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sábado, 25 de março de 2017

Via Orla

Vida animal

Tubarão que “vivia” em Ribeirão Preto é removido para Ubatuba.
O tubarão resgatado. Foto: Jornal Tribuna. 

A equipe do Aquário de Ubatuba resgatou um Tubarão-Lixa que vivia num aquário de um morador de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O tubarão-lixa, que mede 1,60 metros e pesa 20 quilos, ficava em um aquário de 3.000 mil litros de água salgada e se alimentava de camarão e merluza. O animal vivia em um aquário de 3 metros de comprimento, mal podia se mexer. O tubarão era chamado pelo dono carinhosamente de “Dentinho”, apesar de ser uma fêmea. É que o dono desconhecia o sexo do animal.
O resgate do tubarão foi coordenado pelo oceanógrafo Hugo Gallo, do Aquário de Ubatuba. É que o dono do tubarão não conseguia mais manter o animal em seu aquário e não sabia mais o que fazer com ele. O morador de Ribeirão Preto mantinha o tubarão há 3 anos em seu aquário. Gallo viu pelas redes sociais o desespero do dono do tubarão e resolveu orientá-lo a devolver o animal.
O resgate do tubarão pela equipe do aquário de Ubatuba contou com um caminhão tanque de 1.400 litros de água salgada e vários técnicos, entre eles, o biólogo Leandro Santos. O tubarão chegou nesta quinta feira em Ubatuba e foi colocado em um tanque enorme após passar por vários exames. Não e sabe ainda se o tubarão ficará no Aquário de Ubatuba ou será devolvido ao mar.



quinta-feira, 23 de março de 2017

Via Orla

Turismo

   Condomínio limita acesso de turistas à Praia do Sono

Praia do Sono. Foto- Renato Lavezzo.

A Praia do Sono é um dos locais mais incríveis e belos do Litoral sul-fluminense. A praia que fica vizinha de Trindade, outro local muito visitado por turistas do mundo todo, está tendo seu acesso por mar e terra bastante restrito, por parte do Condomínio Laranjeiras, um dos mais badalados empreendimentos a beira mar do litoral brasileiro.
O condomínio tem feito inúmeras restrições aos moradores, que para chegarem as suas casas, necessitam passar pelo condomínio. A coisa tá tão complicada que até mesmo a merenda servida as crianças do vilarejo pela prefeitura de Paraty, tem enfrentado problemas. Os moradores só podem passar suas compras utilizando as kombis do condomínio.
A situação ficou ainda mais complicada com as novas normas do condomínio: nos feriados só podem ir até a Praia do Sono o limite de 500 pessoas. Nos dias comuns, apenas 400 pessoas. O condomínio tenta inclusive impedir que as embarcações com destino a praia do Sono não mais utilizem a Praia de Fora. A Capitania dos Portos está relutando em acatar a decisão do condomínio.
O condomínio foi implantado na década de 70 e desde então os moradores da comunidade da Praia do Sono convivem com situações absurdas que ferem a Constituição Federal, “direito de ir e vir”. O objetivo do condomínio é um só: não quer que caiçaras e turistas incomodem os moradores do luxuoso empreendimento, um dos mais caros do país.
A questão é que para chegar a Praia do Sono existem duas maneiras: utilizando uma praia ou por uma trilha, que necessitam adentrar área pertencente ao condomínio. É bom explicar que a comunidade caiçara existe há mais tempo do que o condomínio.
Quem não é proprietário é considerada pessoa estranha e, “pessoa estranha” não é aceita pelo condomínio. Eu, particularmente, tive problemas quando precisei entrar no  condomínio em 1992, como jornalista da Folha de São Paulo, para cobrir a morte de Ulisses Guimarães. O Condomínio não queria permitir a minha entrada. Eu fui o primeiro jornalista a chegar ao local do acidente do helicóptero que transportava o político.
A direção da Folha teve que intervir para que permitissem minha entrada no local. O empresário José Ermínio de Moraes foi quem conseguiu liberar a minha entrada no local e “me alojar” em sua magnífica casa, nos dias em que passei lá acompanhando as buscas. Teve situação constrangedora: Não podia falar com nenhum dos proprietários e, para me alimentar no restaurante do condomínio, tiveram que colocar uma pequena mesa nos fundos da cozinha. Eu, um estranho, não podia me sentar e comer nas mesas do estabelecimento, restrita apenas aos proprietários.
Imagine então como são tratados os caiçaras e os turistas que procuram a Praia do Sono. Todos enfrentam muitas restrições, tudo para não incomodar os milionários proprietários do local. A situação, ao longo dos anos, só foi piorando. O condomínio proibiu os caiçaras de cruzarem a pé a área do empreendimento. Eles, os caiçaras, tem que utilizar as vans(kombis)para irem até o local ficam as embarcações, em horários estipulados e, apenas de segunda a sexta-feira.
Para restringir ainda mais o acesso dos “estranhos”, o condomínio colocou um barco a disposição em Paraty para transporte de material de construção ou compras em grandes volumes. Um percurso que é feito em 4 horas, em mar aberto. A coleta de lixo da Praia do Sono também passou a ser feita pela mesma embarcação.
Também ao longo dos anos, os caiçaras procuraram acatar todas as restrições feitas pelo condomínio. Os caiçaras procuraram “não incomodar” os proprietários. O surgimento da Associação dos Moradores Originários da Praia do Sono resolveu questionar algumas medidas adotadas pelo condomínio.
Desde julho de 2009 existe uma representação contra o condomínio no Ministério Público Federal. As restrições continuam. As perseguições também... "Estamos em meio a processos jurídicos, junto ao Ministério Público Federal, e com uma ação discriminatória no Supremo Tribunal Federal. Estamos em guerra, lutando pelo direito de morar em uma comunidade que sempre foi nossa", afirma Jardson Santos, liderança comunitária do Sono.
   
