quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Via Orla

Cidades

Apesar da crise, Caraguá recebe em média 150 novas famílias por mês.

Sem emprego, a maioria depende da prefeitura e entidades para sobreviver.  

Caraguá continua atraindo novos moradores, apesar da crise econômica. A cidade oferece bons serviços e uma boa infraestrutura, mas enfrenta, também, muitas dificuldades devido à crise que assola o País. O comércio está estagnado e com isso, não existe geração de empregos. A maioria das famílias que chega a cidade, acaba precisando do apoio da prefeitura e de entidades assistenciais para se manter.

Segundo dados fornecidos pela Prefeitura, através de Jonas Fontes, secretário de Desenvolvimento Social, entre janeiro e julho deste ano cerca de 1600 novas famílias chegaram à cidade. Foram atraídas pelo destaque que a cidade ganhou nos últimos anos, de boa infraestrutura em Educação, Esporte, Cultura, Habitação e empregos, principalmente, na temporada.

Com a crise, muitas famílias passaram a enfrentar dificuldades para se manter. Muitas passaram a depender da prefeitura até para se alimentar. A crise também vem prejudicando o trabalho das entidades assistenciais, que tiveram um aumento substancial no número de pessoas atendidas.

A situação econômica a do País, c om milhões de desempregados, pode ser vista no dia a dia de Caraguá. Comércios fechando suas portas ou reduzindo seus funcionários, centenas de pessoas em busca de emprego e muitas pessoas perambulando pelas praças e vivendo de da doação de comida e esmola pelos comerciantes e moradores.

Essa situação, deve complicar ainda mais com a proximidade da temporada de verão, quando milhares de pessoas da grande São Paulo e cidades do Vale do Paraíba e Sul de Minas chegam por aqui em busca de empregou ou de trabalho informal. Quando acaba a temporada muitas dessas famílias permanecem por aqui. Sempre foi assim.

As Igrejas católicas e evangélicas, que tradicionalmente, prestam assistência social, vivem também uma crise muito forte. Caiu assustadoramente a ajuda financeira ou doações feitas pelos seus fiéis. Desempregados ou com problemas em seus estabelecimentos comerciais, a maioria deles, não podem mais continuar colaborando com padres ou pastores.
Aguilar Jr. e Samara Aguilar, Tato, China  e Carlinhos na inauguração do Banco de Alimentos. 

Agora, com a crise econômica, essa situação tende a ficar mais crítica. Diante dessa nova realidade a prefeitura, através da Secretaria de Desenvolvimento Social e do Fundo Social, decidiu reimplantar o Banco de Alimentos. O Banco de Alimentos Maria Marques Burihan tinha sido implantado em 2008 pelo ex-prefeito Aguilar, sugerido pelo vereador Carlinhos da Farmácia, mas foi desativado em 2009 pelo então prefeito Antonio Carlos da Silva.

O Banco de Alimentos, segundo o atual prefeito Aguilar Jr , foi reimplantado para cuidar da vida das pessoas. “Precisamos de obras sim, mas não tem ação melhor que cuidar da vida, do ser humano. Esse é o nosso jeito der pensar”, disse.


Samara Aguilar, presidente do Fundo Social, afirmou que, através da unidade será possível fazer contratos com supermercados, varejistas, atacadistas para que doem alimentos que possam ser reaproveitados e destinados às famílias carentes. Os produtores rurais também serão integrados ao Banco de Alimentos. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Via Orla

Meio Ambiente

       A morte de Patrícia e a coleta seletiva

Bióloga Patricia Blauth.
A primeira experiência com a coleta seletiva de lixo no Litoral Norte ocorreu, em São Sebastião, em 1989, graças à atuação dos ambientalistas e de duas pessoas em especial: Patrícia Blauth e Georgeta Gonçalves.

A preocupação era evidente, a região crescia cada vez mais e, a produção de lixo, também. Isso colocava em risco o nosso meio ambiente, principalmente, devido a deficiente coleta e a precária situação de nossos aterros sanitários (lixões).

Era preciso inovar e buscar alternativas. Foi assim, que tudo começou. Inicialmente, envolvendo 650 residências no bairro da Vila Amélia. O sistema seria ampliado posteriormente.

O legal foi que Patrícia e Georgeta, não se envolveram apenas na coleta seletiva, foram atrás de parceiros para a venda do lixo coletado, entre eles,  vidro, plástico, metais, alumínio e borracha. A comercialização dos produtos reduzia os custos da operação. E, assim, tudo começou...

Na década de 90, a situação do lixo urbano complicou em toda a região. Os aterros sanitários(lixões) viviam uma situação de calamidade, não comportando mais tanto lixo e, o pior, colaborando com a poluição do meio ambiente.
E, a partir da década seguinte, o lixo ficaria muito caro para as prefeituras, que precisaram “exportar” o lixo para cidades do Vale do Paraíba, a um custo muito elevado.

Segundo consta, a prefeitura de Caraguá gasta cerca de R$ 6 milhões anuais para “exportar” seu lixo para um aterro particular localizado em Jambeiro, no Vale do Paraíba.

Na semana que passou, recebemos a triste notícia da morte de Patrícia Blauth. Uma ambientalista, das mais especializadas em saneamento básico, responsável pela iniciação da coleta seletiva em nossa região, morreu jovem. Ela partiu, mais deixou para nós, aqui da região, um trabalho que jamais será esquecido.

Coincidentemente, na semana passada, o prefeito de Caraguá, Aguilar Jr., anunciou o programa de Coleta Seletiva de Caraguá. Um grande avanço para o município, é claro, se todos os moradores se conscientizarem e se envolverem com o programa.

Se todos se envolverem, lucrará o município e os moradores. A prefeitura reduzirá o gasto com a “exportação” do lixo, já que cerca de  30% dele é reciclável. Esse lixo reciclável irá gerar renda as entidades envolvidas e mão de obra para muita gente.

Secretário Marcel Georgetti.
O secretário de Meio Ambiente, Marcel Giorgetti, garantiu que toda a infraestrutura necessária está sendo garantida pela prefeitura. A Electra Pavimentação e Construção Civil Ltda é a empresa responsável pela coleta.

