Teatro é uma experiência importante na formação cultural e profissional
Os jovens e adultos devem aproveitar as oportunidades oferecidas pela Fundação Cultural de suas cidades para fazer teatro. Um bom ator pode seguir carreira de muito sucesso, mas para jovens e adultos, o teatro pode também colaborar e muito na formação social, cultural e profissional. Digo isso, porque tive uma experiência interessante com o teatro quando fazia faculdade de jornalismo.
Poderia ter seguido a carreira de ator e quem sabe, com sucesso. No entanto, optei em abandonar a oportunidade que tive. Talvez, na época, não estivesse o preparo adequado para seguir em frente. De qualquer maneira, a experiência que tive foi fundamental, em todos os sentidos, principalmente, na minha formação como jornalista.
| Como Chicó na peça de Suassuna. |
Entrei para o teatro sem querer. Estudava na FIAM-Faculdades Integradas Alcântara Machado, em São Paulo. Em 1980, duas colegas, hoje, renomadas, as jornalistas Cristina Poli(TV Globo, Band e Cultura) e Izabel Cristina(trabalhou na sucursal da TV Globo, em Nova Iorque) foram fazer um teste e insistiram para que eu também fizesse.
O diretor era Wilson Maux, que havia revelado a Lucélia Santos. Comentei com minhas amigas, na época, que aquilo era coisa de fresco.
As duas insistiram tanto que acabei fazendo o teste e aprovado. A peça que seria apresentada no circuito universitário de São Paulo e Rio de Janeiro. era o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Seria uma de suas primeiras montagens em São Paulo. Os cenários foram feitos pelo renomado J.C.Serroni. Acabei me dando bem e ficando com o segundo papel mais importante da peça, fazia o Chicó, um contador de causos, um mentiroso ingênuo que inventava histórias, um verdadeiro narrador popular.
Cristina Poli, fazia o personagem do Palhaço; Alexandre Oliveira, era o João Grilo; Izabel Cristina, o Frade...
Estreamos com casa cheia no teatro da própria faculdade e numas das inúmeras apresentações, recebi no camarim, a visita de um diretor de teatro. Ele estava com um problema sério para resolver: o ator principal de sua peça(Raymundo de Souza) iria gravar uma novela na Bahia, era Rosa Baina, da TV Bandeirantes e ele precisava urgentemente encontrar um substituto. E, tinha escolhido, justamente, eu...
| Chicó e João Grilo |
O diretor, se não me falha a memória, Carlos Meceni, do Grupo Teatral Mamão de Corda, da Cooperativa Paulista de Teatro, iria encenar uma peça baseada no livro O que é isso companheiro?, do jornalista Fernando Gabeira. Eu faria três personagens: um preso político, um travesti e outro papel que não me lembro agora. Graças a insistência de minhas amigas e do diretor Wilson Maux, acabei aceitando o convite. O problema era que precisava fazer laboratório e passamos uns vinte dias trancados em um sítio, sem poder sair.
Como eu estava acostumado com fins de semana na praia, aqui em Caraguá, agüentei o que pude, mas um dia não deu mais. Pedi ao diretor para me liberar no fim de semana que precisava visitar minha família. Ele não gostou muito, mas acabou me liberando com a promessa de que retornaria aos ensaios na segunda-feira. Nunca mais dei as caras...
Não me arrependi, mas a experiência foi muito importante para mim. Muitos anos depois, em 2007, assumiria a direção do Teatro Mário Covas, em Caraguá, outra ótima experiência em minha vida.















