segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Via Orla

Segurança

Litoral cobra mais segurança.


A sensação de insegurança preocupa os prefeitos do Litoral Sul, conforme reportagem publicada pela Tribuna de Santos. Eles temem o que classificam de saturação das delegacias no período em que a população flutuante aumenta.
Para eles, as ações prioritárias são a reativação de delegacias fechadas, aumento do efetivo policial e criação de unidades especializadas de investigação. E, não apenas, na temporada de verão. Para isso, prefeitos daquela região e, também, três deputados com base no Litoral Sul, estão reivindicando reuniões com o delegado-geral de Polícia, Youssef Abou Chahin, e com o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho. Os prefeitos do Litoral Norte devem seguir o exemplo. Litoral Norte e Sul vivem do turismo, atividade praticada ao longo de todo o ano e, não apenas no verão.

Os prefeitos do Litoral Sul alegam que devido ao quadro deficitário de policiais e a falta de investimentos em equipamentos apenas 10% das ocorrências policiais são transformadas em investigação. Lá, segundo apurou o jornal, apenas homicídios, acidentes com vítimas fatais, estupros e flagrantes seguem para apuração. Os demais casos são arquivados.
Em nota enviada na tarde de domingo ao jornal, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) contestou a informação e afirmou “que todos os crimes registrados são investigados”. É complicado acreditar, pois foram os próprios servidores das delegacias, que anonimamente, deram a informação ao jornal. Em nossa região, o Litoral Norte não deve ser diferente.

Lá, como aqui, enquanto a polícia concentra seus esforços em casos de maior relevância, crescem os crimes contra o patrimônio. Lá, registra-se um aumento considerado de furtos. Uma média de um furto a cada 20 minutos. Aqui, no Litoral Norte, até setembro, foram registrados 44 homicídios, 45 tentativas de homicídios, 81 estupros, 1208 roubos, 35 roubos de veículos, 3.769 furtos e 215 furtos de veículos. Caraguá, segundo as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, lidera as ocorrências na região.

Lá, os deputados eleitos na região Caio França, Cássio Navarro e Paulo Correia estão apoiando os prefeitos. Aqui, no Litoral Norte estamos órfãos de deputados estaduais. Precisamos eleger deputados de nossa região. Para o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, a deficiência do setor obriga as prefeituras a investir em câmeras de videomonitoramento e na guarda civil.  Segundo ele, “Se dois ou três flagrantes chegarem ao distrito, ninguém mais sai dali porque não tem quem os registre. É necessário aumentar efetivo da Civil para reduzir a criminalidade”.
“Segurança é fundamental para as cidades que dependem do turismo”, diz o prefeito de Guarujá, Valter Suman (PSB). Ele recordou socialista que a recente mobilização de políticos da região conseguiu reverter a intenção do Estado de reduzir em 20% o efetivo da Operação Verão.

Verão

Os números comprovam que o número de algumas ocorrências ao longo do ano se compara ao registrado nos meses de verão. Ou seja, não adianta aumentar o número de policiais apenas na temporada. Tem que aumentar o efetivo ao longo de todo o ano. Os prefeitos do Litoral Norte tem que cobrar mais do Estado. Nossos prefeitos ajudam no que podem, mais o Estado tem que investir mais na segurança pública. Nosso efetivo, tanto na militar, quanto na civil, é dos menores. Eles, os policiais fazem o que podem, mas não conseguem combater a criminalidade,que infelizmente, cresce a cada dia. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Via Orla

Literatura

O livro do Justo Arouca.

Justo, 84 anos, e seu livro. 
Foi lançado nesta sexta-feira, dia 27, na sede da Fundação Cultural de Caraguá, o livro escrito pelo Justo Arouca, “Clube XV sua última jogada”, que conta a história da fundação do primeiro clube esportivo de Caraguatatuba. O prefeito Aguilar Jr. e a presidente da fundação cultural, Silmara Matiazzo, infelizmente, não prestigiaram o evento, mais isso, não diminuiu  a sua importância, pois dezenas de representantes das famílias mais tradicionais da cidade foram participar do lançamento do livro.

Lá estiveram, por exemplo, quatro filhos de ex-prefeitos: Márcio, filho do ex-prefeito Altmir Tibiriça Pimenta(1947 e 1956 a 1959); Celso, filho do ex-prefeito Antonio Augusto Matheus(1952/1955 e 1960/1963); Silvio, filho do ex-prefeito Silvio Luiz dos Santos(1969/1973); Osnildo,filho do ex-prefeito Sidney Trombini (1993/1996); além de Bira, filho da ex-vice prefeita Benedita Pinto Ferreira(1964/1969); e, Jaime de Souza, irmão do ex-prefeito Jair Nunes de Souza(1983/1988).

Foi um encontro de “caiçaras”. Representou a Fundação, Mara Amaral, do Setor de Literatura; e, pela Câmara, o vereador De Paula. Antes da sessão de autógrafos, falaram o ex-jogador Nersy Amaral, que relembrou histórias antigas e engraçadas do clube; o ex-presidente da Câmara, Wilson Rangel; o ex-diretor do clube, Valdir Mans; o atual presidente do clube, Pedro Norberto; e, o autor do livro Justo Arouca. Justo contou sobre a Caraguá antiga e de como surgiu á ideia do livro. Foi legal rever os filhos das famílias tradicionais de nossa cidade. Conversar com eles. Rever jogadores antigos como Nilo e Jaime, que atuaram na década de 50; Beita, que jogou nas décadas de 60 e 70, entre outros ex-jogadores, foi gratificanate. Tinha camisa da década de 60 e muitas fotos antigas do clube. Justo Arouca fez questão de autografar todos os livros.

Livro

Jaime e Niro, craques da década de 50. 
O livro de Justo tem 155 páginas, foi editado pela Gráfica e Livraria Cabral Universitária, e conta um pouco da história do XV que este ano completou 83 anos de fundação. Tem informações interessantes, entre elas, sobre o brazão do clube, desenho feito em1959, pelo então estudante Antonio Benetazzo, que anos mais tarde, em 1972, pertencendo ao MLP(Membro da Libertação Popular) seria morto pelos agentes da ditadura na capital paulista.


Justo conta que o clube surgiu de uma iniciativa pelos jovens da época, Laércio Luiz dos Santos, Benedito Bento, Manoel Gregório, João Teixeira, Sebastião Peres, entre outros. E que, sua primeira diretoria, eleita na casa de Carmínio Peixoto, em fevereiro de 1934, teve como presidente Prudêncio Baeta. Justo escreve sobre o Xv até a década de 60. Ilustra com fotos interessantes. O escritor não abordou profundamente a fase em que o clube disputou o campeonato paulista profissional.No livro de história de muitos ex-craques, entre eles, Carolino Garrido, o Carola, considerado um dos maiores craques do XV; e, de Benedito Ciro dos Santos, o Ciro. 

