outras pessoas.    
Segundo a Vigilância Epidemiológica, a conformação dos casos de febre amarela ainda depende do resultado de exame sorológico.  A Vigilância também tem orientado todas as pessoas que pretendam viajar para cidades de Minas que tem registrado a doença, para que tomem a vacina. Ubatuba tem muitos moradores oriundos da cidade de Ladainha, onde têm sido registrado muitos casos da doença.
Preocupada, a prefeitura local, já solicitou mais vacinas. Em Caraguá, onde segundo consta, não foi registrado, até o momento, nenhum caso suspeito de febre a amarela, a prefeitura vem adotando algumas medidas preventivas. Uma delas é fiscalizar os ônibus que fazem o transporte de pessoas entre Caraguá e a cidade mineira de Teófilo Otoni, também onde tem havido registro de casos da doença.

A Febre Amarela é uma doença infecciosa causada pelo vírus amarílico, que ataca o fígado e outros órgãos. A doença pode levar à morte. Os sintomas são parecidos com o da dengue: febre alta e dores no corpo. A transmissão da doença é feita pelo mosquito, que ao picar uma pessoa infectada, e ao picar outra pessoa, transmite a febre amarela. Quem toma a vacina fica imune. A vacina só pode ser aplicada em crianças a partir de 9 meses. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Via Orla

Turismo


             As atrações turísticas da Cândido Mota



A praça Cândido Mota
Estou relembrando o tema por se tratar de temporada. Nesta época do ano, milhares de turistas circulam ao redor da praça Cândido Mota, a nossa principal praça, mas poucos, muito poucos sabem os inúmeros atrativos que existem ao redor daquela praça. A maioria das pessoas, entre elas, o turista, circula pelo nosso centro para fazer compras, ir ao banco, visitar a igreja matriz ou se alimentar nos restaurantes Tapera Branca. Na correria do dia a dia da temporada e feriados, poucos ficam sabendo dos atrativos existentes naquela região. Uma pena. Quem sabe o novo conselho de turismo com apoio da prefeitura possibilite uma sinalização para indicar os atrativos aos visitantes. 


Os visitantes e também muitos moradores precisam saber que ali, teve inicio a cidade de Caraguá, no passado conhecida como Vila Santo Antônio de Caraguatatuba. Naquele mesmo local, antigamente, esteve localizada a prefeitura de Caraguá, a escola Adaly Coelho Passos e importantes comércios de nossa cidade.

A praça em 1929


Nas décadas de 70/80, aquele trecho da praça era o ponto de encontro dos veranistas e turistas que circulavam pela cidade. Ali ficava o postinho do seu Zézinho, a Lanchonete Estrela, a Sorveteria Aldo, tinha a mureta do colégio Adaly Coelho Passos...


Com o passar dos anos o agito transferiu-se para a praia Martim de Sá e, a partir de 2000, com duplicação da avenida da praia pelo prefeito Antonio Carlos, a concentração de veranistas e turistas passou a ser feita na orla central.


A cidade foi crescendo e a praça Cândido Mota acabou se transformando num centro comercial, mesmo assim, vale a pena passear com tranquilidade pelo local e redescobrir coisas importantes do nosso passado e do nosso presente.


Um dos locais mais visitados é a Igreja Matriz de Santo Antônio, que apesar de receber muitas intervenções, continua bela como sempre. A sua fachada, em estilo colonial, mantém-se original. A igreja surgiu por volta de 1663/64 e mantinha nos fundos um cemitério.

A partir da igreja, foi surgindo à cidade e seu comércio. O prédio sofreu muitas intervenções ao longo dos anos. Mesmo assim, mantém sua fachada original, em estilo colonial. É um dos pontos turísticos de nossa cidade. Local para se meditar e buscar a paz. A igreja matriz tem, no entanto, outros atrativos.


A igreja fica aberta a visitação pública das 7 às 21 horas. Em seu interior tem muitas coisas interessantes para se ver: a imagem de Santo Antônio, em madeira, de cerca de 1 metro de altura, vinda possivelmente, de Portugal, com mais de 200 anos legais; os corredores laterais com doze imagens de santos, entre eles, Santo Antônio, São Benedito, Santa Inês, São Pedro, São Francisco, Santa Rita e Santa Cecília;  os azulejos que produzem quadros de Santo Antônio; e, a cruz feita com madeira recuperada da catástrofe que abalou a cidade em 1967.





Quem passeia pela praça encanta-se também com o coreto, muito tradicional nas cidades do interior do país. O primeiro coreto da praça foi construído na década de 1930 por Dona Belmira Nepomuceno. A pracinha necessitava de um espaço para as apresentações dos festejos populares.


Em 1971, na gestão do então Prefeito Silvio Luiz dos Santos, o antigo coreto foi demolido e substituído por um novo. Em 2005, foi reformado ganhando um novo visual. Ali acontecem as apresentações da Banda Municipal Carlos Gomes e apresentações musicais promovidas pela fundação cultural.

Ainda na praça tem um obelisco, instalado em 1919, marco inicial de uma nova fase de saneamento básico em Caraguatatuba, com distribuição de água encanada, ainda que não tratada, cuja inauguração deu-se pelo Presidente do Estado de São Paulo, Altino Arantes, quando de sua visita ao Litoral Norte Paulista.






A praça tem ainda um Relógio do Sol construído em 1957, por ocasião das comemorações do centenário de Caraguatatuba, o monumento onde fica o marco zero da cidade.O obelisco foi construído por iniciativa de Acácio de Vilalva e Américo Neto, ambos da Sociedade Geográfica Brasileira. A obra foi inaugurada em 57 com a presença de várias autoridades como o bispo de Santos, Edilio José Soares e o prefeito da época, Altamir Tibiriçá Pimenta.




