sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Alerta: Caraguá, Ubatuba e São Sebastião podem ter epidemia de Dengue


Caraguá, Ubatuba e São Sebastião correm o risco de ter epidemia de dengue no próximo verão.
Jornal OVALE, edição desta sexta-feira.
As três cidades estão entre as 283 cidades paulistas que possuem maior vulnerabilidade para a circulação do vírus da doença.
A informação é da Secretaria Estadual de Saúde, com base em mapeamento realizado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da pasta, em parceria com a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).
Autoridades dessas cidades, que têm risco alto ou muito alto de transmissão de dengue no próximo verão, foram convocadas pelo governo estadual para uma reunião na próxima segunda-feira, em São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP.
No encontro, será apresentado o Plano Estadual de Intensificação das Ações de Vigilância e Controle da Dengue para o período 2011-2012, que inclui medidas diferenciadas em relação ao combate realizado nos anos anteriores.
De acordo com dados da secretaria, de janeiro a agosto deste ano foram registrados 13.061 casos de dengue nos 39 municípios do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte ante 12.715 no mesmo período do ano passado.
No Litoral Norte, Caraguá registrou até o momento 1.155 casos. São Sebastião, 431.


 
Mobilização. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, um dos objetivos da reunião é mobilizar as prefeituras em torno do assunto uma vez que, conforme orientação do SUS (Sistema Único de Saúde), as ações de campo para o controle de criadouros do transmissor da dengue, devem ser executadas pelo município.

Saiba mais
Perigo
Oito municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte podem ter epidemia de dengue no próximo verão

Cidades
As cidades consideradas mais vulneráveis são São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Cachoeira Paulista, Potim, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba

Encontro
O governo estadual convocou autoridades de 283 cidades paulistas para uma reunião

Data
O encontro será na próxima segunda-feira, em São Paulo

Plano
No encontro, o governo vai apresentar o Plano Estadual de Combate a doença para o período de 2011-2012, e pedir esforços dos municípios no combate ao transmissor da doença

São Sebastião terá pesquisa pioneira

O município de São Sebastião foi selecionado pela Sucen para uma pesquisa pioneira sobre a dengue.
O trabalho é desenvolvido por um consórcio de institutos de pesquisas, como Adolfo Lutz e USP, em parceria com a prefeitura e deve ser concluído em 2013.
Denominado de “Gridengue”, o estudo científico tem por objetivo estudar e avaliar os indicadores entomológicos de doença.
Com base nesses resultados, será possível detectar qual o melhor indicador para se prevenir grandes epidemias e, com isso, traçar planos de ação mais eficazes para evita-las, segundo a prefeitura.
A pesquisa, denominada “Avaliação de Indicadores Entomológicos de Dengue em regiões de São Paulo”, envolve cerca de 22 pesquisadores distribuídos entre São Sebastião e Sumaré, outro município selecionado pela Sucen.
As duas cidades foram escolhidas por serem regiões onde a doença tem um histórico antigo e também por não haver períodos de interrupção na transmissão.

Bandidos explodem caixa eletrônico no Massaguaçu

Bandidos explodem caixa eletrônico do Bradesco em posto de combustível do Massaguaçu.

Um caixa eletrônico do Bradesco instalado em um posto de combustível no bairro do Massaguaçu foi explodido por bandidos às 3h45 da madrugada desta sexta-feira. Os bandidos fugiram com o dinheiro e até o momento ninguém foi preso. Não foi informada a quantia levada pelos ladrões.



Caixa explodido na madrugada(foto PM)
 Na semana retrasada outro caixa do Banco Bradesco foi explodido no bairro do Pereque-Mim, em Ubatuba, os bandidos fugiram levando o dinheiro e também ninguem foi detido. No dia 2 deste mês,
Policiais do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) de Guarulhos, na Grande São Paulo, prenderam, em Caraguatatuba, pelo menos oito suspeitos de integrarem uma quadrilha que realizou dez ataques a caixas eletrônicos nos últimos dois meses. Segundo os policiais, os bandidos usavam explosivos para atacar os equipamentos.
A investigação começou depois que eles atacaram uma unidade da Usiminas, em maio, siderúrgica localizada em Guarulhos. Eles atacavam caixas em todo o estado e há suspeita que tenham explodido dois caixas em Belém, no Pará.
Os bandidos foram presos na Rodovia dos Tamoios, quando se dirigiam à cidade de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, onde fariam mais um assalto. Com eles, foram apreendidas duas bananas de dinamite, além de armas e munição para pistola e fuzil. De acordo com a polícia, os bandidos já tinham explodido um caixa eletrônico em Maresias, São Sebastião, ao lado de um hotel. Ele fugiram de lancha, como piratas. A polícia gravou uma ligação telefônica entre um dos bandidos e a namorada dele:
Segundo o delegado Paulo Pereira de Paula, as investigações começaram há cerca de 90 dias. A polícia descobriu que os bandidos também usavam maçaricos e furadeiras de alta precisão para arrombar os caixas. Em cada roubo, eram levados entre R$ 70 mil e R$ 90 mil. Quando as notas eram manchadas pelo equipamento antifurto dos caixas, os bandidos lavavam as notas com produtos químicos para remover a tinta.
- Pelas investigações, ficamos sabendo que eles fariam um assalto na noite desta quinta em São Sebastião. Eles saíram por volta das 19 horas em três carros, sendo um deles roubado. Avisamos policiais da região, que fizeram uma barreira, onde os suspeitos foram abordados e detidos - explicou o delegado.
Entre os presos, estão Edmilson Silva do Nascimento, conhecido como 'Escubão' de 32 anos, suspeito de ter participado do roubo de quadros na Estação Pinacoteca. Ele foi condenado, cumpriu pena e passou a atuar no roubo de caixas eletrônicos, depois de libertado. Também foi preso João Batista Lopes Martins, de 30 anos, o 'Jotinha' especialista em explosivos. Pelo menos 100 bananas de dinamite apreendidas em Campinas, no interior de São Paulo, eram dele.

Figuras Caiçaras: Prof.Avelar, exemplo como dentista, professor e político


Avelar: lembrado por muitos como dentista, professor e político.


Avelar e Lula no comício em Caraguá, respeito mútuo.