Em outras 44 páginas, Justo Arouca, conta sobre a prova natatória Ilhabela/Caraguatatuba, considerada na época, décadas de 50 e 60, uma das provas mais importantes do mundo. A travessia de 17 quilômetros entre Ilhabela e Caraguá era disputada pelos nadadores mais importantes da América do Sul e tinha ampla cobertura da imprensa nacional e internacional. Um livro que registra a memória da cidade e, principalmente, das famílias caiçaras.     

Via Orla

Curiosidades

Radialista abstêmio,  têm como hobby,  produzir cachaça artesanal. 

Forlim
J.R.Forlim é considerado um dos radialistas de maior sucesso no Litoral Norte.  Forlim, como ele é carinhosamente conhecido, trabalha em rádio desde os 16 anos de idade. Começou na rádio Municipalista, emissora de Botucatu, sua cidade natal; trabalhou na Oceânica AM, em Caraguá, na década de 80; e, desde os últimos 12 anos, comanda uns dos principais programas jornalísticos do Litoral Norte, o Jornal Regional, na Caraguá FM.

Sucesso no rádio, Forlim, anda fazendo também muito sucesso,  na produção de uma cachaça artesanal. Há oito anos, ele produz, em seu sítio Favorita, em Natividade da Serra, uma cachaça que leva seu nome “Forlim”, que já ganhou concurso, pela boa qualidade e, se transformou num dos aguardentes mais apreciados da região. Um detalhe chama a atenção: Forlim é abstêmio (não bebe bebida alcoólica) há 26 anos.

Como uma pessoa que não bebe produz uma cachaça tão apreciada?  Segundo Forlim, desde criança, ele sonhava em ser químico e, descobriu no alambique, um grande hobby. Forlim contou que, nem ele e nem seu alambiqueiro, Jair Souza, jamais experimentaram a cachaça que produzem no sítio.“Temos vários amigos que fazem a degustação de nossa cachaça”, explicou.

Forlim produz sua cachaça com cana de açúcar tipo Caçapava, uma das melhores na fabricação de aguardentes artesanais, segundo especialista no ramo. O alambiqueiro Jair, que trabalha com ele há oito anos, é filho de um dos mais antigos “fabricantes” de cachaça artesanal na região de Natividade da Serra e Pouso Alto, seu José Santos. Ou seja, a produção é de pai para filho.

No sítio, existem três alambiques. A produção é armazenada em tonéis de carvalho, um deles, europeu, com capacidade para armazenar 2 mil litros.  Mensalmente, são engarrafados 200 litros. A “Forlim” é distribuída em duas versões: uma envelhecida por um ano; e, outra, com envelhecimento em dois anos, esta última considerada “edição especial” e, mais cara.


O aguardente de cana produzido por Forlim pode ser encontrado em dois pontos de venda em Caraguá. Nesses locais, a primeira versão “Prata” custa R$ 15,00 o litro; a segunda versão, R$ 25,00. Segundo Forlim, toda a arrecadação obtida com a venda da cachaça é destinada às suas ações sociais. Nos pontos de venda, muita gente, principalmente, turista e veranista, adquirem o produto para presentear amigos, ou seja, a cachaça se transformou numa boa lembrança daqueles que visitam a região.  

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Via Orla

SANEAMENTO

       Abastecimento de água, o atual dilema de Ilhabela.

Não é por acaso, que o prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório, busca agilizar com a Sabesp o  investimento em reservação de água na ilha mais visitada do Brasil. É que, se houver uma estiagem muito grande, Ilhabela poderá ficar sem água, pois não existe reservatório no município. O Instituto Ilhabela Sustentável, por exemplo, defende a limitação da entrada de carros na ilha, nos períodos de estiagem e grande movimento turístico, para que não haja prejuízos aos moradores.

A água que abastecer a população vem das cachoeiras do Pombo e Água Branca, onde estão as duas estações de tratamento. A situação já é das mais críticas nas ilhas de Búzios e Vitória. Como a capacidade das duas estações é para abastecer 45 mil pessoas, em caso de estiagem prolongada e, principalmente, em casos de superpopulação, a cidade corre sério risco de ficar sem água. Em feriados prolongados, a superpopulação, aumenta o consumo e isso reduz e muito a pressão da água. Bairros em locais mais elevados, como é o caso do Água Branca, ficam boa parte do dia sem abastecimento.

Segundo o prefeito, nos últimos anos, não teria havido investimentos em reservação de água. Em caso de estiagem prolongada, falta de chuvas e superpopulação, vai faltar água. A idéia do prefeito é construir um reservatório no bairro da Barra Velha para em casos de estiagem prolongada e falta de chuvas, ter água suficiente para atender os moradores.

 “Nos feriados prolongados temos enfrentado esse problema. Temos cobrado da Sabesp investimento no saneamento básico, água e esgoto. Nos últimos anos, devido a crise hídrica de São Paulo, a Sabesp retirou os investimentos na região do Litoral Norte e empreendeu na capital paulista. Nossa região ficou sem investimentos” contou o prefeito.

Tenório informou que nos últimos 46 anos a prefeitura e a Sabesp tem um contrato de escrituração pública e, tão logo, assumiu o governo, solicitou uma prestação de contas pela Sabesp. “A empresa informou que a prefeitura teria uma dívida de R$ 160 milhões referente aos investimentos feitos no município. E, de acordo, com a proposta deles, serão feitos investimentos no prazo de 30 anos para universalizar os atendimentos em água e esgoto. Nós deixamos claro que queremos solucionar isso dentro de seis a oito anos”,  disse.

Em reunião realizada, na semana passada, com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, a proposta de Tenório teria sido aceita pela empresa. O prefeito vai investir em saneamento cerca de R$ 120 milhões nos próximos anos e destinará 10% dos royalties do pré-sal para agilizar os serviços. Tenório sabe que o saneamento, água e esgoto, são fundamentais para o desenvolvimento social e turístico da ilha.

Ilhas


As ilhas de Búzios e Vitória, onde não existem reservatórios, os moradores dependem da ajuda da prefeitura. A estiagem prejudicou e muito os moradores dessas ilhas. Segundo o prefeito, a Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, tem levado água do continente para atender os moradores de Búzios, onde não existe nenhuma cachoeira. Na ilha de Vitória, a prefeitura, através de seus técnicos, investe na implantação de reservatórios independentes, para garantir o fornecimento de água aos moradores.  

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Via Orla

Estradas

Estima-se que o Estado arrecada cerca de R$ 10 milhões em multas na Tamoios.

               Pedágio deve gerar cerca de R$ 7,5 milhões ao mês

Limite de 60 Km/Hora. 
Pesquisando na internet, vi um balanço feito no primeiro semestre do ano passado, pela polícia rodoviária estadual, que entre janeiro e junho de 2016, foi aplicado na rodovia dos Tamoios um total de 45.700 multas, cerca de cinco vezes mais, que as multas aplicadas no mesmo período, no ano anterior (8.600 multas), antes da estrada ser duplicada em seu trecho de planalto.