Para Giorgetti “o sucesso da Coleta Seletiva depende da colaboração e do envolvimento de toda a população”.  O prefeito Aguilar Junior afirma que  “significará menos gastos com o transbordo e menos impacto ambiental no transporte desses resíduos para o aterro”.


sábado, 26 de agosto de 2017

Via Orla

SAÚDE

PESQUISA SOBRE DIARREIAS AGUDAS EM CARAGUATATUBA

Três pesquisadores,  Gabriela Farias Asmus, Doutora em Meio Ambiente , da Universidade de Campinas;  Sônia Regina da Cal Seixas, Doutora em Ciência Sociais, também da Universidade de Campinas: e, Eduardo Gonzalez, Biólogo da Vigilância Epidemiológica de Caraguatatuba, fizeram um estudo sobre a incidência de diarreias agudas em Caraguatatuba.

O estudo avaliou os casos de diarreias agudas registradas no município entre 2002 e 2012, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital Stella Maris. A pesquisa foi transformada em um artigo publicado recentemente na Revista Interdisciplinar Saúde & Meio Ambiente.

 Foi um trabalho dos mais interessantes. As diarreias agudas, uma manifestação comum das doenças infecciosas intestinais, são consideradas um sério problema da saúde pública mundial. Estima-se que elas atinjam cerca de 1,7 bilhões de pessoas anualmente, sendo responsáveis pela morte de 700 mil crianças. São consideradas a 2ª principal causa mundial de mortalidade infantil, embora se reconheça que a África subsaariana e o sul asiático concentrem a maioria dos casos.

No caso específico do Brasil, a redução das taxas de internação e mortalidade infantil por diarreia aguda é reflexo das medidas de saneamento básico implantadas a partir da década de 1970, às melhorias no acesso aos serviços de saúde e à introdução da Terapia de Reidratação Oral. 

No ano 2012, o Brasil registrou 186.624 internações hospitalares por diarreias de origem infecciosa presumível, com taxas (por 100.00 habitantes) variando bastante entre as regiões: 205,0 (norte); 151,7 (nordeste); 83,9 (centro-oeste); 55,7 (sul) e 43,1 (sudeste)(SIH-SUS, 2014).

A probabilidade de crianças menores de um ano serem hospitalizadas ou morrerem por doença diarreica aguda é pelo menos quatro vezes maior nas microrregiões localizadas no norte e nordeste brasileiro.

Os pesquisadores constaram que Caraguá possui problemática socioambiental semelhante a muitas outras localidades brasileiras: déficits em saneamento, enchentes urbanas e falta de infraestrutura para acomodar a população crescente.

Segundo o estudo, em 2002, a taxa de incidência de diarreias era 37 casos/1000 habitantes. Dez anos depois, em 2012, a taxa era 48,6. Os pesquisadores constataram que a incidência de diarreias é elevada nas 6 primeiras semanas epidemiológicas do ano; e, que as taxas de incidência na população infantil são maiores, embora 46% dos casos brutos recaiam sobre a população adulta.

Constatou-se que os turistas chegam a representar 25% dos casos nas quatro primeiras semanas do ano, mas que eles não são diretamente responsáveis pelo aumento de registros no período. Foi apurado um aumento de casos no verão, estação que concentra maiores volumes de chuva, temperaturas elevadas e queda de balneabilidade das praias.

Abaixo um resumo do artigo dos pesquisadores


A proximidade com a formação da Serra do Mar e os muitos corpos hídricos que drenam o local determinam espaços que – quando ocupados – tornam-se suscetíveis a desastres associados a escorregamentos de terra e inundações. Assim como a maioria dos municípios brasileiros, Caraguatatuba é uma cidade com diferentes condições socioambientais. Além de reunir espaços com boa infraestrutura urbana e acesso a serviços, reúne também áreas de difícil acesso, com severas deficiências em saneamento ambiental e muitas vezes inadequadas para o estabelecimento de moradias.

 Cerca de 60% dos domicílios não estão ligados ao sistema municipal de coleta de esgotos, e o sistema de drenagem de águas pluviais (quando existente) é insuficiente em se considerando os volumes elevados de precipitação que caracterizam a região: cerca de 3.000 mm em anos habituais, com picos no verão.

Uma característica importante do município é a sua condição turística, que chega a triplicar a população local em época de veraneio. Além desta flutuação sazonal, Caraguatatuba possui taxa crescente de urbanização, certamente associada aos investimentos recentes ligados à exploração da camada pre-sal na região.

Somando-se este fato à problemática de esgotamento sanitário, é compreensível que parte de suas praias sejam eventualmente classificadas como “impróprias” para banho no verão. Caraguatatuba participa do programa MDDA desde sua implantação no ano 2000, embora o envio regular de dados tenha sido consolidado a partir de 2002. Diferente da recomendação geral do programa, o município decidiu incluir todas as suas unidades públicas de saúde como “sentinelas”.
Por atender muitos casos de diarreia diariamente, o único hospital particular existente na cidade também foi incluído como sentinela. Assim, com exceção das clínicas e consultórios particulares, todos os estabelecimentos de saúde do município enviam dados ao programa MDDA.


Os dados de morbidade de diarreia são oriundos do Programa Nacional de Monitorização da Doença Diarreica Aguda (MDDA), coletados em duas bases de informação: (i) no sistema online do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), de onde foram extraídos os dados anuais para o maior período disponível [2002-2012]; e (ii) nos condensados semanais (“Impresso II”) preenchidos pela Vigilância Epidemiológica da secretaria de saúde de Caraguatatuba.

 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A visualização de uma série de dez anos de dados [2002-2012] sugere que num primeiro período [2002-2005] os registros de diarreia reduziram, ao passo em que no período seguinte [2005-2012] houve uma tendência de aumento . No ano 2012, a taxa foi de 48 casos de diarreia para cada mil habitantes – cerca de 30% maior do que a observada em 2002.

