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| "Buraco da Onça", tem 200 metros de profundidade. Foto: Polícia Civil |
O “buraco da onça”, uma encosta localizada no Parque Estadual da Serra do Mar, em Pouso Alto, local onde foi encontrado sexta(22), o corpo da camareira Claudenora Cristina Souza, de 36 anos, é um dos principais pontos de desova de cadáveres do Litoral Norte e Vale do Paraíba.
Há muitos anos, o local é considerado pelas polícias civil e militar como o principal ponto de descarte de vítimas de homicídios ocorridos no Vale e Litoral Norte. Ribanceira abaixo também são lançados, veículos furtados, corpos de animais e até produtos químicos nocivos à saúde.
O descarte de corpos, por exemplo, é feito sempre durante a noite e a madrugada para impedir a fiscalização dos guardas parques e das polícias civil e rodoviária. O objetivo é dificultar a localização e a identificação das vítimas.
O “buraco da onça” é um precipício de cerca de 200 metros de profundidade no interior do Parque Estadual da Serra do Mar, no bairro de Pouso Alto, no município de Natividade da Serra.
O acesso ao local é feito pela rodovia dos Tamoios, na altura do km 67, onde começa uma estrada que leva ao Pouso Alto. O “buraco da onça” fica a 1,5 km, a margem da estradinha que dá acesso ao Pouso Alto.
Nos últimos anos, pelo menos três corpos foram localizados no local. Em julho de 2014, lá foi localizado o local o corpo da cabelereira Tamires Ferraz, de 24 anos, de Caraguatatuba, que estava desaparecida há 30 dias.
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| Corpo de Tamires foi encontrado em 2014 |
Para resgatar Tamires, a equipe dos bombeiros levou mais de 4 horas devido as dificuldades para descer as encostas da serra do mar, com o uso de rapel e chegar ao local onde estava o corpo dela estava.
O corpo estava em adiantado estado de decomposição e a vítima tinha uma corda amarrada ao pescoço. Tamires teria sido enforcada e o corpo lançado no “buraco da onça”. Foi preciso análises do DNA para a identificação do corpo.
Em junho de 2017, no mesmo local, foi localizado o corpo do jovem Lucas da Silva Santos, de 18 anos, um travesti de Caraguatatuba. o corpo foi encontrado envolto em um lenço, com um saco amarrado na cabeça. A vítima ainda tinha marcas de tiros no tórax e ombro, além de cortes de facão na nuca e no queixo.
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| Corpo de travesti foi localizado no local em 2017 |
Na última sexta, dia 22, ali também foi encontrado o corpo de Claudenora Cristina Souza, de 36 anos, uma camareira de São Sebastião que estava desaparecida desde o dia 28 de setembro. Um policial civil de São Sebastião foi preso acusado de ser o autor do crime.
Local perigoso
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| Descida exige equipamentos e técnicas especiais |
Um bombeiro de Caraguatatuba, que já participou do resgate de um corpo no “buraco da onça”, disse que trabalhar no local é muito perigoso e exige técnicas especiais. Em períodos de chuva, segundo o bombeiro, a situação fica ainda muito mais complicada e oferece muitos riscos.
Segundo ele, trata-se de uma encosta íngreme que chega a ter 200 metros de profundidade até o seu ponto mais baixo. No meio da encosta, a 100 metros, existe um platô, onde normalmente os corpos de vítimas de homicídios são encontrados.
Para chegar ao platô, segundo ele, existem duas opções, seguir por uma trilha lateral, encosta abaixo, um acesso muito difícil, perigoso e demorado ou a descida de rapel.
O trabalho requer um trabalho de equipe, normalmente de 4 a 6 bombeiros. Eles descem de rapel e quando o corpo é localizado, é içado em uma maca cesto até o alto da encosta.
No buraco da onça, segundo ele, pode-se encontrar além de corpos de vítimas de homicídios, veículos e motos roubados, animais mortos, descarte de material de hospital e de produtos químicos nocivos à saúde e, também, muito lixo.
O bombeiro alertou ainda que uma das maiores preocupações, além dos riscos da descida, é com a possível contaminação por produtos químicos nocivos à saúde e o material que é descartado por farmácias, clínicas e hospitais.
O resgate da camareira Claudenora Cristina Souza, de 36
anos, não foi feito pelos bombeiros de Caraguatatuba, mas sim, por uma equipe
especializada dos bombeiros de São José dos Campos.





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