O número surpreende. Para explorar melhor o assunto e atualizar os números, há 15 dias solicitamos à Polícia Rodoviária Estadual informações sobre o total de multas aplicadas em 2016 ao longo da rodovia, bem como, quais as multas mais aplicadas. Também solicitamos à Concessionária Tamoios informações sobre o VDM(Volume Médio Diário de Veículos) na rodovia para que possamos ter uma ideia de quantos veículos trafegam pela estrada diariamente, oficialmente.

A assessoria de imprensa da Polícia Rodoviária Estadual não respondeu nossas indagações. A Concessionária Tamoios informou que não poderia dar informações sobre a arrecadação dos pedágios, por questões de segurança e, que as demais solicitações, como volume diário de tráfego,   poderiam ser encontradas no site da empresa. Gostaríamos de dar informações precisas aos nossos leitores, mas sem os dados oficiais da Polícia Rodoviária e da Concessionária, infelizmente, isso não será possível.

Multas

Não sou matemático, mas dá para se ter uma ideia da quantidade de multas e de quanto o Estado arrecada com elas. Com base nos dados coletados entre janeiro e junho de 2016 e divulgados pela polícia rodoviária estadual, vimos que foram aplicadas quase 250 multas por dia, numa estrada por onde circula um total de 25 mil veículos diariamente, segundo informações extra-oficiais. Vejam: se multiplicarmos o número de multas apenas pela infração mais cometida, de excesso de velocidade até 20% do estabelecido no trecho, no valor de R$ 85,00, teríamos cerca de R$ 4 milhões de arrecadação apenas no primeiro semestre de 2016. Como muitas multas superam o valor de R$ 85,00, suspeita-se que a arrecadação ao longo do ano passado, apenas com as infrações de trânsito, pode ter chegado aos R$10 milhões.

A Tamoios, principal via de ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte, tem 85 quilômetros de extensão e 12 radares, sendo oito fixos e quatro móveis.  A estrada  mantém limites de 80 quilômetros por hora e, em alguns trechos, de 60 quilômetros por hora. No trecho de serra, existem trechos com 40 quilômetros por hora. É difícil encontrar um motorista, seja ele, turista, veranista ou morador, que ainda não tenha sido multado na rodovia.

Apelo

O prefeito de Caraguá, Aguilar Jr., solicitou ao governador Alckmin, recentemente, que a Secretaria dos Transportes reveja os limites de velocidade na rodovia. O prefeito explicou que são muitas as reclamações feitas pelos motoristas que utilizam a estrada. Alckmin prometeu que a secretaria irá avaliar.

Recentemente, o Portal Tamoios News, publicou uma matéria onde usuários cobram alterações no limite de velocidade estabelecido pela Polícia Rodoviária e Concessionária. Todos os entrevistados lamentaram os limites definidos e cobraram do Estado o aumento da velocidade, pelo menos em alguns trechos. São inúmeras as reclamações.

O interessante é que, quando do lançamento das obras de duplicação da rodovia, o Estado afirmou que o limite seria de 120 quilômetros por hora. Quando as obras forem concluídas em 2020, cerca de 35 mil veículos deverão trafegar por dia na rodovia, segundo previsão feita pelo Estado.  

O trecho de planalto já foi concluído e os pedágios já operam. O limite de velocidade ainda não foi revisto, pelo menos nesse trecho. É que, a Concessionária Tamoios, ainda não concluiu a construção de todas as oito passarelas para pedestres, conforme exige o contrato da obra. Comenta-se, que somente após a construção de todas elas, haveria alteração no limite de velocidade. Que culpa temos nós, usuários, se a construtora responsável pela obra de duplicação ainda não concluiu as passarelas de pedestres ao longo do trecho?

É evidente, que as obras da Tamoios garantem mais segurança e mais conforto aos motoristas. É evidente, que a rodovia aumentou o número de visitantes as cidades da região. Tudo isso é muito bom. Não é legal colocar radares móveis, em sua maioria, escondidos, para dificultar sua localização e ampliar o número de multas. Isso não é correto, muito menos, por parte do Estado. A rodovia do turismo e do progresso do porto de São Sebastião, não pode ser considerada como uma “Indústria de Multas”.  

Pedágio

Os pedágios garantem muito lucro à concessionária. Vamos lá: 25 mil veículos por dia multiplicado por R$ 10,20( valor nos dois pedágios existentes no Km 16,1 em Jambeiro, no valor de R$ 3,70 ; e, no Km 59,3, em Paraibuna, no valor de R$ 6,50) ou seja cobrando-se apenas ida ou volta, daria cerca de R$ 250 mil por dia e, por mês, R$ 7,5 milhões. 


sábado, 21 de outubro de 2017

Via Orla

Criminalidade

Em Caraguá, ladrões não perdoam, nem o santo padroeiro e nem mortos. 

Ontem, furtaram um carro, onde estavam as cinzas de uma senhora,  que seriam lançadas numa das praias da cidade, conforme desejo da falecida ainda em vida.   

santo padroeiro, fica no escuro. 
A criminalidade é um problema grave em todo o país. Em Caraguá, a ação dos marginais está surpreendendo. Os ladrões não estão perdoando nem o santo padroeiro, nem os mortos e muito menos, os prédios públicos.  A polícia faz o que pode, mais sem homens suficientes e viaturas, não tem como fazer um trabalho melhor.

Segundo informações de moradores, no prédio do UPA, ainda em fase final de construção, no Perequê-Mirim, região sul da cidade, foram “roubadas” as grades. No ginásio esportivo, que fica ao lado, teriam “levado” janelas e material dos banheiros. Para evitar a ação dos marginais, a prefeitura teria “fechado”, com paredes, os acessos ao ginásio.

Nesta semana, a coisa surpreendeu realmente. Marginais arrombaram uma sala, que fica embaixo do monumento de Santo Antônio, lá no alto do morro para roubar o gerador, que ilumina o santo padroeiro da cidade. É a segunda vez que isso ocorre. Sem iluminação, a própria prefeitura, está recomendando, que as pessoas evitem subir até o monumento no horário noturno, devido ao risco de furtos e assalto.

Ontem, ocorreu outro caso de furto, desta vez, de um veículo, que estava estacionado próximo ao centro. No carro, estavam as cinzas de N.B.B, uma senhora que faleceu e cujas cinzas, seriam lançadas ao mar, em uma das praias de Caraguá, conforme desejo dela ainda em vida. O caso foi confirmado pela Polícia Militar, conforme boletim de ocorrência feito pela vítima.

Até hoje, pela manhã, o carro não teria sido localizado. Segundo informações, o “radar inteligente”,  utilizado pela polícia rodoviária teria registrado na rodovia dos Tamoios, a passagem do veículo com destino à São José dos Campos.  As cinzas da mulher estavam em um saquinho plástico, dentro do veículo furtado, uma Paraty, de cor bege, de placas BJH-4406.