Dentro de um período de seis anos (2005-2010), foram notificados 15.677 casos de diarreias agudas em Caraguatatuba. Os moradores externos (turistas) que adoeceram no município correspondem a 10% dos atendimentos totais para este período. A faixa etária que concentra a maior parte dos casos é a “maior que 15 anos”, em especial, porque a maior parte da população de Caraguatatuba é adulta.

Observou-se que a faixa etária proporcionalmente mais atingida é a infantil, principalmente bebês menores de 1 ano e crianças entre 1 e 4 anos de idade. De fato, crianças são mais vulneráveis à incidência de diarreias , embora isto não amenize o fato de que 46% dos casos brutos registrados no município (período 2005-2010) foram reportados por adultos maiores de 15 anos.


Observa-se que as sete primeiras semanas - que correspondem parcialmente aos meses janeiro e fevereiro - coincidem com o pico dos casos. Este período não somente corresponde à época de maior recebimento de turistas, como também ao período de intensificação de calor e chuvas no litoral norte paulista.

Os turistas chegam a representar 25% dos atendimentos nas unidades de saúde do município nas quatro primeiras semanas do ano. Embora o gráfico demonstre que o montante de turistas não é diretamente responsável pelo incremento dos registros no verão, se reconhece que o aumento dos turistas nesta época pode sobrecarregar a infraestrutura de coleta de esgoto, que cobre apenas 56,4 % da população. Indiretamente, a balneabilidade das praias fica comprometida.

O aumento das chuvas no período certamente contribui para o carreamento de esgoto para os corpos hídricos do município, que ao final das contas, desaguarão no mar. Assim, banhistas ficam expostos a vírus, protozoários, bactérias e outros agentes causadores de diarreias. Outro fator possivelmente envolvido na explicação para os padrões observados é o aumento da temperatura no verão, que abrange as semanas com maior número de registros. O calor tanto pode acelerar o metabolismo dos microrganismos causadores da diarreia como significa uma época de maior exposição das pessoas aos ambientes contaminados.

Os próprios moradores de Caraguatatuba reconhecem um comportamento mais “à vontade” associado ao verão, com hábitos que podem favorecer a incidência da diarreia neste período. Por exemplo, o aumento do consumo de alimentos/bebidas de qualidade sanitária duvidosa, ou a visitação de praias/corpos d’água potencialmente contaminados.

Um segundo período importante em relação ao incremento de registros está localizado entre agosto e setembro. Possivelmente, refletem microrganismos que se multiplicam nas épocas mais secas do ano, como é o caso do outono na região litorânea de São Paulo. Embora esteja previsto pelo programa MDDA que uma amostra dos dados seja investigada para elucidação do agente etiológico, nenhum caso foi encaminhado para análise no município de Caraguatatuba. 

Desta maneira, não é possível discernir se os episódios estão ligados a bactérias ou vírus, se são fruto de verminoses ou casos isolados de intoxicação alimentar. Acredita-se que o pico de casos observado nas primeiras semanas do ano em Caraguatatuba sejam episódios majoritariamente bacterianos, enquanto que o pico do outono esteja associado a episódios virais.

 Durante os anos 2005-2010, foram registrados apenas seis casos de diarreia sanguinolenta em Caraguatatuba: quatro deles em bebês menores de um ano, e dois em crianças na faixa etária 1-5 anos. Não há registros do agente etiológico envolvido. No ano 2005, o programa MDDA também identificou um surto de diarreia num Centro de Educação Infantil (CEI). Igualmente, não foram obtidos os resultados da investigação epidemiológica caso esta tenha ocorrido. De maneira geral, a maior parte das diarreias agudas atendidas em Caraguatatuba não se referia a episódios considerados “graves”, uma vez que o plano de tratamento adotado em 60% dos casos foi o “plano A”.

De acordo com o Programa MDDA, o plano A é destinado a pacientes atendidos sem sinais de desidratação. Eles são dispensados com recomendações de cuidados domiciliares e recebem envelopes de sais hidratantes para preparar o soro caseiro em casa. O plano B é indicado em casos de diarreia com desidratação. Neste caso, o paciente fica em observação e realiza a terapia de reidratação oral (TRO) ainda no ambulatório. O plano C é para pacientes com desidratação severa, que necessitam de reidratação intravenosa.  

Ao longo do período 2005-2010, apenas duas considerações técnicas foram feitas neste sentido: Na semana epidemiológica 6 do ano 2005, o aumento de casos no município foi atribuído à “alta ingestão de álcool por parte dos foliões, a maioria turistas”. E na semana epidemiológica 14 do ano 2005, o aumento de casos no município foi atribuído às “viroses, derivadas das enchentes ocorridas na região”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora não se possa afirmar que haja uma tendência de aumento das taxas de diarreia desde que se iniciou o programa MDDA em Caraguatatuba, nota-se uma flutuação tanto na série anual (2002-2012) como na série semanal (2005-2010) de dados. A flutuação observada entre as 52 semanas epidemiológicas sugere dois períodos importantes: o aumento acentuado de casos no verão e um aumento moderado de casos no outono. A parcela destes casos que está associada ao clima (temperatura, umidade do ar, pluviosidade/ eventos extremos de precipitação) certamente será influenciada no caso de mudanças ambientais globais, sugerindo que as taxas podem aumentar ainda mais nas próximas décadas.

 O programa MDDA foi originalmente criado para monitorar a diarreia no nível local, detectar surtos precocemente e trazer parâmetros mais adequados para as medidas de controle e prevenção. Apesar dos dados gerados pelo programa serem apenas uma amostra da situação de diarreia em um município, eles são interessantes para estudos de morbidade. Em especial, porque eles captam a população que não é necessariamente internada ou morre por doenças diarreicas – mas que sofre todo o incômodo, o viés nutricional e econômico que as diarreias podem representar para a família.


