Memória
Lei impediu Caraguá de ter o primeiro cassino do Litoral Norte.
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| Deputado Diógenes Ribeiro de Lima. |
No início da década
de 40, Caraguá iria sediar o primeiro cassino do Litoral Paulista. A ideia era transformar
o cassino num dos principais atrativos da cidade. Tudo estava bem encaminhado.
O cassino seria construído no alto do Morro do Camaroeiro, com esplendorosa
vista para a baia de Caraguatatuba. O projeto estava sendo viabilizado pelo
então deputado Diógenes Ribeiro de Lima, que frequentava a cidade, onde
mantinha casa de veraneio e dominava a política local. A ideia de Diógenes era
incentivar o turismo na cidade e com isso, gerar emprego e renda.
Diógenes achava que
o cassino seria importante para transformar a cidade, pois deveria atrair
turistas de várias partes do país. Naquela época, existiam setenta cassinos no
Brasil, que geravam empregos para mais de 40 mil pessoas. A implantação de
cassinos tinha levado muito desenvolvimento a cidades como Petrópolis, Poços de
Caldas, entre outras. Diógenes acreditava que o cassino seria de grande
importância para o desenvolvimento de Caraguá.
O projeto tinha
sido discutido como os interventores do estado (pessoas nomeadas pelo governo federal
para governar o estado), Fernando de Souza Costa e posteriormente, José Carlos
de Macedo Soares. Diógenes também vinha discutindo o projeto com o então
prefeito da cidade, Joaquim Evilásio do Amaral, que teria ficado encantado com
a ideia. Caraguá era uma cidade sem grande movimentação turística e sua
economia dependia da venda do peixe e da Fazenda dos Ingleses.
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| Construção das antigas muretas de pedra ao longo da orla |
Consta que, por
causa da possível implantação do cassino, Diógenes teria obtido recursos do
estado para construir as muretas ao longo da praia do centro e iniciado o
decreto lei, que transformaria em 1947, Caraguá em estância balneária, para com
isso, a cidade pudesse receber os recursos do estado e também, poder sediar o
cassino, que na época só era permitido em cidade turística. O projeto do cassino,no alto do Camaroeiro, entusiasmou o então deputado.
Tudo ia muito bem.
Acontece que, um decreto do então presidente Eurico Gaspar Dutra, em abril de
1946, proibiu os jogos de azar no país, segundo consta, por pressão de sua
mulher e, da igreja católica, que era contra os jogos de azar. O projeto do
cassino foi por água abaixo. Diógenes,no entanto, continuou exercendo seu poder
político em prol da cidade, que adorava.
Diógenes Ribeiro de Lima foi
professor e um dos políticos mais envolvidos com Caraguatatuba. Como deputado,
ajudou e muito Caraguatatuba. Não é a toa que seu nome foi concedido a uma das
principais praças de nossa a cidade, a praça da Secretaria de Turismo, em
frente a praia central. Diógenes nasceu em São Paulo, em 12 de abril de 1896.
Formou-se professor pela Escola Normal Caetano de Campos, em 1916. Em 1920,
pegou um barco, em Santos, para vir até Caraguá, na época, não havia acesso por
terra até a cidade Foi dar aulas nas Escolas Reunidas de Caraguatatuba (onde
hoje funciona o Museu Adaly Coelho Passos). Em nossa cidade, namorou a
professora Alice Leite. Casou com ela, tendo como padrinhos Teotino Tibiriça
Pimenta e Luiz Passos Júnior. Foi proprietário de uma casa na avenida Arthur
Costa Filho, que foi demolida e, atualmente, serve como estacionamento.
Como professor trabalhou também nas
cidades de Monte Azul e Bariri. Formou-se advogado em 1924 pela Faculdade de
Direito do Largo de São Francisco (USP). Publicou vários trabalhos jurídicos.
Atuou ainda, como suplente de juiz federal em São Paulo (1925), juiz de Paz e
delegado de polícia(1924 e 1925) e como membro do Congresso do Ministério
Público.
Vida Política
Diógenes foi vereador em São Paulo por dois mandatos, de 1926 a 1930.
Participou da Revolução de 1932, como subcomandante do Batalhão Bahia.
Elegeu-se deputado estadual em 1935, quando participou da Constituição de
1935. Como deputado foi um dos políticos que mais ajudou Caraguatatuba. Foi
graças a ele que a cidade melhorou e muito a sua infraestrutura física.
Poucos sabem, a tradicional mureta da avenida da praia do centro foi feita
por iniciativa de Diógenes; em 2000, a mureta antiga foi demolida e substituída
por outra. Como deputado ele transformou a cidade, de fato, em uma estância
balneária, através do decreto-lei nº 38, de 30 de dezembro de 1947.
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Por iniciativa de Diógenes, em 1948,
um decreto do governador Adhemar de Barros, ampliou o território de Caraguá em
direção à região sul. O limite de Caraguá, com São Sebastião, era o rio
Juqueriquere, com o decreto do governador, o limite entre as duas cidades
passou a ser o rio Pereque-Mirim. Diógenes era um apaixonado pela cidade e como
político procurava defender ao máximo dos interesses do município. Ele foi
presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, entre março de 1951 e março
de 1952. Ele faleceu em 1º de outubro de 1954, em plena campanha eleitoral,
mesmo assim, o povo da região foi fiel a ele: mesmo morto foi o deputado mais
votado em Caraguá e cidades da região.