Mineiro da cidade de Raul Gonçalves, Antonio de Freitas Avelar conquistou os caraguatatubenses como professor, dentista e político. Foi tão querido, que acabou se elegendo vereador por três mandatos seguidos. E, chegou inclusive, a disputar uma eleição para prefeito, contando com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Avelar nasceu no dia 9 de maio de 1922. A vida dele não foi nada fácil. Perdeu o pai aos 3 anos de idade. Foi obrigado a cursar duas faculdades de odontologia: o primeiro curso feito na Faculdade de Ubá não teve valor porque a entidade não era reconhecida e ele foi impedido de exercer a profissão. Avelar não se abateu e apesar de todas as dificuldades retornou ao curso de Odontologia, desta vez, na Universidade Federal de Juiz de Fora(MG).
Antes de chegar em Caraguá, atuou como dentista nas cidades de Neves Paulista e São Sebastião. Avelar teve dois consultórios em Caraguá, um na rua 9 de julho e outro, em frente ao Paço Municipal.  Atendia em seu consultório quem tinha e quem não tinha condições de pagar. Existiam apenas dois dentistas na cidade. Gostava de trabalhar cantando. Passou a dar aulas de Ciências no Colégio Thomaz Ribeiro de Lima. E, era um dos mais queridos do colégio, por estar sempre alegre e brincalhão. Como professor era dos mais exigentes. Deu aulas por mais de 20 anos no colégio.
Na política, foi e ainda é lembrado, como um dos mais honestos. Pegou no pé dos prefeitos Geraldo Nogueira da Silva( o Boneca) e Bourabeby. Era reeleito sem investir dinheiro nas campanhas. Foi presidente da Câmara entre 77 e 79. Poderia continuar exercendo o cargo de vereador, mas abriu mão de chegar ao quarto mandato consecutivo para fundar o PT (Partido dos Trabalhadores) e a convite do diretório local, disputar a prefeitura em 78.
Conquistou a simpatia do partido. Em seus comícios na disputa para prefeito estiveram presentes algumas vezes Lula, Suplicy, Plínio de Arruda Sampaio, Zé Dirceu, Luiza Erundina, entre outros políticos de renome do PT na época. Após os comícios a turma seguia para a casa do Avelar, onde a dona Cecy, sua esposa, fazia um cafézinho e uns lanches.
Lembro que encontrei o presidente Lula em 2004, quando da inauguração da ampliação da fábrica da Votorantin, em Jacareí. O presidente, que desde a época de metalúrgico,   me chamava de “Caraguá”, ao me ver perguntou se era verdade que o professor tinha falecido. Respondi-lhe que sim. “Grande homem”, disse Lula, na ocasião.  
Lembro que sem recursos para a campanha, o partido chegou a sortear um cavalo, doado pelo Dito Paraibuna. Recordo ainda de um comício do Avelar programado para o bairro do Getuba. Época difícil para o PT, a política local era dominada pelo PDS e as pessoas tinham medo de comparecer aos comícios da oposição. O Avelar ao deparar com a praça do Getuba fazia pegou o microfone e cutucou: “ Eu vim aqui para falar com os trabalhadores, mas como aqui não tem trabalhador eu vou-me embora”.
Era muito brincalhão, lembro que quando fui pedir sua filha em casamento, ele respondeu " Meus pesâmes!!! Sabe quanto custa o quilo do feijão?", brincou. Como todos seus ex-alunos, eu o respeitava demais. Quando cruzava comigo pelas ruas emendava: "Burihan, você tá muito cabeludo..". Eu ia rapídinho cortar o cabelo...
Avelar faleceu no dia 12 de março de 84, aos 62 anos de idade, deixando a viúva Dona Cecy, os filhos Fernando, João Eugênio, Fátima, Rosa, Carlos, Júlio César, Cláudia e Beto Avelar e 23 netos. Recebeu muitas homenagens. Um decreto do governo do Estado concedeu seu nome a escola do bairro Estrela D`Alva. Como dentista, professor ou político, Avelar, sempre se mostrou digno e honesto.       

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Caraguá: Prefeitura informa que novo paço será na Praia das Palmeiras

Paço Municipal será iniciado em 2012 na Praia das Palmeiras 



Projeto do novo paço na av. Geraldo Nogueira da Silva

O novo prédio da prefeitura de Caraguá entrará em licitação até janeiro de 2012. Após esse processo as obras poderão ser iniciadas. O terreno escolhido para a construção possui cerca de 70 mil m² e localiza-se na Praia das Palmeiras, próximo a Colônia de Férias Ministro João Cleófas, na Av. Geraldo Nogueira da Silva.
O projeto prevê uma estrutura de sete andares com 13.227 m² de área construída, que abrigará as secretarias municipais, exceto Educação, Turismo, Saúde, Serviços Públicos e a Fundação Cultural e Educacional de Caraguá (Fundacc). 
O prédio contará com total acessibilidade, cinco elevadores, café, refeitório, estacionamento, duas agências bancárias, praça, controle de luminosidade e calor, sistema de reaproveitamento da água da chuva, academia de ginástica e um heliponto na sua cobertura. 
As secretarias de maior porte poderão ocupar um andar inteiro, que possui 1.448 m². O gabinete do prefeito e suas assessorias serão instalados nos cerca de 1.600 m² do 7º andar. 
O prefeito Antonio Carlos da Silva disse que com o novo Paço Municipal será possível melhorar os serviços e ter mais controle sobre os gastos com transporte e telefone. Com relação ao projeto, o secretário adjunto de Urbanismo, César Abboud, destacou que ao entrar no prédio o contribuinte terá uma visão ampla das secretarias e dos departamentos.  
Segundo, Abboud a transferência da sede da prefeitura para a Av. Geraldo Nogueira da Silva, na Praia das Palmeiras desafogará o trânsito da região central. 



Figuras Caiçaras: Zé Pinto, o Zé da Tuba.

Zé Pinto, músico e excelente zagueiro.


Zé Pinto e sua inseparável Tuba


As apresentações da Banda Municipal Carlos Gomes, de Caraguá, agradam moradores, veranistas e turistas. As exibições acontecem aos sábados, junto ao coreto da Praça Cândido Mota, a principal da cidade. Um músico, em especial, chamava a atenção, até 2002, o Zé da Tuba. Com quase dois metros de altura, Zé Pinto, se destacava dos demais com sua tuba. Daí veio o apelido: Zé da Tuba.

José de Barros Pinto, nasceu em Gonçalves(MG), em 13 de agosto de 1923. Chegou em Caraguá na década de 50, casado com Irmã Marques Pinto, filha da dona Durvalina Bueno. Trabalhou como motorista de táxi e gerente de hotel. Aqui nasceram seus filhos Izilda, Iracema, Francisco, Paula e José e depois seus 10 netos e dois bisnetos.

Zé Pinto foi jogador do XV de Novembro e do Minas Gerais, clubes tradicionais de Caraguatatuba. Era um central de futebol clássico e vigoroso, sem ser faltoso, contam seus amigos. Divida as bolas sempre com lealdade. Foi, no entanto, como músico que ele deixou muitas saudades. Nos seus 46 anos de vida em Caraguá, mais de 30 deles foram dedicados a Banda Municipal Carlos Gomes. Começou com o amigo e maestro Pedrinho( também já falecido) e só deixou a banda quando faleceu.

A banda foi formada por Pedrinho, Zé Pinto e Luiz Pretinho, na época da administração do prefeito Mateus. E, ao longo dos anos, lá estava o Zé da Tuba, caprichando nas valsas e dobrados. Era uma alegria só. Mesmo doente, nunca deixou de estar presente com sua tuba. Lembro de um aniversário da cidade em que ele teve que tocar sentado, pois um problema de saúde lhe impedia de se apresentar em pé, como os demais colegas.

E, a banda, era muito requisitada nas festas e aniversários das cidades do Vale e Sul de Minas. Zé Pinto foi homenageado pela Câmara pela primeira vez em 2001, graças a sua participação na banda. Em 2007, a Prefeitura homenageou-o concedendo seu nome a sede do Conservatório Musical de Caraguatatuba.

Pitágoras, antigo colega, fez uma poesia em homenagem ao Zé Pinto, quando de sua morte:

A Praça está silente...
Não há valsas nem dobrados.
A tuba calada ressente
O sopro do maestro expirado.
Morreu Zé Pinto
Mas suas notas
Ainda ecoam
Por toda a cidade
Morreu o gigante
Ficou a saudade
Do baixo triunfante
A marca retumbante
As nossas emoções!
Chove neste dia
É a cidade que chora
Pelo som da Poesia
Que se vai embora!
Descansa José
Porque seu descanso
É merecido
Porque seu canto
É o encanto
Jamais esquecido! 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Irmãos sobrevivem a naufrágio em Caraguá.

Nadaram por mais de 7 horas até chegarem são e salvos à praia.


Isaias, o segundo, da esquerda para a direita.