O monumento tem o mapa da cidade e um relógio do sol, onde em latim está escrito “Horas non numero nisi serena”, que traduzido para o português significa: Só marco as horas serenas da vida. Como a maioria dos prédios e monumentos antigos foram demolidos para dar lugar ao desenvolvimento, o obelisco, resiste firme ao tempo. Acredita-se seja um dos monumentos mais antigos da cidade.

A fonte luminosa é outro atrativo da praça. A fonte foi inaugurada na década de 60, pelo então prefeito Geraldo Nogueira da Silva, o “Boneca”, que a idealizou com suas águas lançadas a muitos metros de altura, dançando ao compasso das notas musicais, colorindo-se de acordo com as emoções proporcionadas pela sinfonia dos clássicos. A fonte transformou na década de 70 e 80 em uma “briga política entre os prefeitos Boneca e Bourabeby. Quando um assumia, fazia questão de alterar as cores da fonte. Isso ocorreu por muitos nos...Tinha até uma escultura de jacaré, que quando um entrava, colocava o jacaré, quando o outro assumia, tirava o jacaré. Afinal, aonde foi parar o jacaré?    

Outro espaço muito interessante é Polo Cultural Adaly Coelho Passos, em frente a praça. Uma das atrações é a palmeira imperial, plantada pelo senhor Francisco D’Onófrio, atendendo pedido do prefeito Bráulio Pereira Barreto, na década de 40, quando existia o grupo escolar Adaly Coelho Passos. Naquela ocasião foram plantadas duas palmeiras, mais devido ao desgaste provocado pelo tempo, uma delas foi derrubado por um forte vendaval em 2010.  




O prédio do Polo Cultural também é atração à parte. Ele foi construído em 1941 para sediar o Grupo Escolar de Caraguatatuba na praça Dr. Cândido Mota, que contou, inicialmente, com quatro salas de aulas para a escola primária de 1ª a 4ª séries. Na década de 1950, o Grupo Escolar atendeu a uma média de 550 alunos matriculados em 13 classes, funcionando em dois períodos. A escola mantinha a única quadra de esportes da cidade.


Em 1952, foi implantado no prédio do Grupo Escolar, o Ginásio Estadual "Thomaz Ribeiro de Lima", que permaneceu em suas dependências até 1957. Em 1972 a escola foi batizada de Escola Estadual de Primeiro Grau Professora Adaly Coelho Passos. O grupo escolar integrou a rede estadual de educação até o ano de 1998, quando o ensino básico foi municipalizado. Nos anos de 2000 e 2001, o prédio sofreu adaptações para abrigar o Polo Cultural Professora Adaly Coelho Passos, inaugurado em junho de 2002 pelo prefeito Antonio Carlos da Silva, para preservar e divulgar a nossa história e cultura.  




Naquele mesmo local tem duas atrações interessantes promovidas pela Fundação Cultural de

obra de Cordeiro

Caraguá. Uma obra do artista Antônio Cordeiro, um dos ceramistas mais importantes da nossa região, que fica em frente ao prédio. A obra, feita em cerâmica de alta temperatura, tem cerca de um metro e meio de altura, é conhecida como “figura I” e foi instalada ali, no cantinho da entrada do museu,  quando do aniversário dos 135 anos da cidade, em 1992. Trata-se de uma bela obra.
Outra coisa muito legal: a fundação cultura resgatou um poste antigo que exista ao redor da praça Cândido Mota, nas décadas de 50 e 60, restaurou e o instalou em frente ao Polo Cultural.  Olhando o poste, vem a recordação da Caraguá antiga. Seu formato de poste-pirulito permitia a colocação de algum tipo de painel de propaganda no topo. Vale a pena uma foto...

sábado, 28 de janeiro de 2017

Via Orla


TURISMO

                                    A Ilha cobiçada por Roberto Carlos.

Ilhote da Cocanha



Quem visita ou frequenta a praia da Cocanha ou Massaguaçu, na região Norte de Caraguá, pode observar a sua frente duas ilhas: o Ilhote da Cocanha e a Ilha do Tamanduá. Poucos sabem, inclusive moradores e veranistas que o Ilhote da Cocanha, que fica bem em frente a praia, já foi considerado uma das ilhas mais badaladas da sociedade paulista nos anos de 50 e 60 e, chegou a ser cobiçada pelo cantor Roberto Carlos, que mostrou interesse em adquiri-la. 

A ilha, na década de 50, segundo consta, pertencia a família Keutenedjian, um das mais importantes famílias armênias da capital. Para diferenciar, a ilha ganhou um casarão em seu topo, que oferecia uma vista das mais belas das praias da  Cocanha, Massaguaçu, Mococa e Tabatinga;  iluminação, garantida por um gerador, que iluminava os jardins, a casa e o acesso entre o píer e a mansão. A estradinha tinha calçamento. Um jipe importado fazia o transporte das pessoas entre o píer e a residência no alto da ilha. O empresário Marcos Varam Keutenedjian, adorava pescarias. Nos fins de semana, reunia a nata da sociedade paulistana no Ilhote da Cocanha. As vezes, quando ia pescar no Amazonas ou Mato Grosso, levava consigo o caiçara Epifânio de Oliveira Carlota, mais conhecido como João Ité, que coordenou a construção da casa do ilhote da Cocanha e era uma espécie de caseiro do proprietário. 

Ouvi, do seu João,  muitas estórias sobre a mansão do ilhote da Cocanha. Gostava de sentar na varanda da casa dele, que depois se transformou na varanda do Restaurante  Caiçara, lá no Massaguaçu, e ouvir suas estórias. Segundo João, na época do golpe militar em 1964, o exército vasculhou a ilha em busca de armamento, mas nada foi encontrado. O proprietário da ilha adorava caçar e colecionava armas. Seu João morreu em 2002, aos 75 anos, levando consigo o segredo do local onde as armas foram enterradas, naquela ocasião. 