Nós fizemos a trilha que sai do Condomínio das Laranjeiras (já vou explicar como chega lá) e levamos mais ou menos 2h30. O percurso de 3,1 km é um pouquinho puxado e tem várias subidas, mas dependendo do seu ritmo dá pra ir tranquilo, por que é tudo bem conservado e tem até escadas com corrimão e degraus feitos de madeira.



O Paraíso

Apesar das restrições impostas pelo condomínio, milhares de pessoas, do mundo todo, continuam visitando a Praia do Sono. Mesmo com todas as dificuldades de acesso, todos querem conhecer esse local maravilhoso, um verdadeiro paraíso natural e preservado no litoral brasileiro e, com uma comunidade caiçara das mais interessantes e acolhedoras.
A Praia do Sono fica a 300 quilômetros de São Paulo; a 65 quilômetros de Ubatuba; e, a 25 de Paraty. O acesso é feito por terra ou por mar. Por terra ou por mar, as pessoas tem que cruzar a área do condomínio Laranjeiras. Por trilha, são duas horas de caminhada; de barco, meia-hora. A praia do Sono tem 1.365 metros de extensão. Logo depois tem às praias Antigos e Antiguinhos.   

A Praia do Sono começou a ficar conhecida na década de 70, logo após a abertura da rodovia Rio-Santos. É um lugar belo e preservado, próximo a Reserva Ecológica da Juatinga, unidade de proteção ambiental, que abriga importantes ecossistemas da Mata Atlântica.
Esse paraíso, situado no litoral sul-fluminense, era habitado por cerca de 220 famílias que vivam da pesca e da agricultura. Uma tradicional comunidade caiçara. Em 70, logo após a abertura da estrada, cresceram os olhos dos investidores interessados em se apropriarem do local. Foi então que um empresário comprou as terras onde viviam 213 famílias.

Apenas dezessete delas decidiram permanecer no local. Hoje, vivem no Sono cerca de 60 famílias, num total de 286 pessoas. Vivem da pesca artesanal e do turismo. Alugam casas, quartos e área para camping. E, para sobreviverem, dependem da visita dos turistas. É, justamente ai, que as restrições impostas pelo condomínio prejudicam as famílias que lá vivem. Restringindo o acesso dos turistas, reduz-se a renda dos caiçaras do Sono. Como vão sobreviver as pousadas, restaurantes e campings...

sábado, 18 de março de 2017

Via Orla


Memória

18 de março: o dia que o caiçara jamais esquecerá.