Os irmãos caiçaras Isaias e Samuel Costa passaram por uma aventura e tanto na semana passada. Saíram para pescar em uma lancha no Canal de São Sebastião e foram surpreendidos por uma tempestade em alto mar. A lancha naufragou e ele sobreviveram milagrosamente, após nadarem por mais de 7 horas, enfrentando altas ondas, ventos fortes, correnteza e a baixa temperatura da água.

Os dois, apesar de experientes e filho do Dito Costa, foram pegos de surpresa pela virada do tempo. Logo que o barco naufragou, Isaias e Samuel, saíram nadando juntos, com o objetivo de não se perderem de vista. Um quilômetro depois, acabaram se separando. Samuel teve a sorte de encontrar na sua frente, boiando, um galão de plástico. Se agarrou ao galão e tentou seguir em direção à Caraguá.

Isaias e Samuel nadaram por mais de sete horas, enfrentado um mar revolto, fortes ventos e muito frio. O primeiro chegou exausto a Praia do Camaroeiro. Samuel, conseguiu chegar na Prainha.  A família Costa agradeceu a Deus pela sobrevivência dos dois. Eles se salvaram porque são atletas e sempre praticaram esportes. Isaias é excelente tenista;Samuel, joga futebol.

Eles se salvaram por causa do excelente preparo físico. As condições que enfrentaram - tempestade no Canal de São Sebastião, poucos conseguem sobreviver. A lancha em que se encontravam durante a pescaria até agora não foi localizada. A rede, que havia ficado enroscada na ancora, foi recuperada. A família Costa vive e depende da pesca.

Fiquei sabendo da aventura de Isaias e Samuel na terça-feira, justamente quando buscava informações para uma matéria que iria inserir no blog contando sobre os pescadores que perderam a vida no mar, durante as pescarias. Já tinha material sobre as mortes dos pescadores  Antonio Cruz, do Kimio, do Lulu, quando encontrei o Dudé e o Nelson Cabral lá no Ipiranga, ainda reduto dos nossos pescadores.. Eles me informaram sobre o acidente com Isaias e Samuel.

Vida difícil e arriscada

Sair para pescar não ta nada fácil. Vida de pescador, ta mais difícil ainda. “É uma vida difícil e nada valorizada”, afirma Nelson Cabral, de 74 anos. Ele pescou durante muitos anos até ir trabalhar na Prefeitura. Os riscos são grandes. “Hoje o tá tudo modificado. Antigamente, a gente olhava para as estrelas e se elas não tremessem, a gente saía para pescar sossegado. Hoje, as estrelas tremendo ou não, a gente é surpreendido no mar”, conta Nelson.   

Samuel nadou até o Camaroeiro

O mar levou muitos pescadores de Caraguá
  
A primeira morte envolvendo pescadores de Caraguá, que me lembro, foi na década de 60, envolvendo os pescadores Antônio Cruz Arouca, Espanhol e Mazinho. A tempestade chegou, surpreendendo os três, nas proximidades da Ilha do Tamanduá, no dia 12 de setembro de 1961. A canoa virou e os três foram lançados ao mar. Mazinho foi o único que sobreviveu. Ele se amarrou na canoa e ficou a deriva por muitas e muitas horas, até ser localizado. A cidade ficou abalada com a tragédia.

A segunda tragédia com pescadores de Caraguá ocorreu na década de 80. Nela perderam a vida o Kimio e o Valdir Bidico. Os dois, mais o Nelsinho Parrudinho, estavam pescando nas proximidades da Praia da Baleia, na costa sul de São Sebastião, quando o barco virou durante a madrugada. Parrudinho conseguiu se salvar, após nadar por muitas horas em direção a uma das praias sebastianense, onde foi socorrido.

Na década de 90 o pescador Lulu perdeu a vida na Praia da Cocanha, também durante uma tempestade. Segundo contam Sebastião Antônio de Paula, o Lulu, durante um forte vendaval resolveu ir até a Praia da Cocanha para ver como estava a sua canoa. Ele entrou no barco, veio outra rajada forte de vento, a embarcação virou e Lulu, preso na rede de pesca, acabou morrendo afogado.

Há 15 anos atrás, outro pescador, o Café, também foi surpreendido durante uma tempestade e morreu afogado nas proximidades da foz do Rio Santo Antonio. Há cerca de oito anos, outro pescador, o Catarina, também conhecido como Xuxa, caiu do barco e se afogou na Prainha. A maioria dos pescadores que perderam a vida no mar foram vítimas de tempestades. A maioria saiu para pescar com tempo bom, mas durante a pescaria, o tempo mudou repentinamente e seus barcos acabaram virando. A tragédia anunciada é sempre a mesma, apesar de todo o respeito que o pescador tem pelo mar.
“As grandes tragédias são causadas pelo Mar e pelo Fogo”, conta um antigo pescador.  


      

Figuras Caiçaras: Professor Gardelin, o Mestre da Matemática e da Vida...

João Baptista Gardelin: O Mestre que deixou saudades.


Gardelin, um mestre inesquecível



O Professor João Baptista Gardelin, ou melhor, o Mestre Gardelin, marcou a minha vida estudantil e pessoal. Na verdade, foi um exemplo para muitos estudantes de Caraguatatuba e São Sebastião. Ele não era caiçara de nascimento, mas tornou-se caiçara de coração, assim como, toda a sua família. Um Mestre que deixou saudades e foi fundamental na formação de muitos caiçaras.

Conheci o professor Gardelin no Colégio Thomaz Ribeiro de Lima onde ele dava aulas de matemática.Dê início, chamou-me a atenção, o fato dele não ter um dos braços, segundo consta, ele teria perdido o membro durante um acidente em uma serralheria. Me surprendia o fato dele com um braço só conseguir andar de bicicleta, segurando um guarda-chuvas, levando o filho joãozinho na garupa. Quando ele pedalava pelas ruas da cidade eu o ficava admirando, de longe, até o perder de vista.

Eu também ficava impressionado com a maneira e delicadeza com que ele segurava os livros, a caderneta de chamadas e, o apagador....E, ficava admirado quando ele fazia uma circunferência na lousa. O círculo, feito com o giz, ficava perfeito, como se ele tivesse utilizado uma fôrma para desenhá-lo. Alguns alunos tentavam imitá-lo, mas mesmo utilizando duas mão, nunca nenhum de meus colegas conseguiu tamanha perfeição.

Gardelin era um mestre, um verdadeiro mestre. Comentava-se na época que o Osvald de Souza, matemático dos mais conhecidos no país, sempre lhe consultava antes de lançar um livro ou quando tinha alguma questão matemática de difícil solução.  Para nós, seus alunos, Gardelin era um verdadeiro mito, simplesmente, o Rei da Matemática. Ele gostava de ensinar e procurava fazer isso, da melhor maneira possível.

Lembro da sua correria. Dava aulas em Caraguá e em São Sebastião.Ia de ônibus até a cidade vizinha. E lembro muito bem, do seu interesse em ajudar cada um de seus alunos. Não me esqueço até hoje dos dias de férias que perdi por causa do reforço que ele sugeria. “ Você passou de ano, mas vou te deixar de segunda época, para que você estude um pouco mais de álgebra”, dizia ele. Eu ficava desolado, pois minha mãe arranjava um professor particular, geralmente o Zequinha ou o Dito, filhos do Vicente Orlando, para me dar aulas de reforço escolar. Com o reforço, perdia algumas horas do futebol, que a gente jogava quando criança e adolescente, na praia da frente.

