O jornal Imprensa
Livre, único diário do Litoral Norte, publica em sua edição desta quarta-feira (dia
26), uma entrevista com o prefeito e candidato a reeleição Antonio Carlos da
Silva. A entrevista foi concedida a repórter Mara Cirino. Acompanhe:
Antonio Carlos da Silva, 55 anos, é divorciado e pai de seis
filhos. Morador do bairro Martim de Sá, chegou à Caraguatatuba no ano de 1989. Atualmente
trabalha em seu Terceiro mandato. Antonio
Carlos fez de Caraguá um lugar bem estruturado para moradores e turistas. O desenvolvimento
urbano rendeu-lhe reconhecimento nacional e o prêmio Tucano de Ouro. Foi considerado
pela revista “Isto É “ o quarto melhor prefeito do Estado de São Paulo. Antonio
Carlos tenta a reeleição.
Imprensa Livre –
Conte-nos como começou sua trajetória na política?
Antonio Carlos –
Nasci em Jacareí, no Vale do Paraíba, mas me mudei para a cidade de Lorena
ainda na adolescência onde iniciei meus trabalhos como comerciante. E foi
justamente no Vale onde começaram as minhas primeiras relações com a política.
Fui durante sete anos o diretor da Associação Comercial de Lorena, e por dois
anos, diretor da Associação Comercial de Guaratinguetá. Hoje, me orgulho
bastante de ter sido agraciado com o título de cidadão pelos municípios de
Caraguatatuba, Lorena, Piquete, Ubatuba e Ilhabela.
IL – E como foi a chegada
do senhor à Caraguatatuba e o início da vida pública e política na cidade?
AC - Quando cheguei à Caraguá trouxe para cá duas empresas.
Estive à frente da Associação Comercial e Empresarial (ACE) por dois anos e
assim pude conhecer melhor a realidade da cidade, as dificuldades e suas
limitações. E foi isto que me motivou a sair candidato a prefeito, pela primeira
vez, em 1992. Quatro anos depois, em 1996, fui eleito com 64% dos votos válidos.
Passado este período, a população de Caraguá mais uma vez confiou em meu
trabalho e me reelegeu para mais quatro anos à frente da Prefeitura. Em 2008,
preocupado com rumo da cidade que escolhi para viver com a minha família e
amigos decidi candidatar-me novamente à prefeitura de Caraguá. