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| Massaguaçu, campeão em 1984 e "Sucata", a direita, homenageado com o troféu de torcedor nº 1 |
Thomaz Totti, o “sucata”, conquistou o bairro de Massaguaçu e a cidade de Caraguá com seu jeito simples e contagiante. Um descendente de italianos com alma paulista e caiçara. Sucata nasceu em Ribeirão Preto, em 4 de abril de 1912. Se estivesse vivo teria completado este ano 100 anos. Ele faleceu em setembro de 2000, aos 88 anos. A vida de Sucata não foi nada fácil. Trabalhou na lavoura de café e cana de açúcar, na cidade de Severina, até os 21 anos. Casou-se com a espanhola Zeferina e mudou-se para a capital paulista. Instalou-se no bairro do Brás, onde trabalhou como servente de pedreiro. Nos fins de semana, fazia bico no Restaurante do Titio. No Brás, nasceu seu primeiro filho, o Rafel Totti. Aprendeu a ler e a escrever, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro. Conviveu com Adoniram Barbosa e os Demônios da Garoa no clube Recreativo União da Vila Esperança. Mudou para a Vila Maria, onde nasceram outros dois filhos: Arnaldo(Nardão) e Roberto (Totti, do Restaurante Guaruçá). Na Vila Maria, trabalhou em uma fábrica de ladrilhos. Ganhou experiência no ramo e, em 1949, montou a sua própria fábrica: a Artefatos de Cimento União. Tudo ia muito bem, até que anos depois, entraria no mercado a cerâmica vitrificada. Com a queda no movimento, Sucata decidiu aceitar o convite de seu filho Roberto e mudou-se para Caraguá. Instalou-se no bairro do Massaguaçu, onde em pouco tempo conquistou a simpatia de todos. Para passar o tempo, decidiu montar vasos e fossas sépticas. Tinha uma grande preocupação: não havia na época, final da década de 70, saneamento básico no bairro e Sucata temia a poluição do rio Bracuí, que passava próximo a sua casa. No bairro, ganharia o apelido de “Sucata”, que lhe acompanharia até o final de sua vida. Ele envolveu-se com a Sociedade Amigos de Bairro e com o E.C.Massaguaçu. No esporte, não perdia um jogo do futebol amador da cidade, apesar de ser um dos mais fanáticos torcedores do E.C.Massaguaçu. Era respeitado por todos os torcedores, mesmo os dos clubes adversários. Foi homenageado pela Liga Caraguatatubense de Futebol com o título de torcedor símbolo do município. Dormia cedo, acompanhando o programa A Voz do Brasil. Acordava antes do dia amanhecer. Fazia suas palavras cruzadas e adorava uma boa cachaça. Sabia tudo do seu tricolor paulista. Era um sãopaulino de corpo e alma, apesar da descendência italiana. Era muito politizado, mas nunca disputou uma eleição. Em 1999, ficou muito triste com a perda da mulher Zeferina. Um ano depois, veio a falecer. Para a tristeza de seus três filhos, noras e 10 netos. Assim como dona Zeferina, foi sepultado em Caraguá, cidade que adorava e era adorado.