Gardelin era palmeirense roxo. E, sempre soltava um “ porca la miséria”, talvez para relembrar sua origem italiana. Era um dos mais respeitados. Recordo uma vez que a minha turma aprontou feio com um dos professores e lá foi chamado o Gardelin para acalmar a turminha. Quando ele chegava e falava, todos respeitavam.

Relembro também dos meus últimos anos no Thomaz Ribeiro de Lima e do Gardelin sempre apostando na Loteria Esportiva. Ele dizia que o salário de professor era reduzido e que tentava a sorte na loteca...Nunca soube se ele utilizava seus cálculos matemáticos para fazer seus jogos.   

Anos mais tarde, seria eternamente grato ao professor Gardelin. Estudei em São José dos Campos e em São Paulo. Os professores sempre me perguntavam: você teve aulas com o Gardelin? E, eu, me sentia orgulhoso, porque o meu professor de Matemática de Caraguá (o Gardelin) era dos mais conhecidos no Estado de São Paulo.

Gardelin nunca desligou da gente. Quando encontrava com seus ex-alunos fazia questão de cumprimentá-los e saber como eles estavam se saindo nos estudos universitários. Se alguém tivesse dúvidas, prontamente se colocava a disposição para ajudar. Gardelin aposentou-se em 1987 e veio a falecer em 1990, ao 71 anos. Jamais será esquecido por seus ex-alunos...

Histórico do Mestre

João Baptista Gardelin nasceu no dia 19 de outubro de 1919, em São Paulo. Cursou o primário em Resende(RJ). Fez ginásio e curso de Filosofia(Escola Politécnica de São Paulo) e bacharelado em Matemática(PUC). Deu aulas em colégios e cursinhos da capital. Em 1952, aprovado no Estado, deu aulas em Araras(SP). Em abril de 1953 chegou à Caraguatatuba, para dar aulas Thomaz Ribeiro de Lima.

De 57 a 70 também deu aulas em São Sebastião, no então Colégio Estadual de São Sebastião. Em 1983 foi homenageado pela Câmara de Caraguá com o título de Cidadão Caraguatatubense, pelo reconhecimento de seu trabalho. Aposentou-se no Thomaz Ribeiro de Lima em 1987. Faleceu em 12 de janeiro de 1990.

Foi casado com a Dona Lucy Miranda Gardelin e pai de Maria Lúcia, Selma, Telma e João. A família permaneceu em Caraguá. Lúcia como professora de educação física. Telma como psicóloga e Selma como empresária no ramo de confecção. A família Gardelin cresceu vieram os netos e bisneto.   

        

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Índices de violência no Litoral Norte permanecem elevados

Situação pode complicar no Verão se não houver aumento no efetivo das polícias civil e militar



A Secretaria de Segurança Publica do Estado de São Paulo divulgou sua pesquisa referente aos índices de criminalidade no Estado. Avaliamos os números relativos ao Litoral Norte e apuramos que a criminalidade continua alta na região. É bom lembrar que este ano não tivemos feriados prolongados e que o movimento turístico tem sido dos mais reduzidos na região. É comum, os índices crescerem, principalmente, na alta temporada e nos feriados prolongados. O que não foi o caso este ano.

No geral, em janeiro a agosto deste ano, a região registrou 56 homicídios, 36 tentativas de homicídios, 3 latrocínios, 60 estupros e 658 roubos a mão armada. Foram constatados ainda 4052 furtos, 283 prisões por tráfico de drogas e 207 furtos de veículos. Não comparei com o mesmo período no ano passado, mas de qualquer maneira, os números assustam, principalmente, se levarmos em conta que o fluxo turístico não foi dos maiores este ano.

Caraguá, a maior cidade da região, com cerca de 100 mil habitantes, registrou 28 homicídios, 11 tentativas de homicídios, 415 lesões corporais dolosas, 332 lesões corporais provocadas por acidentes de trânsito, 1 latrocínio, 16 estupros, 121 prisões por tráfico de drogas, 273 roubos(uma média de 40 roubos por mês), 19 roubo de veículos, 1413 furtos e 103 furtos de veículos.

São Sebastião registrou no mesmo período 9 homicídios, 16 tentativas de homicídios, não teve registro de latrocínios, foram 234 lesões corporais por acidentes de trânsito, 12 estupros, 53 pessoas presas por tráfico de drogas, 172 roubos a mão armada, 4 roubos de veículos, 1191 furtos e 28 furtos de veículos.

Ubatuba apresentou 14 homicídios, 1 tentativa de homicídio, 212 lesões corporais por acidentes de trânsito, 1 latrocínio, 31 estupros, 86 prisões por tráfico de drogas, 182 roubos a mão armada, 12 roubos de veículos, 971 furtos e 57 furtos de veículos. Ilhabela registrou 5 homicídios, 1 tentativa de homicídio, 1 latrocínio, 1 estupro, 23 prisões por tráfico de drogas, 31 roubos, 1 roubo de veículo, 477 furtos e 19 furtos de veículos.

A temporada está chegando por isso é preciso que as autoridades se reúnam para solicitar ao governo do Estado o aumento real do efetivo das polícias civil e militar. A região vive e depende do turismo e toda região turística tem como principal atrativo não apenas suas belezas naturais, mas também, uma boa segurança pública.      

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Rio continua lindo e mais seguro

O Rio continua lindo, mas torcer contra jamais...
 

 
Rivaldo comemora o empate no Engenhão


Meu filho Matheus chegou hoje do Rio de Janeiro onde foi curtir o Rock in Rio e principalmente o Red Hot. Foi sua primeira viagem sozinho ao Rio. Ratinho como ele é carinhosamente chamado pelos amigos já tinha curtido com amigos fins de semana em Angra e em Paraty. Confesso que fiquei preocupado com a viagem, principalmente, devido as constantes informações sobre insegurança na cidade maravilhosa.
O próprio Matheus, ao telefone, procurou nos deixar tranqüilos, ainda na sexta-feira passada, quando passeou por Copacabana, andou de skate e surfou à noite no Arpoador.
“Filho, surfar a noite é perigoso, ainda mais aí no Rio”, comentei com ele. Matheus respondeu; “Pára com isso pai!!!A mãe do Gabriel (amigo que o alojou lá no Rio)está dando risada. Pára com essa neura. Tá tudo bem! Fica tranqüilo..”



Red Hot agitou o Rio



É, infelizmente, a gente ainda continua se assustando com o Rio de Janeiro, embora a gente conviva com a violência aqui em Caraguá e em todas as demais cidades do país. Não estava nem um pouco preocupado com o Rock in Rio. O Rio de Janeiro é que me assustava até o último fim de semana. Agora, graças ao Matheus, não me assusta mais...
Afinal, se meu filho, de 17 anos, se sentiu muito seguro na cidade maravilhosa, porque eu, iria me sentir inseguro?
Ele chegou ontem, me contou que foi tudo bem. Adorou a cidade, as cariocas, as praias e o Rock in Rio.