Consta que a partir da década de 60, o proprietário decidiu fazer caçadas na África do Sul, abandonando de vez o Ilhote da Cocanha. O filho de Keutenedjian, também chamado Marcos, me contou que frequentou muito o Ilhote da Cocanha e que, em 1990 tentou recuperar o local, mas que encontrou mutas dificuldades com o Condephat para realizar as reformas necessárias e,acabou desistindo do projeto. Ele leu o artigo no blog e comentou que a histórias das armas não teria ocorrido, conforme relatou João Ité, o caiçara que muitos anos foi responsável por tomar conta da ilha. 

O cantor Roberto Carlos chegou a se interessar pela ilha em 1969. Seu João Ité foi comunicado pelos proprietários de que o cantor iria visitar o local. O interesse do cantor pela ilha foi confirmada pelo filho de Keutenedjian. Consta que, não teria havido acordo na negociação entre Roberto Carlos e Marcos.  Aos poucos, a casa da ilha foi sendo depredada. Muita gente acabou levando “lembranças” daquela que foi a ilha mais badalada da região. Alguns anos atrás, um empresário de Caraguá colocou a ilha a venda. Até alguns anos atrás, quem cuidava da ilha era o Edmilson, que juntamente com dois sócios, André e Beto, administravam um restaurante no local, o “Ilha da Cocanha Restaurante, especializado em frutos do mar.        

Via Orla

Jogos de Azar

 

Bingo promovido pela Igreja é legal ou não?

 

STJ reforma ação que condenava associação por realizar bingo.

 

Li no site do Conjur(Consultor Jurídico) uma matéria informando  que bingo promovido sem fins lucrativo é crime, mas não gera dano moral coletivo. Isso pode garantir a “legalidade” dos bingos promovidos pelas igrejas do Litoral Norte, cujas rendas são destinadas as obras e ações sociais.

Praticamente todas as igrejas do Litoral Norte promovem bingo em suas festas tradicionais. Muitas sorteiam carros e motos. A comunidade católica e ,não católica, participa e prestigia os bingos. A arrecadação é destinada as obras sociais e assistências da igreja. Afinal, a igreja pode ou não realizar bingos?   

De acordo com o Conjur, uma associação que organiza um bingo para arrecadar recursos está cometendo crime de promover jogo de azar, mas não está ferindo a sociedade. Pelo menos esse foi o entendimento da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça que reformou acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que havia condenado por dano moral coletivo em ação civil pública promovida pelo Ministério Público Federal uma associação desportiva do Rio Grande do Norte que havia promovido bingo para arrecadar fundos para incrementar o esporte da cidade.

Segundo o Conjur, a entidade foi condenada a não mais realizar bingos sob pena de multa diária de R$ 200 mil, além do pagamento de dano moral coletivo no valor de R$15 mil.  O caso foi parar no STJ. A relatora, ministra Nancy Andrighi, se pronunciou em relação à ilegalidade da prática de jogos de azar, mas ressalvou que apenas o cometimento do ato ilícito não é capaz provocar dano moral coletivo.

Segundo a ministra, para o reconhecimento desse tipo de dano é preciso que a violação seja capaz de causar um abalo negativo na moral da coletividade, provocando sofrimento, intranquilidade social e alterações relevantes na ordem extrapatrimonial coletiva, o que, para ela, não poderia ser  reconhecido no caso apreciado.

O parecer da ministra: “ Apesar da ilicitude verificada na conduta da recorrente, percebe-se que se trata de uma associação civil sem fins lucrativos que realizou a conduta em questão(bingos) com a finalidade de angariar fundos para o fomento do desporto. Dessa forma, emrazão do contexto social da prática da recorrente, impossível a afirmação de que sua conduta provocou um profundo abalo negativo na moral na moral da comunidade em que está inserida e, portanto, não está configurada a existência de dano moral coletivo”.   

O site do Conjur lembra que o fato de se tratar de uma associação sem fins lucrativos juntando dinheiro para fomentar o esporte foi o diferencial do caso. O Conjur lembra ainda que em ação semelhante, a 2ª Turma do STJ deu provimento de forma unânime a recurso especial feito pelo Ministério Público Federal para condenar seis empresas exploradoras de jogos de bingo de São Paulo por dano moral coletivo.

 



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Via Orla

Turismo
Será que agora vai?

Estive ontem, quinta-feira, na reunião do Contur(Conselho Municipal de Turismo) de Caraguá, atendendo convite feito pelo presidente do conselho, Rodrigo Tavano e do secretário de Turismo, Cristian Bota. Muita gente compareceu, principalmente, ligada a hotelaria e gastronomia.
Rodrigo detalhou a importância do Contur e cobrou maior participação dos empresários e comerciantes nas reuniões e, principalmente, nas sugestões, através do email contur.caraguatatuba@gmail.com. O prefeito Aguilar Jr se comprometeu em respeitar o conselho e suas decisões.

O turismo de Caraguá precisa urgentemente valorizar suas tradições e seus pontos turísticos. Não basta apenas depender de grandes shows, que por sinal, ocorrem apenas durante o verão. É preciso valorizar nossos artistas plásticos, nossos escultores, nossas lendas, nossos músicos, nossas festas tradicionais, nossa história e principalmente, nossos pontos turísticos. Só assim, poderemos quebrar a sazonalidade, atrair turistas o ano inteiro e, gerar emprego e renda.  

Turismo no mundo todo é visto como uma fonte de renda impressionante. Quem viaja sabe disso. Aqui, em nossa região, ainda tratamos o turismo de forma muito amadora. Pouca importância se dá ao turismo. Quem sabe, agora a coisa melhora. Antes não poderíamos investir no turismo porque não tínhamos infraestrutura . Hoje, melhorou muito o acesso à região, cresce o investimento em saneamento básico, a coleta de lixo está melhor e a sinalização também melhora a cada dia.