Imaginem vocês o desespero da filha de dona N.B.B. A filha é quem teria ficado com a missão de "lançar" as cinzas da mãe no mar. Quem imaginaria que iriam furtar um carro, próximo ao centro, sendo que dentro do veículo, estavam as cinzas de alguém da família.  Quando o caso apareceu nas redes sociais, quase ninguém acreditou. A maioria, imaginou, que se tratava de uma brincadeira. Mas, infelizmente, era verdade. Triste.  Tomara que a polícia encontre o carro, recupere as cinzas e que elas sejam lançadas ao mar, conforme desejo de dona N.B.B.   


   

Via Orla

Histórias

O menino Tiago e o Jabuti

Tiago e o Jabuti
Estive na manhã deste sábado, dia 21, nas casinhas populares do bairro do Getuba, em Caraguá. E, uma cena me chamou muito a atenção. Percebi várias crianças brincando num jardim com um Jabuti. Uma cena um pouco rara. Na maioria das vezes, essa garotada está conectada na internet, brincando num computador, jogando games, ou com um celular nas mãos. Talvez, jogando bola.

Fui falar com a garotada. O “dono” do Jabuti era o Tiago Ferreira da Silva, de 8 anos. Um menino esperto, inteligente e muito carinhoso com seu animal de estimação. O Jabuti é uma fêmea, de idade não conhecida e tem o apelido de “Marina”. Tiago passa a maior parte do dia com o animal. “Ela, o Jabuti ou Jabota(nome dado as fêmeas), adora passear, se esconder e nadar”, conta Tiago.

“Marina” vive cercada pelos amiguinhos e amiguinhas de Tiago. A maioria,. Quer pegá-la no colo ou passear com ela. Tiago é muito ciumento, deixa os colegas brincarem com ela, mas não por muito tempo. Ele está há dois meses com o Jabuti. Fora das aulas, vive praticamente o dia inteiro com o animal, assim como, sua irmã Giovana, de 8 anos.

Conversei com a mãe de Tiago, dona Sheila é entendi o que está acontecendo. Segundo ela, Tiago é asmático e não pode ter animais de estimação como cachorro ou gato. O Jabuti é super limpo. Ela disse que procurou uma tartaruga ou jabuti para Tiago, por recomendação de uma pediatra. Tentou obter uma tartaruga no Tamar de Ubatuba, mas não conseguiu. O Jabuti foi dado pelo avô do menino que mora no Rio de Janeiro.

Crianças brincam com o jabuti
“O Jabuti ajuda a curar a asma dele”, disse ela. Ela afirmou que, antes do Jaboti chegar, Tiago vivia sendo internado. Nos dois meses em que o Jabuti está com a família, Tiago melhorou e, muito, segundo dona Sheila. Ela disse ainda que o fato do Jabuti se transformar no animal de estimação do menino, também colaborou na melhora de sua saúde. “Ele sempre quis ter um cachorro ou gato, mais infelizmente, por ser asmático, não podia ter. Tiago adora conviver com o animal”, contou.

Crença popular

Assim como dona Sheila, mãe do Tiago, muita gente acredita que “tartaruga ou jabuti” curam problemas respiratórios como asma ou bronquite. Dona Sheila, por exemplo, garante que o Jabuti “aspira” os fungos de sua casa, que fazem mal para Tiago. Segundo ela, o menino dorme embaixo da cama dele.

No Brasil, 30% da população sofrem com esses problemas alérgicos, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia(ABAI). Para a ABAI e muitos profissionais de saúde, no entanto, trata-se de uma simpatia popular que provavelmente tem fama pela fé das pessoas, não porque o Jabuti de fato, tenha alguma interferência no tratamento dessas doenças alérgicas.

No Brasil, ter fé, significa muito. A maioria dos brasileiros acredita em simpatias populares. Quem não pôs em prática algumas delas? Em quantos, não obtiveram resultados positivos? No caso do menino Tiago, acredito que, o animalzinho de estimação, a “Marina” esteja lhe fazendo muito bem. Seja na sua saúde, seja no seu relacionamento. O menino é muito feliz. E, gente, felicidade, ajuda a curar muitos males.  



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Via Orla

Meio Ambiente
IF terá palestra sobre baleias e golfinhos no Litoral Norte.

Jubarte "saltando" próximo a costa de Ilhabela. Foto: Arlaine Francisco. 
O IF(Instituto Federal) de Caraguá terá uma palestra das mais interessantes, nesta sexta-feira, dia 20, com início previsto para às 18h30. A entrada é gratuita. O diretor de meio ambiente do Yatch Club de Ilhabela, Júlio Cardoso, será o palestrante.
Cardoso, ex-presidente de multinacionais como Sadia e Kibon, pesquisa há13 anos a presença de baleias e golfinhos na região. Hoje, é uma das pessoas requisitadas por ONGs e estudiosos sobre o assunto. Cardoso tem registro de mais de 120 mamíferos avistados em nossa região.
Cardoso mora em São Paulo e tem casa de veraneio em São Sebastião. Com sua lancha, passou a fotografar e anotar dados sobre os mamíferos que encontrava no mar, principalmente, entre o canal de São Sebastião e Ilhabela. O objetivo era colaborar com os pesquisadores informando as espécies, se eram adultas ou jovens,comportamento, local e frequências da aparição de golfinhos e baleias.
Segundo ele, tudo começou como um hobby, mas tornou-se atividade séria depois que ele se aposentou, há seis anos, e assumiu a diretoria do Yatch Club de Ilhabela. Cardoso tem notado que cada vez mais baleias e golfinhos têm aparecido na região.
Segundo ele, era raríssimo ver essa espécie por aqui.” Eu só tinha observado três delas desde que comecei nessa atividade”, comentou, em recente entrevista a revista Veja. Durante o tempo em que trabalhei na Folha e no ValeParaibano registrei pelos menos 12 baleias aqui no Litoral Norte.
As baleias jubartes cruzam o mar do Litoral Norte em destino a Abrolhos, na Bahia, para reproduzir. Isso ocorre, principalmente, no verão, saem de lá rumo à Antártida em busca de alimento. No inverno, o caminho é ao contrário e também, podem ser vista por aqui.  Alguns grupos, nadam longe da costa, dificultando o registro.
A palestra de Cardoso promete ser das mais interessantes. O legal é sua ideia de transformar o Litoral Norte num ponto de observação de mamíferos, golfinhos e baleias. Sou totalmente favorável.
Ponto de Observação 
Para que isso seja possível, seria legal se todos os biólogos, oceanógrafos, pesquisadores, pescadores e todos aqueles que vão para o mar, turistas e veranistas, fizessem fotos e informassem o local das aparições. Com um banco de dados, coordenado talvez, pelo próprio Cardoso ou uma das ONGs que atuam na região, seria possível saber o período e o local onde os mamíferos mais aparecem. 
E, transformar isso, em atrativo turístico. Vale a pena, desde que, todos se empenhem nisso. Tem muita gente interessada em ver baleias e golfinhos no mar. Lembro que, em 2005, duas baleias que nadavam, próximo a praia de Massaguaçu, em Caraguá, provocaram um enorme congestionamento na rodovia Rio-Santos, por que todos pararam seus veículos, por cerca de uma hora e meia, para apreciarem as baleias.
Temos que acreditar na possibilidade de observação de mamíferos em nossas praias. Empresas de turismo náutico e, de fretamento de lanchas, comentam que, ultimamente,  muita gente faz passeios de escuna ou aluga lanchas,para poder ver e fazer selfies ou fotos de baleias e golfinhos em nossa região.
A presença de baleias  jubartes, por exemplo, tem aumentado na costa brasileira nos últimos anos. Em 2002 eram cerca de 3 000. Segundo estudiosos, hoje, a quantidade mais que quintuplicou, em grande parte devido ao trabalho de organizações de proteção ambiental.