Ele comentou uma estória realmente bastante interessante e intrigante para qualquer jovem: foi no domingo assistir ao jogo São Paulo x Botafogo, no Engenhão, com o amigo Gabriel e pasmem amigos: trajando a camisa botafoguense e no meio da torcida uniformizada deles.
Segundo Matheus, foi muito difícil, ficar ao lado dos botafoguenses e não poder vibrar com seu tricolor. No primeiro tempo, para não prejudicar o amigo, ele disse que até fingiu comemorar o primeiro gol do Loco Abreu. Quando o Loco Abreu fez o segundo, de pênalti, Matheus disse, que permaneceu sentado e torcendo para que o São Paulo não tomasse uma goleada no segundo tempo do jogo.
Terminado o primeiro tempo, Matheus sugeriu ao amigo e botafoguense Gabriel, dar um giro pelas arquibancadas....Matheus procurava, é claro, um local onde pudesse ficar mais a vontade, para poder vibrar, caso saísse um gol do tricolor...Não teve jeito, acabou ficando o segundo tempo, junto com outra torcida organizada botafoguense.
“Pai foi difícil segurar a emoção! Quando os caras cantavam o hino deles, o Henrique fez seu gol(o primeiro do tricolor), me mantive calado, pois não podia vibrar...Quando o Rivaldo empatou no finalzinho, também tive de controlar a emoção, embora meu coração estivesse explodindo de alegria. Agora, se o Rivaldo fizesse o terceiro, aquela bola que encobriu o goleiro e tocou por cima da rede, eu iria gritar, não teria como segurar a alegria, mesmo estando no meio da torcida adversária”...disse o Matheus. O jogo terminou empatado 2x2.






Travessia a Nado Ilhabela-Caraguá, um evento internacional no litoral


Prova foi interrompida há 22 anos por falta de apoio das autoridades.


A prova natatória Ilhabela-Caraguatatuba foi um dos maiores eventos esportivos internacionais realizados no Litoral Norte. As prefeituras de Caraguá e Ilhabela deveriam resgatar essa prova, que no passado, serviu como preparativo para as travessias do Canal da Mancha, entre França e Inglaterra e a Travessia de Napoli, na Itália.A primeira disputa ocorreu em 1959, por iniciativa do nadador brasileiro Abílio Couto. A prova consistia em atravessar a nado os 17 quilômetros que separam Ilhabela a Caraguatatuba.


abilio Couto idealizador da travessia


O evento mexia com a rotina das duas cidades. As delegações participantes lotam os hotéis e restaurantes existentes. Um dia antes da prova, as delegações desfilavam pelas ruas principais da cidade.A primeira prova ocorreu em 14 de junho de 59. Dos onze nadadores que largaram no Pontão de Ilhabela apenas seis chegaram até a Prainha, em Caraguá. O vencedor foi Salvador Felizete, do Clube Espéria, de São Paulo, que fez o percurso em 5h38. Joaquim Coutinho, o “ quinzinho”, natural de Ubatuba, mas que representou Caraguá, completou a prova.

Tanto na largada em Ilhabela, como na chegada na Prainha, em Caraguatatuba, uma multidão de pessoas se aglomerava para ver de perto os nadadores participantes, alguns dos mais renomados do mundo em suas modalidades. Brasileiros, chilenos, uruguaios, argentinos,...Todos viam a travessia como um grande desafio e queriam incluí-la em seus currículos.A prova considerada uma das mais difíceis do mundo passou a contar com ampla cobertura nacional e internacional com destaques em jornais com El Mundo, Clarin, entre outros. A forte correnteza, a baixa temperatura da água, os fortes ventos e a presença de águas vivas exigia o máximo dos atletas.

 Em algumas provas, os nadadores eram retirados da água durante a noite. Alguns chegavam a nadar até 40 quilômetros e por mais de 15 horas. É que muitos se perdiam no mar indo parar nas proximidades de Ubatuba ou São Sebastião, levados pela forte correnteza.Um nadador em especial chamou muito a atenção tratava-se de um atleta da ACM(Associação Cristã dos Moços), de São Paulo. Ele era cego e dava suas braçadas orientado pelos sons emitidos por apito em poder de seu técnico. Os nadadores passavam vaselina no corpo para tentar suportar a água gelada do mar. Eles se alimentavam com chocolate quente e sopas e não podiam tocar ou segurar no barco de apoio.

Nadadores de Caraguá eram ovacionados quando concluíam a travessia. Dois deles tiveram performaces excepcionais: Roberto Fachini e o Prof. Álvaro Lorenzetti. Os moradores da cidade não deixam a Prainha enquanto ele não concluíssem a prova, as vezes, tarde da noite.Em 60, venceu a prova Farid Zablith. Em 61, o argentino Roberto Reta, um excepcional nadador, bateu o recorde da travessia com 4h11. O argentino Jorge Lopes venceu em 62 e 63, anos em que a travessia passou a ser conhecida como Campeonato Sulamericano de águas Abertas.

Roberto Fachini, o Robertão, completa a travessia, recepcionado por Pancho e Oscarito.

A prova foi realizada até 1968 e depois foi interrompida por falta de apoio das prefeituras e da federação paulista de natação. Retornou em 83, já com a presença de nadadores mais jovens, especialistas em águas abertas. A edição de 83 foi vencida por Igor de Souza, de São Paulo, que fez o percurso em 6h10.Em 83 também começou uma participação feminina, vencida por Carla Nose, de apenas 15 anos, com 6h24 quebrou o recorde que pertencia a nadadora Célia Ioshiko, com 8h55 em 1960. Dos 26 nadadores que largaram em Ilhabela, 15 não completaram a prova devido ao mau tempo, forte correnteza e da baixa temperatura da água.


Renata Agondi venceu em 84

No ano seguinte, 84, vitória de Igor de Souza e de Renata Agondi, no feminino. Em 85 quem venceu foi Rogério Brickman(4h40, no masculino e de Fernanda Fernandes, no feminino(5h31).Waldir Arid, do Pinheiros, venceu a competição em 86 e 87, quebrando o recorde da prova com 3h15. Em 88, o nadador carioca Fabrizio Moreli foi o vencedor. A prova foi interrompida em 89. E, até hoje, nunca mais foi realizada.Em 88 a nadadora Renata Câmara Agondi morreu quando tentava atravessar o canal da Mancha, entre França e Inglaterra. Renata teve hipotermia e não resistiu, vindo a falecer. Renata foi uma das grandes incentivadoras da travessia Ilhabela-Caraguatatuba. Sua história virou livro e filme, produzidos pela Universidade de Santos.

A Travessia a Nado Ilhabela-Caraguá deveria ser resgatada pelas atuais administrações, não por saudosismo ou tradição, mas principalmente, por se tratar de uma competição importante, que poderia atrair grandes nomes da natação brasileira e internacional, com isso, movimentando na baixa temporada( normalmente a prova era realizada em junho) hotéis e o comércio das cidades da região. Poderia contar com o apoio de canais especializados em esportes como Sportv ou ESPN.   

domingo, 25 de setembro de 2011

As operações da máfia em Ilhabela




Ilhabela foi "sede" da máfia no Brasil





Ilhabela já foi o berço da Máfia no Brasil. Foi lá que se escondeu na década de 70 o famoso mafioso Tommaso Buscheta, o Dom Masino, um dos mais influentes líderes da Máfia  siciliana. Na ilha, na época um recanto turístico pacato e tranqüilo, Buscheta instalou a “Conexão Ilha Bela”. Ele trazia drogas(cocaína e heroína) por atacado do porto de Marselha, na França, para levar para os Estados Unidos e o Canadá.
Tommaso Buscheta passou despercebido pela ilha. Para a maioria das pessoas que conviveram ele, desconhecendo o seu passado e a sua função na máfia, Tommaso era conhecido como “toninho” ou “Toni”, um italiano que circulava pela ilha em uma motinha e utilizava como seu escritório de negócios o bar e restaurante Totinho.
Quando não estava “trabalhando” podia ser encontrado nas mesas do Restaurante Siriúba, point da sociedade paulistana nos fins de semana e férias de verão. O mafioso operava o contrabando de cocaína e heroína para os estados Unidos através de embarcações que atracavam no porto de São Sebastião e também em aeronaves que pousavam durante a noite no pequeno aeroporto de terra batida que existia na ilha.  
Nas horas de folga, Tommaso gostava de velejar. Só após a sua prisão é que os moradores e autoridades de Ilhabela souberam que o “turista italiano” era na verdade Dom Masino, um dos maiores mafiosos do mundo. Foi o principal suspeito da morte do dono de uma pousada em Ilhabela, em 1972, mas sequer chegou a ser investigado na época. Mesmo morando na ilha, Tommaso viajava à São Paulo e Rio de Janeiro.
Frequentava os mais badalados bares, restaurantes e boates. Ele adorava o Brasil. Comentaria mais tarde com os amigos, que por aqui passou os anos mais felizes de sua vida. Em 1972 foi preso e extraditado. Condenado há 14 anos, cumpriu parte da pena e retornou ao Brasil em 80 para comandar o contrabando de drogas a partir de Ilhabela.