Deslizamento da serra quase soterrou a cidade. 

Há 50 anos, no dia 18 de março de 1967, um sábado, a cidade de Caraguatatuba foi atingida por uma tromba d’água. A chuva insistente que caía sobre a cidade há vários dias, provocou desmoronamento. Pedras, lama, terra, árvores desceram das encostas da serra em direção à cidade. As ruas do centro, se transformaram rios de lama. A água levava tudo que encontrava pela frente: o que restavam das casas soterradas, animais mortos, entre eles, cavalos, vacas, cachorros, galinhas..,e pessoas. Várias pontes que ligavam a cidade aos municípios vizinhos foram levadas pela força das águas que desciam as encostas. A ponte sobre o rio Santo Antônio, a principal da cidade, se deslocou e ficou junto à margem, interrompendo o tráfego de carros e pessoas, Ninguém passava. A Santa Casa foi atingida pela lama. O estádio do XV, destruído pelas pedras e lama que desciam do morro do Jacu. Na região do bairro do Benfica, inúmeras casas ficaram soterradas. Na zona rural pouca coisa sobrou em pé. Acidade ficou sem água, sem energia elétrica, sem telefone, sem acesso pelas estradas e sem comida. O mar em frente a cidade se transformou num mar de lama e de troncos. Centenas de pessoas perderam a vida. Oficialmente, falaram em 400, mas morreram muito mais, algo em torno de 2 mil pessoas. As vítimas resgatadas pelos moradores eram colocadas na prefeitura municipal, na época, localizada na praça Cândido Mota. Os desabrigados foram alojados na igreja, no clube XV, em escolas e acolhidos pelos moradores, cujas casas não foram atingidas pelas águas. A cidadã ficou isolada e ilhada. A maioria dos moradores evitava sair de casa, pois não podia e o risco era muito grande. O  mundo não sabia o que estava ocorrendo em Caraguá. Até que, um radio-amador, seu Thomaz Camanes Filho, conseguiu contato com outros rádio-amadores e comunicar a tragédia que abatia sobre a cidade. Muitas horas depois, algo em torno de 12 a 15 horas, as autoridades paulistas e cariocas tomavam ciência do que tinha ocorrido na cidade. Helicópteros começaram a sobrevoar a cidade. O exército chegou. A Marinha através de seus navios, trouxe água, remédios e médicos. Três dias depois, alguns números apresentados, extra-oficialmente, demonstravam o tamanho da tragédia: 30 mil árvores desceram as encostas em direção a cidade; 400 casas desapareceram debaixo da lama e 3 mil pessoas perderam suas casas. Caraguá tinha na época 15 mil moradores.

Veja como ficou a Santa Casa


A informação que chamou a atenção das autoridades: a chuva que atingiu a cidade em dois dias( 17 e 18 de março) atingiu um índice precipitação pluviométrica de 580 milímetros. Na época, a média de precipitação pluviométrica do Brasil, o ANO INTEIRO variava de 1000 a 1200 milímetros. Ou seja, choveu em Caraguá em apenas dois dias a quantidade de chuva acumulada de seis meses. A tragédia foi considerada a pior já ocorrida no pais até então, segundo um dos maiores especialistas mundiais em mecânica de solos e fundações: professor Artur Casagrande, que na época prestava acessória aos EUA, Índia e Suíça. Ele visitou a cidade no alguns dias depois da tromba d’água, a convite do governo do estado, acompanhado pelos engenheiros Joob Shuji Negami(DER), Darcy de Almeida(CESP) e Lincon Queiroz e Otto Kech e do geólogo Francisco Nazário. Considerados, na época, os maiores especialistas neste tipo de ocorrência natural. Reproduzo abaixo as considerações feitas pelo professor Artur Casagrande:  “Nunca vi coisa igual na minha vida. Isso só ocorrer a cada milênio. O que ocorreu em Caraguatatuba foi um evento natural- tromba d’água fato raro, raríssimo. Na história do Brasil nunca ocorreu nada igual”. Segundo ele, não ocorreu um terremoto, como imaginaram alguns moradores, mas sim, uma precipitação de água excepcional, com dificuldades no escoamento das águas que encharcaram os morros, numa área de cerca de 200 km quadrados na escarpa da serra do mar, junto a Caraguatatuba. Foi, segundo os cientistas, a maior tragédia natural ocorrida no Brasil até então.