O problema mais grave é a questão da segurança. Nossas cidades fazem parte da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, considerada a mais violenta do estado. Para reverter isso temos que fazer o estado investir mais na nossa polícia militar, na polícia civil e em tecnologia. Vejam: não existe nenhum monitoramento por câmeras nas estradas de acesso à região. Isso poderia reprimir e reduzir os crimes na região. Temos sim, radares ultramodernos que são utilizados para autuar os motoristas.  

Prefeitos

Tenho acompanhado o desempenho dos novos prefeitos e tenho gostado do que estou vendo, principalmente, na questão turística. Em São Sebastião, o prefeito Felipe Augusto, pretende valorizar a orla principal da cidade e transformá-la  num corredor turístico, como já foi no passado. Felipe pretende integrar o centro histórico, um dos mais valiosos do país a uma marina pública. Sensacional.
Num gesto de muita humildade foi recuperar o “peixinho”,  símbolo da cidade, instituído, se não me falhe a memória pelo ex-prefeito João Siqueira. Outra atitude muito legal do Felipe. Em Caraguá, ainda não temos nenhuma identidade turística. Temos que buscar uma, assim como a vela simboliza Ilhabela e o peixinho, é símbolo de São Sebastião. Vamos discutir e buscar uma identidade turística para Caraguá.  
  
Em Caraguá, na reunião do Contur, fiquei feliz em saber que o atual prefeito Aguilar Jr pretende implantar na rede municipal de ensino o turismo como matéria. Tentei isso em 2002, com a colaboração da Tatiana Omegna, hoje, manager da rede El Misti Hostel , no Rio de Janeiro. Não aconteceu. Entendo ser fundamental, nossos alunos e seus pais, se conscientizarem da importância do turismo para nossa cidade e região. Como disse antes, turismo gera renda e empregos, melhora a vida das pessoas de nossa cidade. Tomara que de certo. Outra medida legal pelo Contur é divulgar a cidade e seus eventos nas rodovias de acesso. Seria importante também valorizar nossos pontos turísticos como Pedra do Jacaré, Pedra da Freira, Lagoa Azul, Mirante do Santo Antônio, Rio Juqueriquerê...

Em Ilhabela, percebi que o prefeito Márcio Tenório, deu um tempo nos shows. Os shows antes realizados levava para a ilha um público que não trazia nenhum benefício para a cidade. Pelo contrário, era o pessoal que superlotava as reduzidas ruas da cidade e o sistema de travessia. Eram os turistas de um dia. Seria legal, Márcio Tenório manter os festivais que ocorrem fora da alta temporada, entre eles, o festival de jazz.  E, valorizar mais suas atrações locais, principalmente, suas belezas naturais e sua cultura.


Lá em Ubatuba, o prefeito Sato tem uma missão especial, fazer com que Ubatuba volte a ser a capital nacional do surfe. As praias de Ubatuba, entre elas, Grande e Itamambuca, já sediaram no passado os mais importantes eventos internacionais de surfe. Os eventos atraiam gente do mundo inteiro e divulgava a cidade internacionalmente. Aos poucos, a praia de Maresias, em São Sebastião, foi  assumindo os eventos internacionais. Sato pode e deve reverter isso. É só procurar a rapaziada do surfe. Ubatuba é uma cidade com praias e belezas naturais incríveis.  Como se vê os novos prefeitos podem e devem incrementar o turismo na região. Pelo que vejo, vontade não falta...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Via Orla

Segurança

Litoral teve 1.744 roubos em 2016. Mais de 50% deles em Caraguá.

A Secretaria de Segurança Pública finalizou o balanço das ocorrências policiais registradas no ano passado (2016). Comparando com o mesmo período de 2015, tivemos na região apenas redução dos casos de homicídios. Houve aumento nos casos de roubo, furto e furto e roubo de veículos.

Em números gerais o Litoral Norte registrou em 2016 um total de 77 homicídios contra 91 mortes em 2015. Ubatuba lidera o ranking de mortes com 27 homicídios; em Caraguá foram 25; em São Sebastião, 22; e, em Ilhabela, apenas três mortes no ano passado.  A maioria das mortes, segundo a polícia, estaria ligada ao tráfico de drogas.

Os casos de roubo cresceram e muito. Foram praticados 1744 roubos na região contra  1290 registrados no ano anterior 2015. Caraguá registrou mais de 50% dos roubos ocorridos na região. Foram 925 roubos ocorridos na cidade. No ano de 2015 foram 631 casos de roubo em Caraguá. Ubatuba teve 399 roubos; São Sebastião 395 casos; e,  Ilhabela, 25 roubos no ano passado.

Os casos de furtos também cresceram na região em 2016 foram 5.107 casos. Em 2015 foram contabilizados 4.600 furtos. Em 2016 foram registrados 1923 furtos em Caraguá; 1370, em Ubatuba; 1307 em São Sebastião; e, 507 casos em Ilhabela. Os casos de furto e roubo de veículos também cresceram: foram 456 em 2016. Em 2015 foram 391. Neste item, Caraguá também lidera, computando cerca de 50% dos casos ocorridos na região, 222 ocorrências.

A violência cresceu em toda a região do Vale, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira em 2016. A Região Metropolitana do Vale e Litoral Norte teve um crescimento de 10% nos casos de homicídios e de 52% nos casos de latrocínios. Índice mais alto dos últimos 12 anos. A região do Vale e Litoral Norte continua sendo a mais violenta do estado de São Paulo. Em toda a região foram contabilizados em 2016 um total de 428 homicídios e 26 latrocínios. Proporcionalmente, a violência registrada na região em 2016 é superior à taxa da capital e grande São Paulo.