Para adequar-se aos novos desafios globais, que tem o potencial de agravar a situação das doenças diarreicas, sugere-se que se torne obrigatório: a) a investigação do agente etiológico em uma porcentagem dos casos, tornando possível o acompanhamento dos vírus, bactérias e outros microrganismos associados; b) a sistematização dos endereços geográficos da população acometida, facilitando a execução de análises espaciais em áreas potenciais de inundação ou outras áreas de interesse; e c) a criação de uma faixa etária para a população idosa, considerando sua vulnerabilidade em saúde de uma maneira geral. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Via Orla

Literatura 


      O livro de Valentim, um registro histórico do Tebar. 



Foi muito legal a iniciativa de Valentim Alves Chagas Filho em publicar um livro relatando seus 47 anos de trabalho no Tebar(Terminal Marítimo Almirante Barroso) em São Sebastião. O livro, com 150 páginas, da Editora Scortecci, lançado no final do ano é um registro importante da história do Tebar, o mais importante terminal da Petrobras.

Valentim conta que pensou em escrever o livro em 2004, logo após sofrer um infarto. Mais que começou a colocar a ideia em prática em 2013. Foi coletando fotos antigas dos amigos e da empresa e relembrando passagens que marcaram sua vida como operador do terminal.  

Em 1965, quatrocentos jovens, a maioria da nossa região, se inscreveu no concurso público aberto pela Petrobras, para contratar operadores, para colocar em operação o Tebar, em São Sebastião. Valentim, com 19 anos, na época, que era um dos inscritos para disputar as 84 vagas oferecidas pela empresa, foi aprovado.

Ele relata no livro, que começou como estagiário, em 1966.  Foi fiscal das obras da construção do oleoduto que interligava São Sebastião a Cubatão. Em 1968, quando o terminal entrou oficialmente em operação, passou a trabalhar como operador. Ficou lá por 47 anos.
Um grupo de operadores em 1966. 

No livro, ele lembra muito dos amigos, entre eles, o Andelmo Zarzur, o Paulo Julião e o João Oliveira; e, dos que já faleceram, como o Zé Avelar, o Renato Navarro e o Silvio Areco. Tem histórias muito legais, envolvendo alguns deles.

Valentim lembra que o Tebar concluído em 1968 começou a operar oficialmente em 1969, com sete tanques e capacidade para armazenar 34.500 metros cúbicos de petróleo. O primeiro navio a operar no terminal foi o Bjorg Fjell, que descarregou 80 mil metros cúbicos de petróleo trazido do Oriente Médio.


Ele relembra os acidentes ocorridos no terminal, como o primeiro deles, em 1969, sem maior gravidade; e, o mais grave, ocorrido em 1977, com o navio Cairú. Valentim também conta sobre as greves, entre elas, a primeira ocorrida no Tebar, em 1990, que contou com a adesão da maioria dos trabalhadores. O livro de Valentim, “Memórias de Um Petroleiro”, é um registro histórico sobre o maior terminal da Petrobras. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Via Orla




Saúde

Hospital Regional deve ser inaugurado no segundo semestre de 2018.

         Prefeitura quer que Estado implante o Centro de Oncologia do Litoral Norte

Obras do Hospital Regional. 
O Hospital Regional do Litoral Norte está com suas obras bem adiantadas e deve ser inaugurado no segundo semestre do ano que vem. O hospital, que está sendo construído em uma área de 20 mil metros quadrados, ao lado do Serramar Shopping, na região sul de Caraguá, será de grande importância para a região.

As obras, orçadas em R$ 250 milhões, foram iniciadas em junho de 2016. O prédio terá 7 mil metros quadrados de construção, com seis pavimentos, onde haverá 186 leitos, distribuídos em 48 para clínica médica, 48, clínica cirúrgica, 25 para ortopedia e traumatologia, 25 para neurocirurgia e 40 para UTI(Unidade de Tratamento Intensivo). 

O complexo hospitalar poderá ser ampliado. É que o prefeito Aguilar Jr quer construir um Centro Regional de Oncologia, anexo ao prédio do hospital regional. Segundo consta, o prefeito vem tratando do assunto junto a Secretaria Estadual de Saúde. Quando esteve visitando as obras, em janeiro deste ano, Aguilar Jr explicou, que já existe uma área ao lado do hospital, onde poderá ser construído o centro de oncologia.

"A idéia é que tenhamos um anexo ao Hospital Regional. Já temos área ao lado do Hospital Regional. Queremos concentrar os serviços de quimioterapia e radioterapia em Caraguatatuba e dar conforto aos pacientes e familiares", comentou o prefeito, na ocasião.

Segundo o coordenador do Projeto de Fortalecimento da Gestão de Saúde do Estado de São Paulo, Ricardo Tardelli, a proposta com um prédio anexo é ideal, porque existe uma demanda grande dos pacientes com oncologia, na região, que acabam tendo que se deslocar para outras cidades. A proposta, segundo ele, é centralizar todos os serviços no centro de oncologia.

Um total de 1.115 pacientes utiliza serviços de oncologia em Caraguá, segundo dados fornecidos ela prefeitura. Todos são obrigados a viajarem para outras cidades, como Jacareí, Campinas, São Paulo e Barretos, para receberem tratamento adequado. As viagens são bem cansativas e desgastam muito os pacientes. O centro iria beneficiar todos os pacientes das demais cidades da região. 

A prefeitura também está tratando com os responsáveis pela obra do hospital as opções de acessos viários que serão feitos a partir da rodovia Rio-Santos. Com a inauguração do hospital, o movimento de veículos deverá ser intensificado naquela região. Uma das propostas é construir alças de acesso exclusivas ao hospital para evitar que o trânsito no local seja prejudicado.









sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Via Orla

Cidades

      Estado não tem recursos para investir na Rio-Santos.

                          Prefeituras fazem obras para melhorar segurança e tráfego.

Apesar da forte pressão dos prefeitos, as obras de melhorias na rodovia Rio-Santos, só devem ocorrer a partir de 2018. O governo, que prioriza a duplicação da Tamoios e de seus contornos(Norte e Sul), alega que não tem recursos, atualmente, para investir na rodovia, segundo reportagem do jornal Tribuna.
  
