Acesso entre Vale e litoral, rodovia começa hoje a receber sinalização para as obras a partir da próxima quarta-feira
Filipe Manoukian
Enviado especial a São Paulo
Após quase 18 anos de espera, o governo do Estado começa hoje a obra de duplicação da Rodovia dos Tamoios (SP-99), com o trabalho de sinalização da via. A obra efetiva tem início no próximo dia 2.
As datas foram anunciadas ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em evento no Palácio dos Bandeirantes, na capital.
Na ocasião, ele assinou os contratos para execução do serviço, a ser prestado pelas empresas Encalso e S.A. Paulista, que, em consórcio, venceram os dois lotes da licitação para duplicar o trecho de planalto da rodovia.
Promessa recorrente dos governos tucanos desde 1994, a duplicação da Tamoios nasceu na campanha do governador eleito naquele ano, Mário Covas, a partir de demanda apresentada pelos prefeitos da região.
Depois, ela voltou a ser objeto de campanha eleitoral com o próprio Alckmin, em 2002, posteriormente eleito, e com o ex-governador José Serra, em 2006, também eleito.
Em 2010, antes das eleições, Alckmin classificou a duplicação como a principal obra estadual a ser realizada no seu governo.
“A duplicação é uma obra estratégica sob o ponto de vista do desenvolvimento de São Paulo, para atrair novas empresas, para a indústria do pré-sal, para o turismo, para a indústria do Vale do Paraíba e do Estado”, afirmou, ontem, o governador.
Ao assumir, no ano passado, Alckmin prometeu o início das obras para janeiro deste ano, prazo posteriormente revisto para março e, agora, para maio.
Cronograma. Ontem, o diretor-presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Laurence Casagrande Lourenço, afirmou que o consórcio Encalso - S.A. Paulista já tem um terreno separado, no km 50 da Tamoios, para instalar seu canteiro de obras.
Já há alguns dias, funcionários do consórcio estariam realizando serviços de topografia na rodovia.
No cronograma apresentando pelo governador, está prevista a colocação de 22 placas de sinalização indicando as obras ao longo da SP-99 até a próxima sexta-feira.
No dia 2, as obras começam efetivamente. Divididos em dois lotes, os serviços devem durar 20 meses --cruzando a próxima temporada de verão 2012/2013 e chegando até janeiro de 2014.
O consórcio Encalso - S.A. Paulista realizará a duplicação de todo o trecho de planalto, cerca de 49 quilômetros, por R$ 557,4 milhões.
O restante do projeto, que abrange a duplicação do trecho de serra e contornos viários no Litoral Norte, está em fase de análise. Os estudos, segundo Alckmin, devem ser concluídos até novembro.
Projeto. No trecho de planalto, a duplicação se dará em pista contígua à existente. Após as obras, a Tamoios contará com duas faixas de tráfego por sentido com 3,60 metros cada, mais acostamento e faixa de segurança.
“Você também tem 14 obras de arte ao longo da Tamoios entre viadutos, pontes, e passarelas”, afirmou o secretário de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho.
O projeto ainda prevê desapropriações (leia mais ao lado) e a construção oito quilômetros de ciclovia em trechos da rodovia em Paraibuna.
Lourenço garantiu que os trabalhos não devem causar grandes transtornos aos usuários da SP-99, mesmo àqueles que moram às margens da via.
“Haverá um cuidado muito grande com a operação da pista justamente para que esse transtorno seja minimizado. Não haverá em nenhuma hipóteses segregação ou isolamento de bairros”, disse.
Dersa diz que avaliação de indenizações será individual
Enviado especial a São Paulo
O diretor-presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço, afirmou ontem, em resposta a uma preocupação do prefeito de Paraibuna, Antonio Marcos de Barros (PSD), que o Estado deverá avaliar individualmente os casos de desapropriações exigidas pelas obras de duplicação.
O prefeito se mostrou preocupado especialmente com os casos dos comerciantes que vivem às margens da SP-99.
“Os que são regulares passarão por um processo de avaliação, (e deverão receber o) valor de mercado (pelo terreno e imóvel)”, disse.
“Aqueles que são irregulares, haverá um estudo caso a caso. Se houver direito, esse direito será respeitado. Agora, se ele está lá totalmente irregular e desrespeitando recomendações anteriores, o tratamento não vai ser diferenciado”, afirmou Lourenço.
Desapropriações. Ao todo, a obra de duplicação do trecho de planalto vai exigir a desapropriação de 250 terrenos e propriedades entre São José e Paraibuna. O governo do Estado reserva R$ 70 milhões para a aquisição das áreas.
“Existe esse preocupação com a atividade dos comércios na beira da estrada”, afirmou o prefeito de São José e presidente da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale, Eduardo Cury.
SAIBA MAIS
Promessas
-Em 1994, durante campanha, Mário Covas (PSDB) prometeu que viabilizaria as obras de duplicação da Rodovia dos Tamoios, pleito antigo dos prefeitos do Vale e Litoral
-Em 1998, durante campanha de reeleição, Mário Covas (morto em 2001) voltou a se comprometer com a obra
-Em 2002, também durante campanha, o sucesso de Covas, Geraldo Alckmin (PSDB), que tem berço político no Vale do Paraíba, também se comprometeu com a duplicação
-Em 2006, foi a vez de José Serra (PSDB) afirmar que a duplicação de Tamoios sairia em seu governo. Como seus antecessores, a promessa não saiu do papel
-Em 2010, ao voltar a disputar o governo do Estado, Alckmin tomou a duplicação da Tamoios como principal obra a ser realizada em sua gestão
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-No começo de seu mandato, Alckmin afirmou que daria início à duplicação em janeiro deste ano. O prazo foi estendido para março e, agora, para este mês
-Ontem, o governador assinou o contrato com o consórcio Encalso - S.A. Paulista, oficializando que a duplicação terá início
Partes
-A duplicação da Tamoios começará pelo planalto, num trecho de 49 quilômetros, por R$ 557 milhões. As obras devem durar 20 meses
-Em novembro, o projeto de duplicação do trecho de serra e contornos deve ser concluído. Inteira, a Nova Tamoios deverá custar R$ 4,9 bilhões