Segundo declarações da comandante do CPI-1(Comando de Policiamento do Interior), Eliane Nikoluk, o tráfico de drogas seria o principal responsável pelos altos índices criminais registrados em nossa região. A comandante afirmou que 2016 foi um ano muito difícil, principalmente, devido a crise econômica, situação em que o tráfico de drogas quer ocupar mais espaço.

Segundo ela, a PM está trabalhando em várias operações com o intuito de reduzir os índices. A PM também fará parceria com as prefeituras da região para ampliar suas ações e com isso garantir mais segurança para a população do Vale e Litoral Norte. A comandante acredita que haverá queda dos índices em 2017.  


Via Orla

Cidades

Novos prefeitos começam bem.

Assumir uma prefeitura em plena temporada não é nada fácil, principalmente, em cidades praianas, quando a população local duplica ou até triplica. Os jovens prefeitos do Litoral Norte até que surpreenderam, apesar das dificuldades enfrentadas, principalmente, com a coleta do lixo. Passado o pico da temporada- agora é aguardar o carnaval, os jovens prefeitos vão tomando conhecimento do dia a dia de suas cidades e fazendo projetos para os quatros anos de administração.  
Educação  
Algumas medidas adotadas, recentemente, são das mais elogiáveis. Em São Sebastião, por exemplo, o prefeito Felipe Augusto (PSDB), criou o “Cartão Educação”, com aprovação da câmara. Cada aluno da rede municipal receberá um cartão magnético, como valor referente aos gastos com o kit escolar. Uma espécie de Vale Escolar. A medida deve gerar nos cofres dos estabelecimentos especializados cerca de R$ 2 milhões.
Os estabelecimentos terão que apresentar nota ou cupom fiscal com a relação do material fornecido, os dados do estudante e de seu responsável. A prefeitura estipulou critérios: o aluno que não frequentar 75% das aulas, sem justificativa, o aluno ou seu responsável deverá restituir os valores gasto com o kit escolar à prefeitura.  O “Cartão Educação” não poderá ser utilizado no comércio de outras cidades.
Felipe Augusto, apesar das dificuldades encontradas manteve e melhorou os serviços públicos e a programação de verão. Quem circulou por São Sebastião, principalmente, no centro e na costa sul, elogiou a limpeza da cidade. O prefeito aproveitou ainda para circular por Brasília e São Paulo em busca de recursos e benfeitorias para o município.  
Obra suspensa
O prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório (PMDB), entendeu por bem cancelar o projeto da construção do mirante sobre o morro da Cruz, projeto de autoria de Ruy Ohtake, cujas obras iriam consumir R$ 2,5 milhões da prefeitura. O lançamento do projeto causou muita polêmica na ilha. Para o atual prefeito, a sua administração quer priorizar a saúde e a educação local. Tenório também cobrou da Sabesp obras de saneamento básico em bairros da ilha.
Sentindo o efeito na economia local da redução do número de navios de cruzeiros na ilha, a prefeitura, por meio da secretaria de Turismo, e com a participação da Associação Comercial e Empresarial de Ilhabela, fechou uma parceria com a empresa MSC Cruzeiros visando estimular o consumo nos restaurantes da cidade. Os estabelecimentos associados que aderirem à proposta, concedem 10% de desconto aos tripulantes dos navios da MSC que consumirem nos restaurantes da ilha.
Drenagem
O prefeito de Caraguá, Aguilar Jr(PMDB), preocupado com as enchentes provocada pela chuvas de verão nos bairros, determinou aos seus técnicos que elaborem um projeto para drenagem nos bairros mais atingidos pelas águas. O projeto é dos mais necessários e a prefeitura terá que buscar recursos junto ao governo federal, pois é dos mais custosos. De qualquer maneira é preciso buscar uma solução para o problema que atinge, principalmente, os bairros da região sul.
Caraguá tem um problema sério de enchente há muitos anos. Quando chove forte e a maré tá cheia, as águas da chuva chegam aos rios e córregos, mas não conseguem chegar ao mar. Isso provoca alagamentos nos bairros e nas vias públicas. Vários prefeitos tentaram resolver o problema, sem sucesso. Vamos ver se desta vez a coisa avança e seja solucionada de uma vez por todas.
Na semana passada técnicos da prefeitura se reuniram com técnicos da Fundespa(Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas).Segundo a Fundespa já estão prontos projetos para drenagem da região do Massaguaçu, plano diretor da drenagem da Bacia do Juqueriquerê e o plano municipal de manejo de drenagem do Parque Municipal do Juqueriquerê.
O prefeito determinou estudos para bairros que ficam no entorno do Rio da Paca, Lagoa, Rio Santo Antônio e Guaxinduba. Aguilar Jr pediu ainda estudos urgentes para microdrenagem do Aruãn, Sumaré, Rio do Ouro, Pontal Santa Marina, Jardim do Sol e Perequê-Mirim.   
Duplicação
O prefeito de Ubatuba, Sato(PSD), foi o primeiro a enfrentar uma manifestação: ambulantes clandestinos retirados pela fiscalização municipal das praias, bloquearam a rodovia Rio-Santos, em sinal de protesto. Sato voltou atrás, e liberou licenças provisórias para ambulantes que residem em Ubatuba. Foi uma atitude legal, uma vez que, tem muita gente desempregada na região e, na temporada, é o momento da maioria deles fazer um bico e para poder sustentar a família. Foi uma bela iniciativa de Sato.  