A rodovia Rio-Santos tem cerca de 230 quilômetros de extensão, interligando Bertioga, São Sebastião(e Ilhabela), Caraguá e Ubatuba, em seu trecho no Litoral Norte Paulista. É uma rodovia “turística” por natureza, por dar acesso, a um trecho dos lindos do litoral brasileiro.

A rodovia tem interseções com as rodovias Mogi-Bertioga, Tamoios e Osvaldo Cruz; Nos feriados prolongados e férias de verão, cerca de 20 a 25 mil veículos trafegam diariamente pelo trecho. Nesses períodos, percorrer os 55 quilômetros entre Ubatuba e Caraguá, pode-se levar de 6 a 8 horas.

A rodovia feita em 1975 e concluída totalmente em 1983, nesses períodos do ano, não comporta o trafego intenso. Isso tem irritado moradores, veranistas e turistas. A falta de investimento na rodovia, tem prejudicado o turismo. Muitos deixam de visitar a região em períodos como fim de ano e carnaval.

Prefeituras

Diante da falta de recursos do Estado, as prefeituras investem em obras paara tentar melhorar o tráfego em alguns trechos. Em Caraguá, por exemplo, o prefeito Aguilar Jr 
(PMDB) irá construir uma ponte no bairro do Capricórnio e iluminar o trecho entre o Casa Branca e Getuba, para tentar reduzir os congestionamentos e aumentar a segurança dos usuários da rodovia.

Em Bertioga, o prefeito Caio Matheus(PSDB), vem fazendo intervenções, como a melhoria da iluminação de trevos onde há grande passagem de pedestres de um lado da rodovia para o outro. A Prefeitura também está fazendo a pavimentação da Avenida Marginal Norte, no Bairro Chácaras, o que evitará com que os motoristas precisem acessar constantemente a rodovia para se locomover naquela região.

Os acidentes crescem na rodovia: de janeiro a julho deste ano, foram 565 casos registrados, com 14 mortes, 269 feridos leves e 67 feridos gravemente. Conforme levantamento feito pelo jornal A Tribuna. O jornal cobrou informações ao Estado sobre os investimentos de R$ 300 milhões anunciados para a rodovia em 2015.

DER

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) admite que ainda está trabalhando no planejamento das melhorias da rodovia para que verba seja reservada, o que possibilitará a contratação de uma empresa para a elaboração do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Esse documento está orçado em cerca de R$ 2 milhões.

O DER informou ainda que, entre 2011 e 2014, foram investidos mais de R$ 145 milhões em obras viárias nas rodovias Rio-Santos e Padre Manuel da Nóbrega. Ao todo, foram 27 intervenções. Desde 2015, o DER concluiu quatro obras para contenção de taludes e melhorias no sistema de drenagem em Caraguatatuba, São Sebastião e Pedro de Toledo. 

Para o prefeito de Bertioga, as melhorias na rodovia trará muitos benefícios para sua cidade, como a melhora do fluxo urbano, mais segurança no trânsito de pedestres, ciclistas e motoristas na área urbana da Cidade, além de agilizar o tráfego na estrada.  

As cobranças por mais investimentos na Rio-Santos são feitas há pelo menos 5 anos. O então prefeito de Caraguá, Antonio Carlos da Silva(PSDB), sempre que se encontrava com o governador Alckmin cobrava a duplicação do trecho Caraguá/São Sebastião. Os atuais prefeitos continuam reivindicando melhorias ao longo da rodovia. 



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Via Orla

Educação

Deputados aprovam criação de Universidade Federal no Litoral Norte

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados aprovou recentemente a criação da Universidade Federal do Litoral Norte. O projeto, de autoria do deputado Luiz Fernando Machado (PSDB)  foi apresentado em 2011. Atualmente, Machado é prefeito da cidade de Jundiaí (SP). Aprovado pela comissão, a proposta seguirá para aprovação ou não do governo federal.
Quando propôs o projeto, Machado justificou que “a criação da Universidade Federal do Litoral Norte representará para o desenvolvimento social do Estado a possibilidade de criação de grande polo turístico, contribuindo na formação da sua população, com o aprimoramento da formação para o turismo, ecologia, pesca, cultura, entre outros”.
Machado defendeu em seu projeto que a universidade seja instalada em Ubatuba, mas um artigo apresentado pelo deputado Vicentinho (PT), possibilita ao governo federal abrir a universidade em qualquer cidade da região. Segundo dados da Fundação Seade nas quatro cidades da região existem cerca de 15 mil alunos cursando o ensino médio.
Hoje, existem faculdades particulares em Caraguá e São Sebastião. Mais centenas de estudantes viajam diariamente para cursarem faculdades no Vale do Paraíba, Mogi das Cruzes e Santos. Uma grande maioria, no entanto, não cursa uma faculdade porque suas famílias não possuem condições financeiras.
A implantação de uma universidade federal no Litoral Norte é um sonho antigo. O movimento teve inicio, em 2008, liderado pelo jovem caraguatatubense Hélio Monteiro, que após percorrer a região, levou a proposta para os deputados e, até mesmo, ao então ministro da Educação, Fernando Haddad. 

Hélio disse que ficou muito feliz com a aprovação do projeto pela comissão de Educação. " Agradeço aos dois deputados, Machado e Vicentinho, que na época se interessaram em levar o projeto adiante. Vamos aguardar o posicionamento do MEC", disse. Segundo o projeto aprovado, a instituição pretendida para a região teria vários cursos, pesquisa e extensão universitária (pós-graduação, mestrado e doutorado).
A universidade federal daria oportunidade para muitas pessoas da região. E, também, traria muitos estudantes de fora para estudarem por aqui.  “A criação da universidade representará o desenvolvimento social para a região onde muitos jovens poderão ingressar no ensino superior”, afirmou Vicentinho.
A deputada federal Pollyana Gama (PPS), que é de Taubaté e membro da Comissão de Educação, ficou muito feliz com a aprovação do projeto. “É claro que temos outras ações para serem desenvolvidas para que isso se concretize, mas é um passo nessa direção para constituir esse importante instrumento para educação dos nossos jovens”.
Segundo Pollyana, o projeto segue na forma de indicação ao governo federal e estaremos empenhados na cobrança para que a universidade se concretize. Ou seja, tem que haver pressão dos demais deputados federais, principalmente, daqueles ligados ao Litoral Norte, bem como, dos prefeitos.
Tudo indica que a criação da universidade irá demorar- o projeto de sua criação demorou seis anos para ser votado, mesmo assim, se não houver pressão política dificilmente o governo irá decidir pela sua aprovação ou não. Seria legal, que a população do Litoral norte fizesse um abaixo assinado para agilizar a definição e a instalação da universidade federal na região. O MEC(Ministério da Educação) ainda não se manifestou sobre o assunto.  