 Caraguá ficou muitos anos esquecida. Foi difícil recomeçar. Muita gente abandonou a cidade, não acreditando que ela pudesse se reerguer. Muita gente perdeu tudo o que tinha. Muitos ficaram ricos aproveitando da desgraça dos outros (existem muitas estórias sobre mantimentos e donativos desviados, que nunca chegaram à cidade). A força e a raça de seu povo foi fundamental para que a cidade aos poucos fosse se reconstruindo e transformando no que é hoje: o centro comercial, educacional e cultural do Litoral Norte. Nossas homenagens a todos aqueles que perderam  suas vidas na tragédia de 18 de março de 1967 e a todos aqueles que colaboram no ressurgimento, crescimento e desenvolvimento da nossa Caraguá.  

Nesta semana passamos momentos difíceis, com fortes chuvas e muita gente desabrigada. A situação assustou, mas felizmente, não tivemos mortes. Também na noite de ontem, sexta-feira, a Prefeitura, através da Fundacc, homenageou várias pessoas qque colaboraram e muito no dia da catástrofe, em 1967, entre elas, José Bourabeby, Keity Nakamura, Dadinho Fachini, Alaor Xavier Junqueira e Thomaz Camanes...Foi uma justa homenagem.   

sexta-feira, 17 de março de 2017

Via Orla

Cinema

                Cléo Pires grava filme de terror em Ilhabela.
 
Foto(Tribuna do Povo)Adicionar legenda
A atriz Cléo Pires está em Ilhabela gravando sua participação em um filme de terror, que conta também com participação de Sophie Charlotte e Sérgio Guizé. O longa "Terapia do Medo" é dirigido pelo diretor Roberto Moreira, com produção da Coração da Selva e será distribuído pela Downtown Filmes.
O filme pode ser enquadrado na categoria suspense/terror e deve estrear em agosto deste ano.  No filme, Cléo Pires interpreta Clara, irmã de Charlote, que após perder o pai em um acidente, entra em estado catatônico. Cléo está hospedada na praia da Feiticeira e vem sendo acompanhada de perto por fotógrafos e blogueiros. Já se transformou na “musa da ilha”.



Interessante: o último filme produzido na ilha também foi de terror. Foi “Desaparecidos” feito
em 2011 por David Schurmann, estrelado por Adriana Veraldi, André Madrini, Charlene Chagas e Natália Vidall. O filme fala da história de um grupo de amigos que desaparecem após terem ido a uma festa na ilha.
Foi uma produção independente com custo baixíssimo, cerca de R$ 60 mil reais, filmado em formato de pseudodocumentário. Não assisti e nem vi nenhuma repercussão, apesar do diretor ser renomado, principalmente, conhecer bem documentários e por pertencer a família Schurmann,

Ilhabela foi também à primeira cidade sede de um filme no Litoral Norte, em 1960, com o filme o Caiçara. Aqui em nossa região, no entanto, a cidade de Ubatuba tem sido a preferida na gravação de filmes e minisséries.


O último filme produzido no Litoral Norte, foi “Rio Santos”, de Klaus Mitteldorf rodado no ano passado em Ubatuba. “Rio Santos” foi lançado no final doano passado, tendo como atriz principal a Bruna Marquezine e Dan Stulbach. Conheço Mitteldorf desde a década de 70 quando ele frequentava São Sebastião e era um dos melhores fotógrafos de surfe do país, publicando suas fotos nas revistas Brasil Surf e Surfing. Emplacava também boas fotos de surfistas em Itamambuca e Baleias e Maresias nas revistas internacionais. Depois foi fazer foto de moda e publicidade e obteve também muito sucesso. Pelo o que sei trata-se de seu primeiro filme. “Rio-Santos” contará a busca de uma jovem, Bruna, por seu pai.  