Aqui no Litoral Norte, segundo o oceanógrafo Hugo Gallo, do Aquário de Ubatuba, cresceu as aparições. Segundo ele, talvez pela maior oferta de alimento. Segundo ele, as mudanças climáticas também podem ter contribuído. Crescem as aparições, mais também, crescem o registro de mamíferos encontrado mortos, boa parte deles, enroscados em redes, engasgados com saco plástico ou ferido por hélices das embarcações. Todo cuidado é pouco e toda conscientização é fundamental para evitar essas mortes. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Via Orla

Saneamento

   Prefeitos fazem severas críticas ao presidente da Sabesp, Jelson Kelman.

      Prefeituras cobram mais agilidade nos investimentos.

Os quatro prefeitos do Litoral Norte, Aguilar Júnior, Felipe Augusto, Délcio Sato e Márcio Tenório, reunidos na manhã desta quinta-feira, em Caraguá, fizeram críticas pesadas ao presidente da Sabesp, Jerson Kelman. Segundo queixas dos prefeitos, o presidente da Sabesp tem tratado muito mal todos eles, por considerar a região como “deficitária” para a empresa. As prefeituras querem criar uma agência reguladora para fiscalizar a Sabesp.  

Segundo eles, a superintendência do Litoral Norte tem sido muito parceira das prefeituras, mais a atenção destinada à região, pelo presidente da empresa é lamentável. “Ele tem afirmado aos prefeitos, que o Litoral Norte é uma região deficitária e que, se os prefeitos estiverem descontentes com a atuação da empresa, não precisam renovar os contratos”, disse Felipe Augusto (PSDB), prefeito de São Sebastião.

“Kelman é ruim, inábil e incompetente; não conhece o estado de São Paulo, ele é do Rio de Janeiro. E, tem pouquíssimas informações sobre o Litoral Norte, região que considera deficitária para a empresa. Ele, inclusive, tem tratado muito mal os prefeitos, como ocorreu com o prefeito de Caraguá, Aguilar Júnior, em recente reunião com ele”, disse Felipe Augusto.

As quatro cidades estão com seus contratos vencidos, mais só pretendem renovar, se a empresa agilizar os investimentos previstos.  Os prefeitos cobram da empresa investimentos em água e esgoto num curto prazo e não, de acordo, com o cronograma apresentada por ela.  “Cobramos investimentos no prazo de seis a oito anos. Água e esgoto são nossas prioridades”, disse Felipe.  

“A presidência deixou claro que a Sabesp no Litoral Norte só dá prejuízo para a empresa e que se a gente quiser, é só devolver o que foi investido pela empresa. Não concordamos com isso. Queremos investimentos. Se não der certo, vamos procurar outro caminho, do jeito que esta, não dá mais, nossa população será prejudicada”, disse Aguilar Júnior(PMDB).

Segundo Delcio Sato(PSD), prefeito de Ubatuba, considerada a cidade menos atendida pela Sabesp, à falta de investimentos por parte da empresa tem prejudicado e muito o município. “Nenhum empresário quer investir em uma cidade com serviços deficitários em água e esgoto. Quando a Sabesp deixa de investir, ela deixa de arrecadar mais e ainda prejudica o desenvolvimento de nossa cidade e região”, comentou.

Márcio Tenório (PMDB), prefeito de Ilhabela, era um dos mais indignados com a situação. No último feriado, faltou água em vários bairros da ilha. “Nos últimos anos, devido a crise hídrica no Estado de São Paulo, a Sabesp  concentrou seus investimentos na capital e não investiu nada em nossa região. Queremos mais investimentos, num prazo menor”, comentou. Ele deixou a reunião em Caraguá, acompanhado de sua assessoria jurídica para se reunir com o presidente da empresa, Jerson Kelman, para cobrar investimentos urgentes em Ilhabela.  

Situação crítica

Segundo dados obtidos com o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte, apenas 48% do esgoto produzido pela população residente da região é coletado, dos quais 37% é tratado. Ou seja, menos da metade do que é produzido é coletado, e a situação fica mais crítica nos meses de verão, com a presença de milhares de turistas e veranistas. Segundo o CBHLN, apesar dos investimentos feitos pela Sabesp a região ainda está muito longe de atingir a média de cobertura dos serviços de esgotamento sanitário do Estado de São Paulo.

O quadro atual de saneamento básico nas cidades da região é a seguinte: Ilhabela tem 82% da população atendida por água; e, 42% de seu esgoto coletado; São Sebastião tem 70% da população atendida por água e, 53% de seu esgoto coletado; Caraguá tem 92% da população atendida por água e, 76% de seu esgoto coletado; e, em Ubatuba, a situação é das mais críticas, 80% da população é servida por água, mais apenas 40% dela tem esgoto coletado.

Em São Sebastião, por exemplo, praias conhecidas internacionalmente, como Maresias, não tem coleta e tratamento de esgoto. A coleta de esgoto não existe também em praias como Barra do Una, Toque Toque Grande e Guaecá, entre outras. Em Caraguá, pela previsão da Sabesp, a rede de esgoto no bairro Golfinhos, por exemplo, deve ser concluída até 2042.

“Os investimentos previstos pela Sabesp devem universalizar esses serviços (água e esgoto) até 2042. Nós, prefeitos, queremos agilizar isso o máximo possível, num prazo de 8 anos”, disse Márcio Tenório. A prefeitura da ilha deverá investir R$ 120 milhões em saneamento básico nos próximos 3 anos e destinou 10% da receita do royalties do pré-sal para o saneamento básico. “Água e esgoto são prioritários para nossa região que vive e depende do turismo”, finalizou Tenório.