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Via Orla

Turismo

     Prefeitura de Caraguá vai incrementar o Turismo da Fé.

Primeiro monumento de Santo Antônio instado no alto do morro, década de 60. 
A Prefeitura de Caraguá, através da Secretaria de Turismo, com apoio da Diocese, decidiu investir de vez no turismo da fé. Quer transformar o santo padroeiro da cidade, Santo Antônio, num grande atrativo turístico. Uma iniciativa das mais válidas, uma vez que, o santo tem profunda ligação com a cidade e sua imagem, instalada no alto do morro, é um dos locais mais visitados por turistas e veranistas.

Já contei aqui, que a idéia de fazer o santo padroeiro uma atração turística surgiu em 2002, quando o secretário de Turismo, Paulo Noronha, contratou o publicitário Carlos Cavalcanti, para desenvolver um projeto chamado de “Caminhos de Santo Antônio”, uma caminhada em direção ao alto do morro, por onde se teria muitas informações sobre a vida do santo e atrativos turísticos.

Foi, no entanto, o ex-prefeito Aguilar, quem começou a viabilizar a ideia, quando por volta de 2006, decidiu pavimentar o acesso ao alto do morro e depois, em 2008, instalar lá em cima, uma imagem de 15 metros de altura. A partir daí tiveram início as missas e homenagens todo dia 13 de junho, Dia do Padroeiro.

Este ano, surgiu uma novidade, promovida pelo Fundo Social, através da primeira dama Samara Aguiar, as fitinhas e flâmulas de Santo Antônio. A iniciativa foi muito bem aceita. Agora, a prefeitura e a diocese, acertaram uma parceria: todo dia 13 de cada mês será realizada uma caminhada até o alto do morro e lá será rezado um terço.

Segundo, o padre Carlos Alberto da Silva, o padre Beto, pároco da igreja matriz de Santo Antônio, a caminhada sairá às 18 horas e terá apoio total da secretaria de Turismo, como carro de apoio para transportar pessoas idosas e distribuição de água, entre outras coisas. A idéia é muito legal, principalmente, se houver uma boa divulgação junto aos veranistas e turistas. São inúmeros os devotos de Santo Antônio.

Essa iniciativa, bem como outras, devem incrementar o turismo da fé, muito importante para a nossa cidade. A prefeitura poderia instalar um atendimento lá no alto do morro, para venda de fitinhas, camisetas ou imagens de Santo Antônio. O legal é saber que desta vez parece que a coisa vai andar. Tem tudo para dar certo...

Memória

Santo Antônio tem grande influência em nossa cidade. Segundo dados oficiais da Igreja, a Capela de Santo Antônio já existia entre os anos de 1663 e 1664. Em 1847, uma lei elevou a Capela de Santo Antônio. Em 1853 teve início a primeira festa em homenagem ao padroeiro. Em 20 de abril de 1857, a vila de Santo Antônio de Caraguatatuba foi elevada a município, passando a se chamar apenas  Caraguatatuba.  
  
A ideia de instalar um monumento, no alto do morro, em homenagem ao padroeiro, ocorreu na década de 50, quando Wilson Lion de Araújo, da Companhia Vera Cruz, empresa que implantava vários loteamentos na cidade, entre eles, o bairro do Sumaré, decidiu doar um monumento de Santo Antônio, padroeiro da cidade, para ser instalado no alto do morro do Engenho Velho, que depois, passou a ser conhecido como morro do Santo Antônio.

Foi preciso abrir uma estrada até o local onde o monumento seria instalado. Ivan Ferreira Fonseca, que trabalhava na época na Companhia Vera Cruz  (depois, durante muitos anos trabalhou na prefeitura, até se aposentar), foi quem coordenou os trabalhos de abertura da estrada até o alto do morro. No dia da instalação do monumento foi feito uma procissão e uma missa no alto do Mirante de Santo Antônio. Um dos responsáveis pelo monumento foi o então prefeito da época, Altamir Tibiriçá Pimenta.

O antigo monumento, feito de concreto, era bem menor que o atual e ficava mais a esquerda, olhando de frente para o morro. O monumento tinha cerca de 4 metros de altura e era muito visitado pelos fiéis. Nas décadas de 80 e 90, o monumento passou a ser destruído por vândalos. A cidade acabou perdendo o pequeno monumento e as homenagens feitas pelos fiéis lá no alto do morro. Hoje, no local onde existia o antigo monumento, tem uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida, modelada em madeira. 


Monumento recebe milhares de visitas. 