Foi preso no Rio de Janeiro, quando velejava na praia da Cabeçuda, em Itajaí. Teria pago propina e fugiu. Logo depois foi preso em São Paulo, em 1983, pelo delegado federal Romeu Tuma. Ele foi preso quando descia de um carro em frente ao local onde se hospedava no bairro do Itaim Bibi. Consta que Romeu Tuma, assim como os moradores de Ilhabela, não tinha a idéia da importância de Buscheta quando o prendeu em São Paulo.
O siciliano Tommaso Buscheta era filho de um vidraceiro de Palermo. Foi um soldado da máfia. Conseguiu sobreviver a primeira grande guerra entre as gangues de Palermo, mas acabou preso. Conseguiu fugir de um presídio de segurança máxima em Ascoli-Piceno, na Itália. Acabou preso e logo após fugir do presídio, conseguiu promover uma reunião entre os lideres mafiosos em um jantar em Milão e matou todos com um vinho envenenado. Sumiu da Itália e veio para o Brasil, onde foi gerente de uma das primeiras oerações mafiosas de tráfico de drogas.
Preso, foi extraditado para a Itália. Lá foi um dos principais colaboradores do juiz Giovanni Falcone contra a Cosa Nostra Italiana. O juiz acabaria morto em 1994. Transformou-se no primeiro mafioso a colaborar com a Justiça, passando à condição de inimigo número 1 da Cosa Nostra.


Tommaso entregou os mafiosos

Transferido aos Estado Unidos, através de uma delação premiada e sob a proteção do FBI, ajudou as autoridades norte-americanas a desbaratar uma rede de traficantes de cocaína e heroína que operava em pizzarias de Nova Iorque, conhecida como “Conexão Pizza”.

Após deixar a prisão,Buschetta, não retornou à Ilhabela, onde havia morado com uma de suas três mulheres, a brasileira Maria Cristina Guimarães, com a qual teve dois filhos quando viviam na ilha. Ele ainda sob proteção do FBI foi morar em uma casa em Nova Jersey. O mafioso morreu de câncer, em Nova Iorque, no dia 4 de abril de 2000, aos 71 anos.

Figuras Caiçaras: Nena Carvalho, sua loja faz parte da história...

Nena durante passagem de procissão em frente a sua casa


Maria D`Assumpção Carvalho, a “Nena”, foi uma figura bastante marcante em Caraguá. Comerciante, estabelecida na região central da cidade, sua loja ficava na esquina das ruas Altino Arantes e São Benedito, considerado um pontos comerciais mais valorizados do município.  A “Loja da Nena” vendia tecidos e armarinhos.

Filha de uma das famílias mais tradicionais, Nena, quando jovem adorava dançar e acompanhar os jogos do E.C. XV de Novembro, clube defendido pelo seu irmão Heraldo, que foi considerado no passado um dos melhores goleiros da região. Heraldo faleceu em 2007. Como era muito bonita e extrovertida, Nena acabou sendo eleita madrinha do clube.

A loja foi aberta pelo pai dela, Joaquim Gomes de Carvalho, em 1931. Em 1977, com a morte do pai, Nena assumiu o comando do negócio. A Casa Paes com o passar dos anos acabou sendo conhecida pelos moradores da cidade como a “Loja da Nena”, pela  maneira como ela atendia os consumidores: sempre com simpatia e carinho. A loja com o passar do tempo passou a se transformar no ponto de encontro dos moradores mais antigos da cidade.

O estabelecimento, que ocupava um dos prédios mais antigos da cidade, nunca perdeu as suas características iniciais: o balcão onde Nena ficava e os armários com tecidos e armarinhos. Os anos passaram, a concorrência aumentou, mas a Loja da Nena continuava a mesma. Nena nunca fez publicidade e nem trabalhava com cartões de crédito, mesmo assim, mantinha uma fiel clientela.

A loja era sua vida. Em 58 anos de trabalho, Nena não abriu o estabelecimento uma única vez. Foi em 2009, quando foi ao Rio de Janeiro visitar o filho Paulo Fernando, a neta Fernanda e sua irmã Silvina. Aos domingos, dia de folga, ia à missa e ficava um pouco na Praça Cândido Mota para conversar com os moradores mais antigos. Nena era muito religiosa, não perdia missa, nem mesmo, pela TV.  

Nena faleceu o ano passado, aos 76 anos, devido a uma trombose.  Com a sua morte a família fechou a loja e alugou o prédio. Sem a Nena, aquela esquina nunca mais será a mesma. Ela era um patrimônio de nossa cidade. Foi sem dúvida alguma uma das principais e mais tradicionais comerciantes de nossa cidade.
  

sábado, 24 de setembro de 2011

Escritor precisa de recursos para filmar a tragédia do "titanic brasileiro".


Príncipe das Astúrias: o titanic brasileiro.


Príncipe das Astúrias afundou em Ilhabela.

O naufrágio do transatlântico Príncipe das Astúrias, uma das maiores tragédias marítimas brasileiras, ocorrida há 95 anos, em Ilhabela, no Litoral Norte, tem todos os ingredientes necessários para se transformar em documentário de tv ou filme de sucesso. Falta apenas encontrar cineastas ou financiadores interessados na sua produção.
O escritor e mergulhador Jeannis Platon, de São Sebastião, tem amplo e farto material sobre o naufrágio do navio, ocorrido no dia 5 de março de 1916, na Ponta da Pirabura, em Ilhabela. Platon que pesquisa o naufrágio há 39 anos, esteve na Espanha e Argentina, colhendo entrevistas com sobreviventes e pessoas envolvidas no socorro às vítimas do acidente.Platon que sonha em levar a tragédia para as telas da Tv ou cinema relatou detalhes do acidente em seu livro “Ilhabela e seus Enigmas”, atualmente, em sua quarta edição. Para Platon o roteiro do naufrágio do Príncipe das Astúrias pode repetir o mesmo sucesso do filme Titanic, de 1997, com direção de James Cameron e estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que quebrou recordes de bilheterias no mundo todo. Platon garante que o acidente com o Príncipe das Astúrias teria sido mais trágico do que o ocorrido com o Titanic, na costa norte-americana em 1912. Um detalhe interessante: os dois navios foram construídos pelo estaleiro Kingston de Russel &Co, na Escócia. O Titanic, com 269 metros de comprimento e 43.328 toneladas de peso, foi construído em 1911. O Príncipe das Astúrias, com 150,8 metros de comprimento e 16.500 toneladas, foi fabricado três anos depois, em 1914.

