Carnaval
Relembrando o carnaval de antigamente.
O carnaval vai agitar o Litoral Norte a
partir de sexta-feira. As quatro cidades vão oferecer muitas opções aos moradores
e visitantes. Bailes populares, desfile de blocos e escolas, banho da Dorotéia (Ilhabela)
e o carnamar (São Sebastião. Esperamos que todos, moradores e turistas,
aproveitem os quatro dias de folia com muita alegria e descontração.
A gente que mora aqui na região há muito
tempo, aproveita para relembrar personagens marcantes do carnaval de Caraguá.
Um passado, não muito distante, mas que deixa muitas saudades. Todos lembram do
Mestre Dionizio, da escola de samba Tubarão e do maestro Pedrinho, também
personagens inesquecíveis. Todos os anos
faço questão de destacar duas pessoas que “transformaram” o carnaval de Caraguá:
Conceição Aparecida do Nascimento, a “Tainha” e Francisco Vilegas, o “Chico
Tanque”.
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| Tainha, no interior da concha. |
Conceição Aparecida do Nascimento,
conhecida na década de sessenta, como “Tainha”. Era a principal atração do desfile
de carnaval da cidade na década de 60 quando vários carros alegóricos
preparados pelos moradores desfilavam pelas ruas principais da cidade. O carro,
no qual Tainha desfilava, era o mais aguardado pelos moradores e turistas. Era
uma concha, idêntica da logomarca da Shell, que abria e fechava ao longo do
desfile. No interior da concha ficava Tainha, aos 22 anos de idade, bonita, morena,
de corpo exuberante, trajando um biquíni, fazia o público delirar.
Conceição, era filha de seu Lino e dona Bertulina, caiçaras de Ubatuba,
que residiam em Caraguá, no bairro do Estrela D’Alva. Estudou no Grupo Escolar
de Caraguatatuba e no Colégio Thomas Ribeiro de Lima. Conceição participava de desfile de modas e
era uma das moças mais lindas da cidade. Ela lembra que o convite para desfilar
na concha partiu do então prefeito, Geraldo Nogueira da Silva, o Boneca.
Conceição desfilou na concha nos carnavais de 1967 e 1968, quando tinha 22 anos
de idade.
Em 1969 casou-se com o italiano Antonio
Cataldo e foi morar na capital paulista. Lá teve dois filhos: Karina e Giuseph.
Em 1975 mudou-se para São José dos Campos e montou a Doceria Antoniella, que
tornou-se uma das mais famosas do Vale do Paraíba. A Antoniella ficava ali na
Praça da Preguiça, na região central de São José. As pessoas que a encontravam
a reconheciam do carnaval de Caraguá. Em 1993 vendeu a doceria e foi trabalhar
como corretora de imóveis. Depois de 15 anos na área decidiu parar de
trabalhar. Conceição lembra com muito carinho do carnaval de antigamente: “Era
muito legal, muito família...Desfilar na concha era ótimo...Depois do desfile a
gente ia para o clube XV pular carnaval...Foi um período muito bom...”.
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| Chico Tanque. |
O Francisco Viegas, o Chico Tanque, foi outro personagem inesquecível
do nosso carnaval. Foi ele um dos responsáveis pelo surgimento do bloco das
piranhas que agita o carnaval da cidade, aos sábados, quando os homens saem fantasiados
de mulher. Chico é lembrado por todos os moradores mais antigos. Chico era o
símbolo da alegria do nosso carnaval. Ele, que morreu em 2010, foi um dos
maiores incentivadores do carnaval de rua de Caraguá. No início da década de
60, Chico e seu inseparável amigo Marron, se fantasiavam de mulher e ficavam na
esquina das ruas Santa Cruz e Altino Arantes, ponto de encontro dos moradores e
turistas, na época, “brincando com todo mundo”. Dessa iniciativa dos dois viria
a surgir em 1976 o “Bloco das Piranhas”, hoje, um dos grandes atrativos do
carnaval de rua de Caraguá. Bons tempos...