Na década de 90, os católicos passaram a cobrar das autoridades locais a instalação de um novo monumento no alto do morro. Isso veio a ocorrer em 2008, quando o então prefeito Aguilar, decidiu construir um monumento. A obra foi feita pelo artista Irineu Miglioni, de 15 metros de altura. A imagem ficou um pouco distorcida, mas mesmo assim, atraí milhares de pessoas, mensalmente.   

domingo, 13 de agosto de 2017

Via Orla

Turismo
A morte do jovem turista francês após extrair um dente em Caraguá.
Théo Senne, o jovem turista francês. 
O caso ocorreu em junho, mas somente agora o blog tomou conhecimento. Theo La Senne, 24 anos, natural da cidade de Callian, na França, fazia uma viagem humanitária pela América Latina. Aquela viagem, que muitos jovens sonham em fazer, mais que poucos conseguem concretizar.
A viagem, que duraria um ano, terminou quatro meses antes, de forma muito triste. No final de maio, durante sua passagem pelo Litoral Norte, Théo teve que extrair um dente em Caraguá. Ele morreu alguns dias depois, devido a uma grave infecção, segundo suspeita, contraída durante o procedimento cirúrgico.
Théo morreu no Hospital Regional de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, após dar entrada com uma infecção no dente e hemorragia. Ele não resistiu e veio a falecer. Foi instaurado um boletim de ocorrência para apurar as causas de sua morte.
Uma jovem, de 21 anos, de Campo Grande, que ele havia conhecido pelas redes sociais, ainda em Caraguá, contou à polícia que Théo estava viajando pela América Latina há 8 meses. Ela teria conhecido o turista via intercâmbio por meio de uma rede social de apoio a estrangeiros.
Théo utilizava em suas viagens a plataforma Couchsurfing- sucesso em todo o mundo. Através dela, quem está inscrito, pode ficar alojada ou alojar viajantes, principalmente, jovens. Théo conheceu 23 países, entre eles, a China, a Bósnia e a Nova Zelândia. A maioria, segundo consta, através da plataforma Couchsurfing.
Segundo ela, Théo, que estava hospedado há uma semana em sua casa, contou que havia extraído um dente na cidade de Caraguatatuba (SP), onde esteve durante a viagem ao Brasil. E que, após o procedimento cirúrgico, foi para Campo Grande. Ela informou ainda que Théo já apresentava muita febre e estava com infecção na boca.
No sábado, dia 3 de junho, Théo, mesmo com dores e não passando bem, viajou para a cidade de Bonito, junto com ela. Lá, Theo sentiu-se muito debilitado. Segundo consta, por causa da hemorragia e da gravidade da infeção na boca, foi encaminhado de ambulância para o Hospital Regional, onde morreu por volta das 22h.
A causa da morte do jovem não foi divulgada. Não foi divulgado em qual clínica ou consultório ele foi atendido em Caraguá. Também não se sabe se ele “pegou” a infecção no local onde foi atendido ou se ele mesmo não tomou os devidos cuidados( e medicamentos) para evitar uma infecção. 
Segundo consta, ele pode ter morrido devido a uma infecção generalizada ou por uma parada cardíaca, provocada pela infecção. A família dele, que mora na França, teria sido informada da morte, através do consulado francês, segundo contou a jovem.
Jovem aventureiro
Théo trabalhava como guarda florestal, na Floresta Nacional da França, antes de decidir fazer a viagem pela América do Sul. Ele fazia questão de registrar nas redes sociais sua aventura pelos países por onde passava. Viajava de bicicleta. Alguns trechos, percorreu numa Kombi, de um amigo francês.
Em fevereiro, por exemplo, durante sua passagem por La Paz, na Bolívia, relatou que descobria novos horizontes, novas culturas e novas pessoas por onde passava.  Na época, viajava de Kombi com um amigo francês. Antes, havia viajado de bicicleta por quatro meses. Quando estavam em Lima, no Peru, seu amigo decidiu retornar à França. Ele decidiu continuar a viajar sozinho.
Théo registrava em fotos suas viagens.
Em outro relato, nas redes sociais, ele falou da expectativa de conhecer países como o Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile. Comentou que amava o mar, as montanhas e a selva. Ele contou, que se encantou com as ondas do Peru, mas que não comprou uma prancha para surfar, porque não tinha como leva-la na bike.
Lamentou que, apesar de ter encontrado muitas pessoas, como ele, viajando pela América do Sul, não encontrou ninguém para acompanha-lo. Théo não seguia um roteiro pré-determinado. Ele seguia sua vontade, ou seja, ia para onde queria ir. Queria conhecer lugares, novas culturas e pessoas.
Théo tinha uma filosofia de vida das mais interessantes: a vida é uma só, por isso, tem que ser bem aproveitada. Em seu perfil, nas redes sociais, ele informava que adorava a natureza, o ciclismo, a caminhada e conhecer o mundo.
Na música adorava e curtia Beatles, Pink Floyd, Supertramp e Coors. Adorava ler, um de seus escritores prediletos era Bernard Werber. Entre seus filmes favoritos: O Efeito Borboleta e Voando sobre um ninho de cucos. Adorava sua cidade, Callian, que fica na Provence dos Alpes, na Côte D’ Azul, na França.
É uma pena que uma viagem humanitária tenha terminado de uma maneira tão triste...  



sábado, 12 de agosto de 2017

Via Orla

Turismo

Tamoios: Estrada desenvolveu o turismo no Litoral Norte.


Na última quinta-feira, dia 10, um seminário promovido em São Paulo, reuniu representantes de governos estaduais e municipais e gestores da Presidência da República, para avaliar Concessões e PPPs (Parceria Público-Privada) firmadas entre Estado e iniciativa privada. No seminário, a duplicação da Rodovia dos Tamoios foi considerada pelo governo estadual como um modelo para o país.
Após o seminário "Missão Técnica para Concessões e PPPs" todos os participantes fizeram uma visita às obras de duplicação da rodovia, no Litoral Norte. Segundo o governo, o evento permitiu "dialogar com essas esferas de governo que manifestaram interesse em conhecer o bem sucedido modelo paulista de parcerias do Estado com a iniciativa privada".
O contrato para a PPP da Tamoios foi assinado em 2014 com o consórcio administrado pelo grupo Queiroz Galvão. A construtora está duplicando o trecho de serra e recuperando a pista existente. O consórcio opera toda a rodovia.
A duplicação da serra tem custo estimado em R$ 3,9 bilhões, com investimento público de R$ 2,1 bilhões nas obras de duplicação e R$ 715 milhões da Queiroz Galvão, que terá que aportar mais R$ 1 bilhão em 30 anos de concessão.
História

Quem circula pela rodovia dos Tamoios, a SP-99, atualmente, trafega por uma rodovia duplicada e bastante segura. O governo do Estado investe milhões em sua duplicação. As obras ainda não foram concluídas totalmente. Isso deve ocorrer em 2019, com a finalização da duplicação do trecho de serra e dos contornos Sul e Norte. Todo investimento vem sendo feito com o único objetivo de viabilizar, ao longo do verão. Com relação ao porto de São Sebastião, fica difícil saber se haverá ou não uma expansão. Será difícil conviver turismo com uma maior atividade portuária. Essa questão até hoje ainda é discutida, principalmente, por moradores de São Sebastião e Ilhabela. O governo do Estado pensa no porto, moradores e empresários pensam no turismo.