Ubatuba é a cidade do Litoral Norte preferida para filmes, minisséries e novelas.  Foram inúmeros filmes, inclusive, o internacional “Turistas”, de 2006, que deu um trabalho danado por afugentar turistas do Brasil, na época. Eu acompanhei as filmagens e fiz várias matérias sobre o filme, principalmente, sua repercussão negativa para ao Brasil no exterior. Um filme com orçamento de US$ 10 milhões, dirigido por John Stockel e contando com vários jovens artistas norte-americanos.

“Caiçara”


Produzido na Ilha em 1960

Apesar de Ubatuba ser a cidade mais procurada para filmes e minisséries, o primeiro filme produzido na região teve como cenário Ilhabela. Foi o filme “Caiçara” realizado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, com direção de Adolfo Celi, tendo como atriz principal Eliane Lage, em 1950. O filme, um drama, contava vida de Marina(Eliane Lage) que era casada com um quarentão que bebia muito e lhe deixava abandonada no dia a dia. Marina um dia se apaixonou por um marinheiro. Através da macumba conseguiu se livrar do marido beberrão para viver seu amor com o marinheiro. “Caiçara” foi o primeiro filme da Vera Cruz e obteve vários prêmios.


O primeiro filme feito em Ubatuba foi “A Banda das Velhas Virgens”, produzido por Mazzaropi, em 1979. Foi o 31º filme de Mazzaropi e as filmagens foram feitas na igreja local e na praça Exaltação da Santa Cruz. O filme tinha além de Mazzaropi, Geni Prado e Renato Restier. Ubatuba voltaria a ser cenário para outros filmes e minisséries: Em 1998 lá foi filmado o filme Hans Staden; em 2000, a minissérie A Muralha; em 2003, Desmundo; em 2003, ainda a minissérie A Casa das Sete Mulheres; em 2004, parte da novela Como uma onda; foi feito também lá os filmes Caramuru, de Guel Arraes;  Tainá 2; e, Vila Lobos. Em 2012, foi feito “Aprendiz de Samurai”, com Caio Castro, que também teve filmagens em Caraguá.   


O primeiro filme feito em Caraguá foi o policial  “A Praia do Pecado”, em 1977. Um filme dirigido
por Roberto Mauro, que tinha como atores principais Zélia Martins e Tony Tornado. Zélia era a atriz mais cobiçada nas pornochanchadas brasileiras e, na época, sua presença causou furor em Caraguá. Muita gente da cidade participou como figurante do filme que tinha 90 minutos de duração. Em 2012, como disse acima, parte do filme “Aprendiz de Samurai” teve locações em Caraguá, concentradas no parque do Trombini, na praia central.  

quarta-feira, 15 de março de 2017

Via Orla

Memória


     Caraguá: a cidade que ressurgiu das cinzas.


Há 50 anos, data que será comemorada no próximo sábado, dia 18, a cidade de Caraguatatuba foi atingida por uma tromba d’água. A chuva insistente que caía sobre a cidade há vários dias, provocou desmoronamento. Pedras, lamas, terra, árvores desceram das encostas da será em direção à cidade. As ruas do centro, se transformaram rios de lama. A água levava tudo que encontrava pela frente: o que restavam das casas soterradas, animais mortos, entre eles, cavalos, vacas, cachorros, galinhas e pessoas. A cidade ficou ilhada e sem qualquer comunicação. Perderam a vida mais de 400 pessoas.