A decisão mais importante de Sato foi definir a duplicação da Rodovia Governador Mário Covas(BR-101) no trecho entre a Praia Grande e o Trevo do Indaiá, num total de 9,5 quilômetros. A obra avaliada em R$ 520 milhões foi discutida com representantes do DNIT(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. A obra, quando concluída, estimula-se um prazo de 36 meses, após a conclusão do projeto executivo, vais desafogar o tráfego ao longo da rodovia e também beneficiar que circula pela Rio-Santos. Uma obra das mais necessárias para Ubatuba e região.   

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Via Orla

Turismo
O Litoral Norte e suas cachaças artesanais.

Cresce assustadoramente os apreciadores de uma boa cachaça artesanal. O turista que frequenta as cidades do Litoral Norte, assim que chega aos bares e restaurantes, apreciador de uma cachaça, logo pergunta: tem uma boa cachaça da região para servir. A gente lamenta e diz que não. Que temos cachaças de Minas e Paraty, de boa qualidade. É triste dizer o não, afinal, tivemos excelentes cachaças produzidas na região. É uma pena que a maioria não é produzida mais.
Tropicália vendida na Ilha.

Busco na lembrança, as cachaças que tanto sucesso fizeram por aqui nas décadas de 60 e 70, “Sítio Velho”, em Caraguá; “Ubatubana”, em Ubatuba; “Engenho D´Agua, “ Feiticeira”, “Favorita”, “Bexiga”, Engenho Novo” e “Amansa Sogra”; em Ilhabela; e, “Rainha da Pedra” e “Paulistinha”, feitas em Paraibuna. Hoje, temos apenas duas produzidas em Ilhabela: “Toca” e “Tropicália”. O aguardente utilizado na cachaça Tropicália é produzido em Paraibuna.
tonéis da Engenho D'Água. 

Não sei se ainda dá para recuperar as cachaças antigas. Não temos mais produção de cana por aqui. Seria legal. Ilhabela no passado foi um dos maiores produtores de cachaça artesanal. A produção começou no início do século XX em 13 engenhos espalhados pela ilha, entre eles, Engenho D´Água, Ponta das Canas, Favorita, Consolo, Marafa, Bexiga, Mossão Caiçara, Cocaia, Tangará e Engenho Novo. As cachaças eram produzidas em engenhos com rodas d’água e transportadas em pipas para Santos. Naquela época era comum pescadores trocarem farinha de mandioca produzida no continente por litros de cachaça.
Cachaça Sítio Velho a venda no Mercado Livre.

Em Caraguá, a cachaça mais conhecida foi a “Sítio Velho”, produzida no Porto Novo, pelos administradores da Fazenda dos Ingleses, pertencente a um grupo empresarial inglês. Segundo moradores mais antigos, a cachaça deixou de ser produzida na década de 60, pela empresa S/A Frigorífico Anglo, logo após a morte de um dos caiçaras responsável pela “fabricação” do aguardente. Os ingleses não teriam encontrado outra pessoa para manter a produção. O interessante é que no Mercado Livre ainda se encontra algumas garrafas a venda da “Sítio Velho”, com preço exorbitante, somente para colecionador.

Na semana passada, li que a Prefeitura de Ilhabela, através do secretário de Cultura, Nuno Gallo, pretende abrir na ilha, o “Museu da Cachaça”. O museu depende de autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para ser oficialmente instalado na sede da Fazenda Engenho D’Água, onde foi produzida uma das cachaças mais saborosas da ilha. Com o museu, a cachaça se torna patrimônio cultural de Ilhabela. É realmente uma pena não termos preservado nossas cachaças artesanais...Quando o museu for instalado poderemos ao menos relembrar as cachaças que no passado foram produzidas por aqui.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Via Orla

Música


As músicas (e poemas) que homenageiam Caraguá

Taty Maleski. 

O lançamento da música “Pedacinho do Céu” de autoria de Taty Maleski e Vitor foi uma grata surpresa do verão 2017. Taty é uma das melhores cantoras de MPB de nossa região. Sagrou-se também como compositora ao lado do Vitor, seu leal parceiro, na música e na vida. A música agradou todo mundo e ganhou destaques nas redes sociais. A composição tem tudo para ficar gravada na história da cidade, assim como outras composições feitas ao longo dos anos. Para ver e ouvir: https://youtu.be/JKj8NH7gtLQ
  
Caraguá é lembrada nos versos e nas composições de muita gente. Uma das mais belas é sem dúvida nenhuma o hino da cidade, feito em 1965, de autoria de Renato Navarro Magalhães (letra) e maestro Heitor de Carvalho(música). “Caraguatatuba bonita, esplendor de beleza rara! Caraguatatuba onde o habita o cortes e gentil caiçara.” Um dos trechos do hino que ganhou destaque nas escolas e em todo o município a partir de 1998, quando o então prefeito Antonio Carlos “adotou” oficialmente o hino feito em 1965.

“Caraguatatuba bonita Esplendor de beleza rara Caraguatatuba onde habita O cortês e gentil caiçara. Nas fímbrias da serra que os céus se levanta. À margem formosa de imensa baía. Se estende uma terra que os olhos encanta. A terra onde as praias têm mais alegria. Se sois dentre as jóias a mais reluzente. Se dentre as cidades vós tendes mais vida. Então não sois obra divina somente. Sois obra de Deus pelos homens polida. Refrão Oh terra, vós tendes um mar cristalino. Que tanto vos beija em carícias de irmão que traz ondulante um murmúrio divino. O suave murmúrio de Deus na amplidão. Vós tendes na frente uma ilha gigante que às nuvens se lança a perder-se de vista A exemplo da ilha erguei-vos vibrante E glória sereis brasileira e paulista.”   

renato Navarro Magalhães

Renato, falecido em 2004, é considerado o maior poeta caraguatatubense. Deixou outros poemas maravilhosos, entre eles,  "No Alto da Serra", escrito em setembro de 2001. Renato compôs o poema no período em que fazia viagens constantes para a capital paulista onde ia fazer tratamento médico. Cansado e, às vezes, debilitado pelo tratamento, Renato, só ficava feliz quando o carro em que viajava, no retorno da capital, chegava ao alto da serra. É que, dali, lá do alto, ele podia avistar Caraguatatuba. 