Outro Lado

O superintendente de Assuntos Regulatórios da Sabesp no Estado de São Paulo, Marçal Sanches, presente à reunião, disse que, levará ao presidente da empresa, Jerson Kelman, as reivindicações feitas pelos prefeitos do Litoral Norte. “Vamos encaminhar à direção da empresa as considerações feitas pelos prefeitos e manter o diálogo. É de interesse da empresa, manter os serviços de água e esgoto, trata-se de um serviço de natureza pública e indispensável, que não pode haver descontinuidade. Vamos fazer todo esforço possível para manter isso e chegar num bom termo com os prefeitos”, disse ele.

Porque a Sabesp alega que o Litoral Norte é uma região deficitária?  Esse é um ponto que tem que ser discutido no contrato, com relação aos investimentos, que ainda devem ser feitos, com relação às receitas, que são oriundas da prestação de serviços. Isso tudo tem que ser discutido no âmbito da negociação do contrato, que é onde nós estamos nesse momento.


A tarifa cobrada no Litoral Norte é mais cara que as praticada em outras regiões? As tarifas são definidas pela Agência Reguladora de Saneamento do Estado de São Paulo. As tarifas praticadas tem uma certa isonomia entre elas, com raras exceções, com pequenas divergências, mais elas prcuream manter um padrão único. A tarifa cobrada no Litoral Norte está equiparada a cobrada na região metropolitana, com certeza. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Via Orla

Gente

         Avô de MC Guimê passa por dificuldades em Caraguá.

       Ex-radialista, Nerli Amaral, foi líder de audiência durante 30 anos.


Avô de Guimê, em dificuldades. 
Aos 74 anos de idade, o ex-radialista Nerli Amaral, de Caraguá, está passando por muitas dificuldades em sua cidade. Desempregado desde janeiro, para sobreviver e manter a família, ele tem vendido as coisas de sua casa. Nerli Amaral é o radialista mais antigo do Litoral Norte. Durante mais de 30 anos foi líder de audiência na região, comandando programas sertanejos pela rádio Oceânica, a mais antiga do Litoral Norte. Com a chegada das rádios FMs, na década de 90, as emissoras de AM foram perdendo audiência. Como radialista, ele comandou três programas de muito sucesso: Alvorada Sertaneja, das 5 às 8 horas; Tarde Sertaneja, das 17 às 19 horas; e, aos domingo, Alô Bom Dia, das 5 às 12 horas. Deixou a carreira há 15 anos. 

Em seus programas, passaram cantores de muito sucesso, entre eles, Paulo Sérgio, Chitãozinho e Xororó e Tonico e Tinoco. Eles se apresentavam ao vivo, para lançar seus discos e, mais tarde, CDs. E, também, quando eles faziam shows em circos ou nos cinemas da região, nas décadas de 70 e 80. Líder em audiência e famoso no rádio, Nerli Amaral, no entanto, não conseguiu sucesso financeiro. Trabalhou em rádio até 2002. Logo após encerrar a carreira de locutor e apresentador, foi contratado pela prefeitura de Caraguá, para ser zelador de uma quadra de esportes, no bairro do Morro do Algodão. Ficou lá até dezembro, em janeiro, foi demitido pela atual administração da cidade.

Nerli mora com a família em uma casa popular no Perequê-Mirim. Paga R$ 60,00 por mês, na casa conseguida no programa Minha Casa. Minha Vida. Não conseguiu se aposentar. Nunca teve carteira registrada na rádio onde trabalhou por 42 anos.
“Tenho que trabalhar para manter a família, mais tá muito difícil conseguir emprego. Estou vendendo coisas de minha casa para poder pagar as prestações da casa e alimentar a família”, comentou ele. Apesar de ser muito popular, Nerli não consegue emprego na cidade.

MC Guimê

Guimê, neto de Nerli.
Desesperado ele enviou recentemente uma carta para o programa Domingo Show, apresentado por Geraldo Luiz, na TV Record, pedindo ajuda. “ Gostaria de contar a minha história e, talvez, conseguir ajuda ou um emprego. Tenho boas lembranças das histórias que vivi com os maiores cantores sertanejos do Brasil”, disse. Até hoje, não recebeu respostas.

Sucesso no rádio até 2002.
Nerli tem realmente muitas histórias e causos legais envolvendo cantores famosos que se apresentaram em seus programas. Foi muito amigo dos avós de Chitãozinho e Xororó, dona Santa e Tenente Torres, que viveram muitos anos no bairro do Ipiranga, em Caraguá. “Quantas vezes não ajudei a empurrar o fusquinha, que a dupla tinha, quando eles se apresentavam na região. Tem cantor que levei na garupa da bicicleta para se apresentar no circo”, relembra.

Nerli tem três filhas: Cristina, Patrícia e Aurélia. Cris é a mãe de Guilherme Aparecido Dantas e Rodrigo Aparecido Dantas. Guilherme é nada menos que o famoso cantor MC Guimê. Nerli lembra que conviveu com o neto até os 12 anos, quando ele foi morar com o pai, em Osasco. “Levava ele para nadar nas praias da cidade e jogar bola nos campinhos da cidade”, recorda.

Nerli afirmou que não vê o neto há mais de 10 anos. “Só vejo ele pela TV. Ele se apresentou aqui em Caraguá há uns quatro anos, mas não consegui entrar na Lost (casa de shows que promoveu o show) para vê-lo cantar. Acompanho seu sucesso e torço por ele, mais gostaria que ele me ajudasse”.

Segundo Nerli, há uns quatro anos Guimê mandou um recado para ele. “Ele me perguntou o que gostaria de ganhar dele. Pedi um carro popular, nas cores preta ou prata. Na época, estava trabalhando, não passava por tantas dificuldades. O tempo foi passando e não recebi nada”, comentou. Segundo ele, Guimê ajuda a mãe, sua filha Cris, lhe dando dinheiro todo  mês. 

“Gostaria de contar com a ajuda dele nesse momento de muitas dificuldades. Sei que ele ganha muito bem, apesar de seu ex-empresário ter-lhe passado a perna. É um cantor de muito sucesso e, hoje, também é empresário no ramo de óculos de praia. Não perco as esperanças de ele me ajudar. É meu neto”, finalizou.        
   


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Via Orla

Estradas

Congestionamentos na Rio-Santos revoltam moradores e turistas

            Estado está demorando demais para duplicar a Rio-Santos

O turista gasta, no máximo, 3 horas para viajar de São Paulo até Caraguatatuba, num percurso de 180 quilômetros. Já, para se deslocar de Caraguá até Ubatuba, num trecho de 55 quilômetros, chega a levar mais de 8 horas. Isso, tem sido muito comum, nos feriados prolongados, há muito tempo.  A mesma situação enfrenta quem se hospeda em Caraguá e, quer pegar uma praia em Ubatuba, nos feriados: perde mais de três  horas no trânsito, no trecho entre o centro da cidade e a praia da Tabatinga ou Maranduba.