Acidente ocorreu durante a madrugada

O naufrágio do Príncipe das Astúrias é considerado o maior já ocorrido na costa brasileira. O transatlântico fazia sua sexta viagem entre Barcelona e Buenos Aires quando naufragou no dia 5 de março de 1916 na costa de Ilhabela. Segundo informações, o comandante do navio José Lotina, de 34 anos, teria cometido um grande erro ao navegar em velocidade acima do limite sob densa cerração.A embarcação colidiu contra uma laje na Ponta da Pirabura e afundou em poucos minutos. Como o acidente ocorreu durante a madrugada, a maioria dos tripulantes encontrava-se dormindo no momento da colisão. Oficialmente, perderam a vida no naufrágio um total de 477 pessoas, entre passageiros e tripulantes.Os sobreviventes foram resgatados pelo navio francês Veja, que navegava do Rio de Janeiro em direção a Santos. Como o navio tinha capacidade para 1890 passageiros, suspeita-se que o número de mortos pode ter ultrapassado a mil pessoas. Segundo Platon, o navio levava cerca de 800 imigrantes clandestinos, todos instalados nos porões, entre eles, judeus e europeus que fugiam da guerra.“Na época, não era comum relacionar os passageiros que não estivessem alojados na  primeira e segunda classes. O Príncipe das Astúrias era um navio fita azul, de primeira categoria. Tinha 150 cabines com luxuosa decoração”, conta Platon. O navio pertencia a à empresa espanhola Pinillos, Ysquierdos Y Cia.  










Figuras caiçaras:Iaiá,o rei do churraquinho

Iaiá: seu churrasquinho até hoje é lembrado na cidade...


Iaiá deixou saudades...



Mário Ricardo Pinto, o “Iaiá”, foi uma das pessoas mais marcantes em Caraguá, nas décadas de 60 e 70. Era de autoria dele o churrasquinho(no pão francês) e o frango a passarinho mais cobiçados e famosos da cidade. À noite e na madrugada, muita gente da cidade freqüentava o barzinho de Iaiá para matar a fome e saborear seus quitutes.

É verdade que existiam poucas opções para se comer um lanche tarde da noite. Os temperos de Iaiá, no entanto, eram insuperáveis. Com o passar dos anos, veranistas e turistas passaram a freqüentar seu estabelecimento, ou seja, o churrasquinho e o frango preparados por ele se tornaram atração turística.

O barzinho reunia de tudo, pescadores, professores, comerciantes, médicos e até juiz de direito. Tudo era muito simples, nem sempre havia mesas e cadeiras. Iaiá fazia tudo sozinho e procurava sempre brincar com as pessoas.  Era um tremendo gozador.

Nascido em Paraibuna, Iaiá tinha cinco irmãos:Benedita Pinto Ferreira- a mais conhecida, era comerciante e muito respeitada na cidade- Deroce, Benedito, Antônia,  Doralice e Eugênia. Trabalhou na Fazenda dos Ingleses, nas décadas de 50 e 60. Com o fim das atividades da fazenda, IaIá começou a trabalhar em barzinhos.

Circulava pela cidade de bicicleta. Nela, mantinha uma cesta no bagageiro, onde levava suas coisas. Ninguém nunca soube informar onde ele aprendeu a cozinhar. O tempero era insuperável, mas ele mantinha segredo. Iaiá inventava muito, às vezes, colocava cerveja na carne, em outras, cachaça. Ninguém resistia. Ficava tudo muito saboroso.

O pano utilizado para a limpeza das mãos era o mesmo que limpava o balcão, mas nenhuma diferença fazia. O pano sobre os ombros, as unhas nem sempre limpas, assustavam um pouco, principalmente, veranistas e turistas, mas para a gente o que importava mesmo era o sabor dos pratos produzidos por ele.

 Iaiá adorava também tomar umas e outras, as vezes, muitas. Lembro que ele colocava vários copos ( desses tradicionais dos botecos, tipo americano) sobre o balcão e cada um deles contendo uma dose de bebida e em seguida tomava num só gole cada um deles. Após tomar todos eles, numa seqüência só, ele fazia caretas, mas mantinha em pé, embora vermelho como nunca. Jamais vi o Iaiá bêbado. Mas, nada disso, atrapalhava ou prejudicava sua qualidade culinária. Chegou a mudar de locais, mas a clientela seguia junto.

Conheci o Iaiá quando ele trabalhava no Bar e Bilhar do João Baiano, que ficava nas esquinas das ruas Altino Arantes e Santa Cruz, na região central da cidade. Ponto de encontro dos jogadores de sinuca, comerciantes e aposentados, o bar do João Baiano- um sãopaulino doente- era também uma das poucas opções noturnas de Caraguá. Foi ali que ouvi uma das estórias mais engraçadas envolvendo o Iaiá. Contam que durante a madrugada, nos momentos de pouco movimento, Iaiá sempre tirava um cochilo, sentado num caixote de madeira, encostado no balcão.

 Uma noite, o pessoal que jogava bilhar resolveu aprontar com ele: desligaram todas as luzes do bar e fingiram que jogavam sinuca, cantando as bolas e as respectivas caçapas onde elas deveriam ser colocadas:“Bola sete na caçapa do meio. Bola dois na caçapa do fundo”, tudo em voz alta. Iaiá acordou com o barulho e como não conseguia enxergar nada, começou a gritar que estava cego. Ele ficou muito assustado e o pessoal resolveu interromper a brincadeira, acendendo novamente as luzes do bar.

Iaiá morreu em 1979, aos 69 anos. Os moradores da cidade até hoje guardam com carinho sua lembrança. Sempre foi solteiro. Iaia era muito engraçado. Seu sobrinho Bira Ferreira lembra de várias passagens engraçadas envolvendo o tio. “Iaiá dizia que em Caraguá o que é, não é...”, lembra.   

Segundo argumentava o Iaiá: o bairro chamado Rio do Ouro era na verdade o mais pobre da cidade. O bairro chamado Porto Novo, era o mais velho. O Rio Claro tinha águas escuras. O Rio Escuro tinha águas claras. O bairro da Ponte Seca, na época, não tinha nenhuma ponte e vivia alagado no período de chuvas.

Relembra Bira Ferreira, que um dia o delegado Sartorello (delegado que também deixou ótimas lembranças na cidade, uma vez quis proibir o uso do biquíni...) chamou-lhe a atenção.

 O delegado encontrou o Iaiá e deu-lhe uma catracada: “ Se eu pegar o senhor dirigindo sem habilitação pela cidade vou prende-lo”.Iaiá respondeu: “O senhor está confundindo tudo. A única coisa que tenho na vida é minha bicicleta. O senhor tem que prender é meu irmão (o Deroce), que é mais feio que eu.”. Deroce, seu irmão, dirigia um fusquinha verde pelas ruas da cidade, sem ter habilitação.     

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

XV de Novembro pode perder sua sede e parte de sua história

Dívidas colocam em risco todo o patrimônio do clube XV.

O Litoral Norte pode perder nos próximos meses seu maior patrimônio esportivo: o Esporte Clube XV de Novembro, de Caraguatatuba. Ao completar 77 anos e atolado em dívidas, o clube poderá ter a sede e seu estádio leiloados em breve para cobrir as dívidas contraídas no período em que o clube disputou o futebol profissional.



Esta semana a atual diretoria lançou um S.O.S XV de Novembro,convocando empresários, comerciantes e moradores em geral pra se unirem em prol do clube. Há mais de 6 anos a atual diretoria  vem protelando este final trágico traçado por várias  diretorias irresponsáveis  que  o levou a uma dívida quase impagável.Mas há uma saída viável  que não depende de apenas dos  diretores, mas de uma ação conjunta da sociedade.