O poema "No Alto da Serra" é dos mais lindos e muito profundo. Quem o conhece, não tem como não se emocionar...O poema começa assim: "Por mais vezes que eu suba. Esta serra verdejante, Ao ver Caraguatatuba, Lá de cima, do mirante, Quanta saudade me dá! Indo embora, em meu caminho,
Meu corpo segue sozinho, Minh´alma volta pra lá". 

Ainda na décadas de 60/70, um outro músico, o José Rodrigues da Silva, o “Nego Gato”, violeiro e compositor de mão cheia, conhecido como “Zé Rodrigues” , baiano de “Olendina”, radicado em Caraguá desde 1952, animava as noitadas na cidade, apesar de trabalhar na construção civil.
 
Zé Rodrigues, o seresteiro. 
Entre as composições mais conhecidas estão a marchinha de carnaval, que embalava os bailes do Náutico Clube das Palmeiras, conhecida como “Borrachudo”( “ Eu queira ter nascido em Caraguá, nem que fosse pernilongo ou borrachudo....). Outra marchinha de sucesso na época “Me leva, meu bem me leva...Me leva para Caraguatatuba...Eu vou divertir no Náutico...Nem que seja com chuva.... A sua música mais conhecida, no entanto,  foi feita a partir de um poema escrito pelo corretor Davi Salamene: “18 de março”, cuja letra falava da catástrofe que atingiu a cidade no dia 18 de março de 1967, uma das maiores tragédias naturais ocorridas até então no país.

 A letra: “18 de março chegou...Sem ninguém esperar...O que estava para acontecer...Na cidade de Caraguá...A tristeza tomou conta da cidade...Dessa gente que vivia tão feliz ...Hoje toda a humanidade chora...Pedindo a Deus para o dia amanhecer...Chora, chora Brasil...”. Zé Rodrigues morreu em 2007, aos 72 anos de idade. David Salamene morreu recentemente.

Maestro Sérgio Weiss.

Ainda na década de 60, Caraguá foi lembrada pelo maestro joseense Sérgio Weiss, falecido no ano passado, aos 88 anos de idade. Entre as décadas de 60 e 70, Sérgio Weiss criou dois grupos musicais que animavam os bailes de formatura e aniversários das cidades de toda a região: Biriba Boys e o Brasília Modern Six. A composição  “Caraguatatuba, princesinha do mar, suas praia são lindas, em noite de luar, tem pescadores e lindas sereias, que vivem em suas areias...” tinha letra de João Cursino e música de Sérgio.  A música foi uma homenagem de Weiss e Cursino para a cidade e tornou-se inesquecível.
Tom e os Bichos da Costeira.


Na década de 90, um jovem desportista, advogado e músico Everton Luis Ferreira, o Tom Ferreira, filho de dois amantes da boa música Silvio Ferreira e Lucy Ferreira, homenageou a cidade com um reggae de primeira linha. “Caraguá”. Tom era vocalista da banda “Bichos da Costeira”, que sobrevive até hoje, apesar de Tom ter falecido em um acidente na rodovia dos Tamoios, em 1999, aos 27 anos de idade. Abaixo a letra de seu reggae: Para ver e ouvir clique https://youtu.be/fELuPjd35qI




Se você descer a serra
Você vai ver
Um lugar tão lindo
Chamado Caraguá
Cheio de cachoeiras e o mar
Um morro tão alto chamado
Santo Antônio
Asa Delta lá em cima dá pra ver
O que tem na frente?
A imensidão do mar azul
Ilha Bela, São ¨Sebá¨
Mata Atlântica, tão cheio de verde 
O povo de lá é barriga verde
Fevereiro, fim de tarde, pôr-do-sol, areia fina
Que canal
No morro da praia Brava há um farol
O povão de Caraguá é o maior astral
Mas se você descer a serra
Você vai ver
Um lugar tão lindo
Graças a Deus eu moro aqui
Cheio de cachoeiras e o mar
Pra quem quiser, ele tá lá, pode surfar
Um morro tão alto...


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Via Orla

O que rola por aí...

Estradas

Caiu 15% o número de mortes nas estradas da região em 2016. Em 2015 foram 1805 mortes. Em 2016 foram 1524, segundo balanço apresentado pela polícia rodoviária estadual. No balanço constam acidentes registrados nas princípais rodovias, entre elas, a Tamoios, Rio-Santos, Osvaldo Cruz, Dutra e Carvalho Pinto. O número de mortes ainda é dos maiores. As principais causas de acidentes; excesso de velocidade, ultrapassagem proibida e imprudência dos motoristas. Aqui em nossa região, Litoral Norte, continua um drama percorrer a rodovia Rio-Santos nos fins de semana. Congestionamentos insuportáveis. Se não duplicar a rodovia a situação ficará cada vez mais caótica. 

Mar

Um balanço do Instituto Gremar que monitora o litoral entre RS e São Paulo constatou a morte de mais de 1307 animais, mamíferos e aves em 2016. Foram encontrados mortos 688 tartarugas, 579 aves marinhas e 120 mamíferos. Dos 1657 animais resgatados pelas ongs(12), conseguiram sobreviver 12 mamíferos, 188 aves e 150 tartarugas. O instituto monitora 800 km de litoral para avaliar os possíveis impactos causados pela atividade de produção de petróleo e gás. Os animais encontrados mortos são resgatados e analisados para tentar apurar as possíveis causas. 