Os congestionamentos na Rio-Santos prejudicam também os comerciantes estabelecidos ao longo da rodovia e os trabalhadores. Os comerciantes, devido ao tráfego carregado, enfrentam problemas com o abastecimento de seus comércios. Os trabalhadores, também, pelo mesmo motivo, chegam atrasados em seus empregos.  Os caminhões de entrega não conseguem cumprir seus compromissos e,  ônibus, não conseguem cumprir seus horários. Todos sofrem com esta situação.

O problema é dos mais graves e, ameaça o desenvolvimento do turismo na região. Turistas e veranistas, cada vez mais, tem evitado frequentar o Litoral Norte nesses períodos. Muitos veranistas já pensam em vender seus imóveis e ir frequentar outros lugares. Essa situação tem prejudicado o comércio, a hotelaria e os negócios e, devem causar prejuízos também aos trabalhadores. O que fazer?

O Estado deve concluir as obras de duplicação do trecho de serra da Tamoios em março do ano que vem. Os contornos para Ubatuba e São Sebastião devem ser finalizados em setembro de 2018. Com essas obras concluídas, deve piorar ainda mais os congestionamentos na rodovia Rio-Santos. O número de turistas deverá aumentar. A Rio-Santos não tem como comportar tanto movimento nos feriados. O Estado não tem projetos ou recursos, este ano, para investir na duplicação da rodovia. O que fazer?

Desesperados, comerciantes e hoteleiros cobram providências imediatas. Cobram, por exemplo, o uso do acostamento na Rio-Santos para “agilizar” o tráfego entre Caraguá e Ubatuba. Outros, cobram o fim das lombadas ou obstáculos na rodovia. A prefeitura de Caraguá inicia a obra de duplicação de uma ponte no Getuba para tentar melhorar o tráfego nos feriados prolongados. São medidas emergenciais, que talvez, poucos resultados podem causar. O correto mesmo, é duplicar a Rio-Santos.  Uma reivindicação feita há mais de oito anos e, até agora, não atendida pelo governo do Estado.  

Os prefeitos devem se sensibilizar e pressionar o governador para que a duplicação seja feita o mais rápido possível. Essa obra (duplicação da Rio-Santos) é mais do que necessária. O futuro do turismo no Litoral Norte, depende disso. A mesma situação, vive os municípios do litoral sul. Lá, também cobram há muito tempo, a duplicação da rodovia Rio-Santos. Essa estrada, que corta o litoral paulista, é de fundamental importância para o desenvolvimento do turismo, há muito tempo, o segmento que movimenta a economia local: a hotelaria, o comércio, a construção civil e a geração de emprego e renda. 


O Estado demorou para investir no saneamento básico. Até 15 anos atrás a maioria das praias viviam poluídas e sem condições de uso. Hoje, temos cerca de 75% do esgoto da região coletado e tratado. O Estado demorou para investir na duplicação da Tamoios.  Até alguns anos atrás, trafegar pela Tamoios era um verdadeiro dilema. Hoje, a estrada é moderna e segura. No ano que vem, teremos a duplicação do trecho de serra e os contornos. O Estado não deve demorar muitos anos para duplicar a Rio-Santos. Será tarde demais...         

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Via Orla

Estradas

Alckmin promete entregar, em março, duplicação do trecho de serra da Tamoios.

Contornos para Ubatuba e São Sebastião serão concluídos em setembro do ano que vem.

Alckmin, hoje, em São Sebastião. 
O governador Geraldo Alckmin esteve hoje no Litoral Norte. Ele visitou São Sebastião. Alckmin garantiu que em março do ano que vem será entregue a duplicação do trecho de serra da rodovia dos Tamoios. E, que os contornos para Ubatuba e São Sebastião, serão concluídos em setembro do ano que vem. 

Alckmin também afirmou que a duplicação da Carvalho Pinto, até a rodovia Oswaldo Cruz, que dá acesso à Ubatuba, também será concluída em março do próximo ano. Essas obras, bem como, a construção do hospital regional do Litoral Norte, são prioritárias para o desenvolvimento do turismo na região e servem como “vitrine” para o governador, que pretende disputar as eleições para presidente.  

O governador, que adora usar frases de efeito, disse que, essas obras são “macuco no emborná”, ou seja, "favas contadas" pois possuem recursos garantidos e não correm o risco de serem paralisadas.  Alckmin não soube informar se haverá recursos para duplicação da rodovia Rio-Santos, nos trechos entre Caraguá/Ubatuba e Caraguá/São Sebastião. Segundo ele, esse assunto deveria ser tratado com o Laurence Casagrande, diretor presidente da Dersa.

Existem inúmeras reclamações e, pedidos dos prefeitos, para que o Estado invista na Rio-Santos. Nos feriados, por exemplo, uma viagem entre Caraguá a Ubatuba chega a demorar mais de oito horas. O percurso tem  55 quilômetros, que em dias de semana, é percorrido em no máximo uma hora. Também, são inúmeras as reclamações, sobre o limite de velocidade na Tamoios, que varia de 60 a 80 quilômetros por hora. Os usuários querem que o Estado aumente a velocidade para 100 quilômetros por hora.

Interior

Alckmin também falou sobre o projeto de trem de passageiros. Segundo ele, existe um projeto em discussão com o governo federal para implantar linhas ao lado das linhas dos trens de carga, para evitar desapropriações e baratear os custos. A primeira linha, de trem de passageiros, deverá ser instalada entre a capital, Campinas e Americana. Posteriormente, as linhas que vão ligar a capital a Santos; até Sorocaba; e, até Taubaté, no Vale do Paraíba. “Chegou a hora de investir deixar de investir em rodovias para investir em ferrovias”, comentou o governador.

Eleições


Alckmin foi questionado sobre suas pretensões em disputar a Presidência da República. Mais uma vez, deu uma de mineirinho. “ As eleições serão apenas no ano que vem. Entendo que o país precisa retomar seu crescimento, voltar a crescer. O Brasil está há três anos em recessão, perdeu 9% do PIB e tem 13 milhões de desempregados. A economia mundial vai bem. Tem dinheiro de sobra para investimentos. Os países emergentes crescem de 4 a 5% ao ano. A China cresce 6%, a Índia, 7%. Temos que investir em infraestrutura, saneamento, moradias e construção civil. São investimentos fundamentais para a geração de empregos. Tudo tem o seu tempo. O tempo é o ano que vem. Não depende só de mim”,  comentou.  