Nesta quarta-feira, dia 15 de março, o cenário visto pela cidade devido a forte chuva que caiu durante a madrugada lembrou um pouco o que ocorreu naquele 18 de março de 1967. Bairros alagados, ruas encobertas por lama, queda de barreira no Morro do Santo Antônio e na rodovia dos Tamoios. Famílias desabrigadas. Um cenário realmente preocupante e assustador. Segundo a prefeitura, choveu 160 milímetros durante a madrugada. Foi uma chuva e tanto. Graças a Deus não houve vítimas fatais. A prefeitura colocou todas as secretarias em ação para minimizar os efeitos da chuva forte e principalmente, prestar apoio às famílias desabrigadas.  

50 anos atrás

Foi aterrorizante o que ocorreu no dia 18 de março de 1967. Chovia constantemente há cerca de um mês, mas no madrugada daquele sábado, parece que o mundo veio abaixo. O barulho dos deslizamentos que ocorriam na serra do mar era assustador. Mas, foi apenas pela manhã que se pode avaliar o que tinha ocorrido na cidade. Ruas transformadas em rios, casas destruídas, não tinha água, luz, telefone, nem comunicação com as cidades vizinhas e o Vale do Paraíba. Várias pontes que ligavam a cidade aos municípios vizinhos foram levadas pela força das águas que desciam as encostas. A ponte sobre o rio Santo Antônio, a principal da cidade, se deslocou e ficou junto à margem, interrompendo o tráfego de carros e pessoas, Ninguém passava.


A Santa Casa foi atingida pela lama. O estádio do XV, destruído pelas pedras e lama que desciam do morro do Jacu. Na região do bairro do Benfica, inúmeras casas ficaram soterradas. Na zona rural pouca coisa sobrou em pé. Acidade ficou sem água, sem energia elétrica, sem telefone, sem acesso pelas estradas e sem comida. O mar em frente a cidade se transformou num mar de lama e de troncos. Centenas de pessoas perderam a vida. Oficialmente, falaram em 400, mas morreram muito mais, algo em torno de 2 mil pessoas. As vítimas resgatadas pelos moradores eram colocadas na prefeitura municipal, na época, localizada na praça Cândido Mota. Os desabrigados foram alojados na igreja, no clube XV, em escolas e acolhidos pelos moradores, cujas casas não foram atingidas pelas águas. A cidadã ficou isolada e ilhada. A maioria dos moradores evitava sair de casa, pois não podia e o risco era muito grande. O  mundo não sabia o que estava ocorrendo em Caraguá. Até que, um radioamador, seu Thomaz Camanes Filho, conseguiu contato com outros radioamadores e comunicar a tragédia que abatia sobre a cidade. Muitas horas depois, algo em torno de 12 a 15 horas, as autoridades paulistas e cariocas tomavam ciência do que tinha ocorrido na cidade. Helicópteros começaram a sobrevoar a cidade. O exército chegou. A Marinha através de seus navios, trouxe água, remédios e médicos. Três dias depois, alguns números apresentados, extraoficialmente, demonstravam o tamanho da tragédia: 30 mil árvores desceram as encostas em direção a cidade; 400 casas desapareceram debaixo da lama e 3 mil pessoas perderam suas casas. Caraguá tinha na época 15 mil moradores. 



A informação que chamou a atenção das autoridades: a chuva que atingiu a cidade em dois dias( 17 e 18 de março) atingiu um índice precipitação pluviométrica de 580 milímetros. Na época, a média de precipitação pluviométrica do Brasil, o ANO INTEIRO variava de 1000 a 1200 mm. Ou seja, choveu em Caraguá em apenas dois dias a quantidade de chuva acumulada de seis meses. A tragédia foi considerada a pior já ocorrida no pais até então, segundo um dos maiores especialistas mundiais em mecânica de solos e fundações: professor Artur Casagrande, que na época prestava acessória aos EUA, Índia e Suíça. Ele visitou a cidade no alguns dias depois da tromba d’água, a convite do governo do estado, acompanhado pelos engenheiros Joob Shuji Negami(DER), Darcy de Almeida(CESP) e Lincon Queiroz e Otto Kech e do geólogo Francisco Nazário. Considerados, na época, os maiores especialistas neste tipo de ocorrência natural. Reproduzo abaixo as considerações feitas pelo professor Artur Casagrande:  “Nunca vi coisa igual na minha vida. Isso só ocorrer a cada milênio. O que ocorreu em Caraguatatuba foi um evento natural- tromba d’água fato raro, raríssimo. Na história do Brasil nunca ocorreu nada igual”. Segundo ele, não ocorreu um terremoto, como imaginaram alguns moradores, mas sim, uma precipitação de água excepcional, com dificuldades no escoamento das águas que encharcaram os morros, numa área de cerca de 200 km quadrados na escarpa da serra do mar, junto a Caraguatatuba. Foi, segundo os cientistas, a maior tragédia natural ocorrida no Brasil até então.