Cultura

O artista plástico malinês, Mali Abdoulaye Konate, vai expor na Bienal de Veneza, na Itália, um obra de sua autoria, uma tapeçaria, produzida após visitar a aldeia dos Guaranis, de Ubatuba. Ele esteve visitando o local há dois anos e ficou encantado com o que viu. A obra já foi exposta no Sesc de São Paulo e Alsenale, na Itália. O artista gosta de produzir obras ligadas as questões ecológicas e conflitos políticos. 

Educação

Foi finalmente para o espaço o satélite Ubatubasat produzido pelos alunos da escola Tancredo Neves, de Ubatuba, O satélite foi lançado de uma estação espacial japonesa na segunda-feira. O satélite vai ajudar a pesquisar o clima, entre outras coisas. Valeu a inicitiva do professor Cândido Moura, de Matemática, que incentivou os alunos a adquirirem um kit satélite nos EUA e depois conseguir que especialistas dos EUA e Japão se interessassem pelo projeto. Sensacional...


   

sábado, 14 de janeiro de 2017

Via Orla

Memória

A chacina da Cazanga.

A chacina da Cazanga, ocorrida nas proximidades da praia de Itamambuca, em Ubatuba, em 1989, foi um dos casos mais incríveis que já cobri. O crime, mais tarde, em 2000, foi destaque no programa Linha Direta, da TV Globo, que com a história quebrou recordes de audiência, chegando aos 41 pontos no Ibope. Uma história difícil de ser esquecida. 

Trabalhava no Jornal ValeParaibano, de São José dos Campos, e como sempre, naquela época, fui um dos primeiros jornalistas a entrar na história. Tudo começou no dia 23 de dezembro de 1989 quando uma dona de casa de nome Cirlene Alves de Oliveira Souza foi morta a tiros, na região Norte de Ubatuba. O autor do crime não foi identificado e nem os possíveis suspeitos.

No dia 23 de janeiro de 1990, no inicio da noite, dezessete pessoas que deixavam a igreja Assembleia de Deus, na bairro da Cazanga, foram vítimas de vários disparos de tiros, quando caminhavam por uma estrada de terra, sem iluminação, em direção às suas casas. Sete pessoas foram baleadas e uma delas, uma criança de quatro anos, filha de Lucila Izaura, perdeu a vida atingida por cinco tiros. Lucila, de 29 anos, foi atingida por sete disparos e sobreviveu. Um crime, até então, sem qualquer motivação.

A identificação dos responsáveis pela chacina demorou cerca de um mês. Os disparos foram efetuados pelos policiais militares, capitão Benedito de Oliveira, de 47 anos e os soldados Flávio Gobbis Soeiro, 32, João Ortiz, 33 e Dirceu Pereira, de 57 anos. Benedito e seus amigos foram presos pela Corregedoria da PM. O capitão assumiu o crime, mas tentou alegar legítima defesa, argumentando que estava tentando marcar um encontro com Lucila, quando os homens do grupo de evangélicos tentaram agredi-lo.
Benedito,na época dos crimes. 
A situação começou a se complicar ainda mais para o então capitão do exército. A arma calibre 32 que ele portava, após testes, foi confirmada como a mesma arma de onde foram feitos os disparos que mataram a dona de casa Cirlene Alves de Oliveira Souza, em dezembro de 1989. O coordenador da chacina da Cazanga, capitão Benedito de Oliveira era um herói da PM e um dos melhores instrutores de luta antiguerrilha da corporação. Um verdadeiro “Rambo brasileiro”.

Fuga
Benedito fugiu antes de sair a sua condenação. O Tribunal de Justiça Militar condenou Benedito à revelia a 31 anos e oito meses de prisão pelo assassinato da menina Juliana Ribeiro Siqueira, 4 anos, e de tentar matar a mãe da garota, Lucila Izaura Ribeiro Siqueira, 29 anos. Benedito também foi condenado pela morte da dona de casa Cirlene Alves de Oliveira Souza.
O soldado Dirceu Pereira foi condenado a 26 anos e quatro meses de prisão pela fuzilaria na estrada de Itamambuca. Eles foram encaminhados ao presídio militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Os outros dois pms que acompanhavam Benedito na hora do crime foram absolvidos.
O capitão não ficou mais de três meses preso. No dia 26 de maio de 1990 fugiu, pela porta da frente, do presídio Romão Gomes. E, simplesmente, sumiu do mapa. Desde então, Benedito passou a ser o homem mais procurado pela corregedoria da Polícia Militar. Foi a última matéria que fiz sobre o capitão, justamente, relatando a facilidade como ele fugiu, a pé, do presídio Romão Gomes.
Em agosto de 1994, os repórteres da Folha, Cláudio Tognolli e Marcelo Godoy, foram até o Peru. E, escreveram uma matéria, relatando que, o ex-capitão Benedito de Oliveira, havia se transformado em um mercenário e estaria prestando serviços ao grupo terrorista Sendero Luminoso. Benedito era o maior especialista brasileiro em sobrevivência, combate e sobrevivência na selva. Ele também era especialista em explosivos e construções de armadilhas.
Benedito ficou “desaparecido” por 19 anos, até que, no dia 9 de janeiro de 2008, acabou preso em Manaus (AM). Lá, vivia desde 1998, com o nome falso de Paulo Pedreira Matta, 60 anos, um próspero empresário do setor de segurança privada. O capitão era dono da empresa de segurança Arsenal, num dos bairros nobres de Manaus. Policiais civis de São Paulo e do Amazonas passaram dois meses investigando Benedito, em Manaus, antes de prendê-lo, durante um café da manhã. Ele foi transferido para a capital paulista para cumprir a sua pena. Benedito tem hoje 69 anos. Deve estar preso.


Cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Vale e Litoral Norte, segundo IBGE

  A cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Litoral Norte Paulista e Vale do Paraíba entre 2010 e 2022, se...