Veja o tamanho da tragédia; hoje o clube deve aproximadamente  ao Fisco , Encargos Trabalhistas ,INSS, FGTS e imposto de Renda o equivalente há R$2.500.000,00(dois milhões e quinhentos mil reais ),e tem um patrimônio equivalente a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais). Há em andamento um projeto de um clube social a ser construído até julho de 2014,orçado a custo aproximado de  R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) com a chancela de   profissionais de engenharia de nossa cidade.
Caso as pessoas aderirem ao projeto, o clube negociará e pagará a dívida e ainda ter condições de implantar um clube social com sauna, piscinas,quadras poliesportiva,campo de futebol com arquibancada coberta,salão de festas, amplo salão de ginástica,salão de beleza, videoteca,museu do futebol, amplo espaço para lazer e desenvolvimentos de projetos ,  colônia de férias durante  os períodos de    férias escolares,alem de espaços  com lanchonete  e para um  bom papo nos finais de expediente de trabalho. Os interessados devem procurar o clube. A idéia é excelente. Faça sua adesão ao projeto, peça maiores informações ou dê sua sugestão pelo e-mail XVDECARAGUA@HOTMAIL.COM.


Situação financeira é bastante complicada

As despesas foram ampliadas por administrações incompetentes que se preocupavam apenas com o futebol profissional, descuidando-se das questões administrativas e jurídicas. Outras dívidas foram resultados de parcerias desastrosas com empresários que “alugavam” o clube para explorar o futebol profissional.
Um dos empresários, conhecido como Toni Marshal, último gestor de futebol do clube, abandonou o clube antes do término do campeonato paulista, deixando dívidas e muitas despesas, entre elas com empresas de transporte da capital, que alugavam um ônibus para o time viajar. Marshal simplesmente desapareceu da cidade.
Apesar das dificuldades, o clube mantém sua sede social, uma quadra poliesportiva e o campo de futebol. E desenvolve projetos sociais, em parceria com o Módulo, através da qual conquistaram prêmios nacionais e estaduais, entre eles o Futbolando e o Camisa XV, que envolvem cerca de 75 crianças e jovens da cidade.
“Não temos dinheiro para quitar nossas dívidas. Nossa esperança é que a cidade se mobilize para nos ajudar. O clube é o mais tradicional da cidade e região, tem uma história muito importante e não pode acabar”, comentou Pedro Norberto.
Ele não vê nenhuma possibilidade de o clube voltar a disputar o campeonato paulista, apesar de permanecer associado à Federação Paulista de Futebol. “Acho que de futebol profissional o clube nunca mais participará. O comércio e o empresariado da cidade não colaborariam com clube, que não tem recursos próprios para participar de uma disputa”, disse.
E a prefeitura? O presidente disse que já teve conversa com Antonio Carlos, na sua segunda gestão, e com José Pereira Aguilar, da gestão passada, mas o assunto não foi discutido com profundidade. Seria interessante se a prefeitura comprasse a sede e a transformasse em um centro esportivo municipal. O XV poderia ter uma sala no local, para reuniões da diretoria e colocar seus troféus; assim, pelo menos, não perderia a sua história.
“É triste ver o clube nesta situação, mas a cidade nunca se mobilizou pelo XV. O ideal seria recuperar suas finanças e quem sabe até voltar ao futebol profissional. Hoje, a cidade vive outra realidade econômica”, afirmou Silvio Delgado Barbosa, ex-jogador, ex-diretor, ex-técnico e ex-presidente do clube.

Leão do Litoral Norte


O XV foi criado em 18 de fevereiro de 1934. Foi o segundo clube de futebol da cidade. O primeiro clube de Caraguá foi o Anhimbu Futebol Clube, criado pelos funcionários da empresa de madeiras J. Charvolins, mais tarde conhecida como Fazenda dos Ingleses. Nas décadas de 50, 60 e 70, o clube foi um dos mais fortes do esporte amador do Litoral e Vale do Paraíba.
Ainda amador, o clube revelou craques como Carolino Garrido, Benedito Lippi (Didi), Irineu Mendes de Souza, Durval, Ciro, Tuta, Silvio Luís dos Santos, Heraldo, Mão de Onça, Aluisio Passos, Bolero, Zé Pinto, Edmir, Beta Messino, Nilson Amaral, Rubinho, Batata, Sandro, entre tantos outros.Vários deles estiveram no futebol profissional como Tito (São José e Santo André), Toninho Passaguá (Ponte Preta), Chiquito (Guarani), André Mans (Ilha da Madeira), Glauco (Portugal).
Outros craques como Edmir e Beta estiveram no Fluminense (RJ) e não permaneceram por causa da saudade da família. Nilson Amaral fugiu da concentração do Palmeiras.
No futebol amador, partidas envolvendo adversários de São Sebastião eram consideradas “clássicos regionais”, com casa cheia e muitas discussões. Clássicos locais, envolvendo o E. C. Indaiá, também movimentavam a cidade e principalmente o meio futebolístico local.
 
              Nas décadas de 70 e 80, muitos craques desfilaram suas habilidades pela Toca do Leão, estádio quinzistas localizado no sopé do Morro do Tatu: Careca, Muricy, Serginho Chulapa, Casagrande, Pita, Gilberto Sorriso, Tatá, Rafael... Craques mais antigos também jogaram lá: Canhoteiro, Dino Sani, Doval, Coutinho, Mengálvio e o inesquecível Garrincha, já em final de carreira.
O clube teve uma vida social muito ativa. Em sua sede, na época construída na rua Santa Cruz, eram promovidos bailes com orquestras famosas. Aos domingos, aconteciam as domingueiras, única opção de lazer para os jovens na época. Na sede podia-se jogar bilhar, pingue-pongue, xadrez, dama e praticar judô. Mais tarde, a sede foi vendida e o dinheiro aplicado no estádio de futebol.

Futebol Profissional

O sonho de disputar o futebol profissional acabou levando o clube à falência. A cidade, nas décadas de 80 e 90, não tinha condições de garantir o clube financeiramente. O XV vivia de ajuda da prefeitura e alguns comerciantes. O sonho do futebol profissional teve início em 1987, quando o clube chegou a disputar a terceira divisão do futebol paulista.O clube chegaria à segunda divisão apenas em 1991, depois de um ótimo trabalho realizado pelo técnico Carlos Alberto (ex-meia do São Paulo F.C). O XV mudou de presidente, de técnicos e durante seis anos permaneceu disputando o profissional, sem chegar a lugar algum.

Pessoas sérias, como Zé Comidinha, Silvio Delgado Barbosa, Belenzinho, Wilson Rangel se envolveram de corpo e alma com o clube, mas não havia recursos financeiros suficientes para montar um bom time e trabalhar. O clube dependia de muita gente e principalmente de ajuda da prefeitura para disputar os campeonatos.Apenas em 97 surgiu a chance de entrar na divisão A-3, uma antes da divisão principal do campeonato paulista. Mas, uma virada de mesa política impediu o clube de chegar à A-3. O então presidente da Federação Paulista de Futebol, João Atala, alegou que o XC não possuía estádio adequado para sediar jogos da A-3 e a vaga ficou com o Rio Preto, na época presidido pela deputada estadual Wadi Delapria. Uma bela puxada de tapete e o XV chegou ao fim de seu sonho.O clube permaneceu disputando o profissional até 2003. O presidente do clube Pedro Norberto dos Santos decidiu tirar o time do profissional, pois não havia recursos próprios para arcar com as despesas. Aí, começaram a surgir as pendências financeiras, que em breve podem deixar o clube sem sede e sem história.



Cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Vale e Litoral Norte, segundo IBGE

  A cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Litoral Norte Paulista e Vale do Paraíba entre 2010 e 2022, se...