 Caraguá ficou muitos anos esquecida. Foi difícil recomeçar. Muita gente abandonou a cidade, não acreditando que ela pudesse se reerguer. Muita gente perdeu tudo o que tinha. Muitos ficaram ricos aproveitando da desgraça dos outros(existem muitas estórias sobre mantimentos e donativos desviados, que nunca chegaram a cidade). A força e a raça de seu povo foi fundamental para que a cidade aos poucos fosse se reconstruindo e transformando no que é hoje: o centro comercial, educacional e cultural do Litoral Norte. Nossas homenagens a todos aqueles que perderam  suas vidas na tragédia de 18 de março de 1967 e a todos aqueles que colaboram no ressurgimento, crescimento e desenvolvimento de Caraguá.  Nesta semana, haverá uma série de eventos em homenagem a data e principalmente, as pessoas que tiveram papel importante durante a catástrofe e na recuperação da cidade.  

 




sábado, 11 de março de 2017

Via Orla


Educação




Estudante do IFSP-Caraguatatuba é indicado para concorrer ao Prêmio Destaque de Iniciação Científica do CNPq

João Pereira Neto(foto IFSP)

Recebi essa matéria do IFSP. Muito legal. Estou publicando no blog. O estudante João Pereira Neto do curso de Licenciatura em Matemática do câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) foi indicado para concorrer à Edição de 2016 do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), órgão do governo federal. O prêmio refere-se a projetos de pesquisa de iniciação científica e tecnológica realizados no período de 2015 a 2016. João neste período desenvolveu o projeto de pesquisa de iniciação científica intitulado “Ensino de cosmologia e astronomia por meio de recursos audiovisuais e de telescópios” com bolsa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI). Esta indicação para representar todo o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) ocorreu por decisão da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da instituição. João Pereira Neto é orientado pelo Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira no âmbito do IFSP-Caraguatatuba.


João, que em 2017 é estudante do quarto ano da Licenciatura em Matemática, atualmente desenvolve um novo projeto de iniciação científica intitulado “História da ciência, física moderna e cosmologia: uma abordagem interdisciplinar para a educação científica”. Previamente ao projeto de pesquisa pelo qual foi indicado, João trabalhou em outros dois projetos de pesquisa de iniciação científica intitulados “Fundamentos da Física Moderna e Contemporânea e sua divulgação científica” e “História da ciência na educação científica: contribuições, metodologias e propostas”. Em todos estes quatro projetos de pesquisa citados, João teve bolsa de iniciação científica do CNPq e foi orientado pelo professor Ricardo Plaza.
Informações adicionais sobre o Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq – Edição 2016, podem ser obtidas no link: <http://premios.cnpq.br/>. Cada instituição pode indicar o nome de um estudante em cada uma das seis categorias em que se dividirá a premiação. A pesquisa de João Pereira Neto é um trabalho de educação científica e foi indicado para a categoria “Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes – PIBITI”. As Comissões Julgadoras nas diferentes categorias serão compostas de membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e do próprio CNPq. Os resultados deverão ser divulgados pelo CNPq até 19 de maio de 2017. A entrega dos prêmios para os agraciados ocorrerá durante a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada em julho de 2017, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte (MG).