É interessante lembrar que a abertura da rodovia dos Tamoios foi feita há 85 anos com o mesmo objetivo com que o governo do estado investe atualmente na rodovia: ampliar a atividade no porto sebastianense. Temos visto que todo, houve muito pouco desenvolvimento. Mesmo sendo um dos melhores portos do país, investimento feito na rodovia tem beneficiado e muito a expansão do turismo. Com relação ao porto o porto de São Sebastião ainda não tem sido utilizado para desafogar o porto de Santos.

Tamoios

O legal é destacar que até 1935 não havia acesso rodoviário entre São José dos Campos e o Litoral Norte. Nesta época, o acesso era marítimo ou feito por mulas. As pessoas iam de ônibus ou de carro até Paraibuna ou ao alto da serra, por uma estradinha de terra, muito acanhada. Tropeiros faziam o transporte das pessoas através de picadas. Tem gente que ainda se lembra dessa aventura feita em mulas pelas encostas da Serra do Mar.

Foi em 1932 que o governo do Estado decidiu construir uma estrada ligando ao alto da serra até Caraguá. No governo havia uma discussão interessante: tinha gente que defendia a abertura da estrada entre Mogi das Cruzes e São Sebastião, entre elas, o engenheiro Plínio Queiroz, político ligado a ao partido democrático;  e, outras que defendiam a abertura da estrada entre o Alto da Serra de Paraibuna e Caraguá. Ambas, no entanto, acreditavam que a estrada era fundamental para expansão do porto de São Sebastião, já na época, considerado uma das melhores alternativas para o progresso da região.
capitão Armond, de chapéu, o construtor.

O governo então optou pela abertura do acesso rodoviário entre o alto da serra e Caraguá, por ser uma alternativa mais econômica. A então Secretaria Estadual da Viação fez um projeto aproveitando os 42 quilômetros de estrada carroçável entre Paraibuna e o alto da serra e a abertura de uma estrada de terra até Caraguá. O trecho que ia de Paraibuna até o alto da serra já era habitado e constituído por muitas lavouras. Os secretários da Viação, Machado de Campos e da Agricultura, Adalberto Netto, visitaram o trecho, acompanhados pelo tenente-coronel Arthur Heschet Hall, chefe do Estado Maior da Força Pública e bateram o martelo autorizando a abertura do acesso até Caraguá.
Sapatadores trabalhando na estrada.

O comando da Força Pública decidiu, em setembro de 1932, criar a 4ª Companhia do Batalhão de Sapatadores, sob o comando do capitão Edgard Armond, para iniciar a abertura da estrada entre o alto da serra e Caraguá. Um grupo de sapateadores, formado por 15 soldados, liderados pelo capitão Edgard Armond, foram os primeiros a dar início aos trabalhos de abertura da estrada no trecho da Serra do Mar.

Em 1933, a Força Pública fez um acordo com o DER para que o órgão fornecesse toda assistência e orientação aos Sapatadores. Os sapateadores receberam pás, picaretas e ferramentas para dar continuidade ao trabalho. Sem dinamite, os sapateadores utilizavam granada de mão para fazer explosivos para dinamitar as pedreiras ao longo do rio Santo Antonio e nas encostas da serra.

estradinha de terra.

O traçado entre Caraguá e o alto da serra tinha 15 quilômetros de extensão. Fez-se 3 quilômetros descendo a serra e outros 8 quilômetros entre a cidade e o alto da serra. O trabalho era executado entre 6 da manhã e 10 horas; e, entre 11 e 15 horas. O transporte das pedras e de material era feito por carroças. A alimentação dos sapateadores era feita principalmente, de peixe, carne seca.

O acampamento da tropa ficava no Rio do Ouro. Lá tinha carpintaria, ferraria, correaria, sapataria e até uma barbearia. Um médico, Dr. Geraldo Ribeiro, foi contratado para dar assistência aos sapateadores. Durante toda a execução da obra apenas três sapateadores tiveram problemas mais sérios e foram encaminhados ao Hospital Militar, em São Paulo.
como eram as pontes.

Entre as obras mais complicadas estava a ponte do Rio Santo Antonio, que em 1967, acabou sendo “levada” pela enchente que atingiu a cidade. A estrada, que viria a se chamar posteriormente de Rodovia dos Tamoios, ficou pronta em 1935. Foi inaugurada pelo engenheiro Vicente Huet Bacelar. Nos anos 50, 60, 70 e 80, a rodovia recebeu melhorias. Somente em 2015 foi duplicada, apesar dos inúmeros apelos feitos anteriormente pelos prefeitos, comerciantes e moradores da região. Até 1990, em épocas de chuvas fortes, inúmeras vezes a rodovia ficou interditada devido a quedas de barreiras.


Aquela estradinha, cheia de curvas e neblina e, que tinha, apenas a Barraca do Gordo, no alto da serra, como ponto de parada para um pão com linguiça, era o principal acesso entre São José dos Campos e as praias mais lindas do litoral paulista. Hoje, a rodovia, mesmo ainda não concluída, oferece condições bem melhores para moradores, veranistas e turistas. Demorou, mais o governo fez as obras que deveria ter feito há muitos anos na estrada que leva milhões de pessoas as cidades da região, principalmente, durante o verão.  


Cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Vale e Litoral Norte, segundo IBGE

  A cidade de Caraguatatuba foi a que mais cresceu em número de habitantes no Litoral Norte Paulista e Vale do Paraíba entre 2010 e 2022, se...