Cano   

Alckmin não foi a Ubatuba, onde tinha compromissos com o prefeito Sato. Enviou o chefe da Casa Civil, deputado Samuel Moreira. Alckmin iria participar da inauguração do Centro de Capacitação Profissional e do Polo Regional de Padaria Artesanal. A ausência do governador causou profundo mal estar entre as cerca de 500 pessoas presentes. Um dos mais chateados era o prefeito Sato. Pode ser, que Alckmin, procurou evitar contato com manifestantes, vários moradores do Perequê-Açu, que cobravam saneamento básico no bairro. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Via Orla

Memória

Descrição: O Jornal de todos Brasis

Reproduzo aqui, uma matéria muito legal, produzida pelo site Informar Ubatuba e, também também publicado no site do Luis Nassif.  Fala sobre a igreja dos escravos. As fotos são de Renata Takahashi. Um ato realizado no domingo, dia 8, em Ubatuba, uniu religiões e resgatou história da “Igreja dos Escravos”. Vejam:
No século retrasado os negros eram impedidos de frequentar a mesma igreja que os brancos. Os senhores de Ubatuba iam à Matriz. A igreja da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em frente à praia do Cruzeiro, era o lugar onde os negros podiam expressar sua espiritualidade.
No último domingo, 8, porém, frei Avelar, um padre negro, e pai Edison Soler, um babalorixá branco, sentaram-se lado a lado e, cada um à sua maneira, falaram palavras de amor e respeito em um ato público que uniu cristãos, adeptos do candomblé e pessoas diversas no local onde ficava a antiga “igreja do negros”, lugar hoje chamado de Praça da Paz. 
Além do resgate histórico, o ato foi oportunidade de oração e manifestação conjunta contra a violência e a intolerância religiosa. O evento começou com um cortejo do Maracatu Itaomi e terminou com uma missa na matriz Exaltação Santa Cruz.
Para frei Avelar, “é muito significativo que isso seja realizado hoje por que nós estamos prestes a comemorar os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida”, a imagem da Virgem negra, encontrada no rio Paraíba. Ele lembrou que há diferentes manifestações de devoção a Maria no mundo devido à pluralidade das culturas, mas que todos os títulos e representações seriam da mesma mãe de Jesus. “O que importa é abrir o coração para ela e pro seu filho Jesus”, disse o franciscano.

Pai Edison lembrou da importância da união das religiões em prol da paz: “Somos todos filhos de Deus, somos todos seres humanos, somos todos frágeis”, disse o babalorixá. Ele, que é mestre de maracatu, afirmou que pretende realizar vários “baques” e coroações no local cujo significado o ato se propõe a resgatar.

HISTORIADORES
Os historiadores José Euclides “Zizinho” Vigneron e Leandro Cruz usaram a palavra para explicar o significado daquele lugar.
Vigneron contou que a irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos existiu em Ubatuba de 1809 até pelo menos 1897, quase dez anos após a abolição da escravidão. A igrejinha ficaria de pé ainda até 1913, quando foi parcialmente destruída por um incêndio supostamente causado por “um fenômeno da natureza que até hoje não está bem esclarecido”. Adornos da igreja que escaparam do incêndio foram usados no altar-mor da Igreja Matriz que estava inacabado.

O historiador e ex-prefeito Zizinho Vigneron falou ainda sobre a imagem da Virgem do Rosário que ficava na igreja dos escravos e que foi exposta ao público durante o ato de domingo pela primeira vez em décadas. A imagem teria sido confeccionada pelo escultor português Manuel José Vieira, na cidade de Braga.
Leandro Cruz, historiador e jornalista, lembrou que para o Brasil foram trazidos pessoas escravizadas em diferentes regiões da África, com línguas, religiões e culturas diversas. Essas pessoas eram arrancadas de suas famílias e levadas para um lugar onde eram impossibilitados de reproduzir seus cultos e sua cultura. “Suas canções não foram mais cantadas, muitas de suas histórias, antes passadas de geração em geração, não foram mais contadas. A criança arrancada da mãe, o roubo da identidade, a teia de significados que explicava o mundo e a ligava a seus antepassados sendo rasgada, isso foi a maior violência. Maior talvez que o chicote e o trabalho forçado”, estimou Leandro Cruz.

“Então esses homens precisam se reconstruir e construir novas identidades, novos lugares de encontro. A Irmandade do Rosário teve esse papel”, disse o historiador que lembrou que além dos serviços religiosos as irmandades eram um lugar de encontro onde acontecia a socialização, as festas, a ajuda mútua.
No interior das irmandades negras que se formaram em todo o Brasil surgiram formas originais de cristianismo, com influência sobretudo da cultura do antigo reino bantu do Congo, um reino africano cristão onde já existia devoção à Virgem do Rosário antes mesmo da descoberta do Brasil. Daí teria surgido a tradição católica das congadas, em que a Virgem do Rosário e santos negros como São Benedito e Santa Ifigênia são homenageados com o toque de tambores.
Negros de outros origens, como os nagôs ou iorubás, também frequentavam as toleradas irmandades católicas de homens pretos uma vez que as outras manifestações de religiosidade negra eram ainda mais reprimidas pelos senhores. Nesse espaço de encontros, elementos de uma cultura acabavam incorporados por outra. Essa seria a razão pela qual no candomblé também são venerados alguns santos católicos, inclusive identificando alguns deles com entidades da antiga religião iorubá.
Essa tolerância, porém, era limitada, lembrou Cruz, citando um trecho de um processo criminal de 1831 em que o padre Emídio foi acusado de colaborar com um suposto plano de rebelião escrava pelo simples fato de permitir que os negro da irmandade fizessem “batuques” em sua casa.
CULTURA E RESISTÊNCIA
Jorge Garcia Basso, doutor em Educação, falou sobre a necessidade de a história dos africanos e afro-brasileiros ser ensinada nas escolas. “Atos como esse são necessários para a valorização da cultura negra”, opinou.

Mario Gabriel do Prado, líder comunitário do Quilombo da Caçandoca falou da luta dos negros e das comunidades tradicionais. “Nós continuamos a ser escravos até hoje. A nossa luta não acabou”, disse lembrando dos desafios que o povo negro ainda enfrenta, como o preconceito de cor e religião, além dos interesses econômicos da especulação imobiliária sobre os territórios das comunidades tradicionais quilombolas.

Rogério Estavenel, coordenador da Pastoral Fé e Cultura da Diocese de Caraguatatuba chamou a atenção para a importância do diálogo interreligioso. “Nós (católicos e candomblecisas) temos muito mais coisas que nos unem do que coisas que nos separam.”

Nalva Barbosa, educadora e fundadora do Instituto da Árvore e integrante do Maracatu Itaomi, chamou a atenção para mazelas cotidianas que permanecem até hoje, como o racismo contra indígenas e a violência contra a mulher. “O candomblé é uma religião de paz”, lembrou.

Finalizando o ato, Frei Valdevan disse que “esse é um momento em que nós devemos unir forças, porque a escravidão não acabou, só mudou de roupagem”.

Após essa última fala, o músico e biólogo Henrique Becker puxou uma música em louvor à Virgem do Rosário acompanhado pelos tambores do maracatu que acompanharam a imagem de volta até a igreja Matriz Exaltação à Santa Cruz:
” Pela Virgem do Rosário
Os tambores vieram tocar
Traz à luz do passado uma história
Que o tempo não pode apagar!”

Cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Vale e Litoral Norte, segundo IBGE

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