Um dos resultados do projeto de pesquisa desenvolvido por João Pereira Neto entre 2015 e 2016 foi estabelecer e testar algumas estratégias factíveis para despertar e aprofundar a curiosidade e a vontade de alunos da educação básica em estudar temas relacionados a áreas científicas do conhecimento humano. Este projeto de pesquisa, procurou também dialogar com os outros dois tripés de qualquer instituição universitária: o ensino e a extensão. As atividades realizadas se relacionaram ativamente com as ações desencadeadas no âmbito do programa de extensão “Cinedebate e atividades de educação científica e cultural”, também coordenado pelo professor Ricardo Plaza. Um projeto de educação científica com este perfil é também uma ponte entre a área das ciências naturais e as humanidades: está associado às ciências naturais por trabalhar com conhecimentos intrínsecos a estas ciências (como a Cosmologia, a Astronomia e a Astrofísica), mas também se caracteriza por ser um projeto do campo das ciências humanas, pois é um projeto de características eminentemente educacionais. A relevância social da tarefa de estimular o interesse de nossos jovens pelo conhecimento científico está associada ao fato de que todas as sociedades que progrediram econômica e socialmente precisaram se desenvolver científica e tecnologicamente, o que pressupõe melhorar os padrões educacionais – em todas as áreas, mas mais especificamente nas áreas das chamadas ciências naturais – nas escolas de educação básica de nosso país.
A participação de estudantes universitários em trabalhos de pesquisa de iniciação científica colabora muito com o seu amadurecimento intelectual e acadêmico, mas também para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social do país.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Via Orla

Cidades

Ilhabela deve faturar R$ 400 milhões em royalties em 2017.

População  cobra isenção do IPTU,  saneamento, balsas e até internet e tv a cabo de graça.

Li na Tribuna do Povo, portal de Ilhabela, que a cidade bate todos os recordes e arrecada R$ 74 milhões em royalties nos dois primeiros nesses do ano. Segundo estimativa do consultor e especialista em royalties, Luizinho Faria, a arrecadação com royalties pode chegar a R$ 400 milhões este ano. Ilhabela é a terceira cidade que mais arrecada com royalties no país.
Em fevereiro deste ano, a Ilha arrecadou R$ 61 milhões, 57% a mais que que o que foi arrecadado em fevereiro de 2016, cerca de R$ 26 milhões. O motivo do aumento da arrecadação, segundo Faria, deve-se a legislação e principalmente, ao grande potencial de produção do Campo de Sapinhoá. Faria acredita que a previsão inicial de arrecadação para este ano, de R$ 320 milhões, poderá chegar a marca de R$ 400 milhões até ofinal do ano.

O que fazer com tanto dinheiro, principalmente, em época de crise econômica? Segundo o secretário de Governo Osvaldo Julião, o prefeito Márcio Tenório (PMDB) vai priorizar investimentos em saneamento básico, habitação, reurbanização dos bairros, educação e saúde. Segundo Julião nos últimos anos a prefeitura priorizou investimentos na orla, agora, chegou à vez de investimentos nos bairros.

Reivindicações

No portal, Tribuna do Povo, inúmeros moradores elogiaram a grande arrecadação com royalties. E, aproveitaram para dar suas sugestões. Maria Nassif, por exemplo, sugere ao prefeito que com tanto dinheiro proveniente dos royalties, a prefeitura deveria isentar os moradores do pagamento do IPTU. André Gonçalves pede a instalação de ar condicionado em todas as escolas municipais.
Genésio Gonçalves quer que a prefeitura compre 3 balsas para resolver de vez o problema na travessia entre São Sebastião e Ilhabela. Guto Macedo recomenda investimento em saneamento básico. Jaqueline Fontoura quer que a prefeitura forneça material escolar e uniformes para todos os alunos da rede municipal.

Luiz Pimenta quer internet de graça para toda a população. Maria Nassif também pediu tv a cabo de graça para todos moradores da ilha. Royalties são a compensação financeira dadas pelo governo por eventuais danos ambientais que podem ser causados pela exploração de petróleo ou gás. Os valores podem ser alterados de acordo com a produção e rentabilidade da extração feita no município ou nas proximidades dele.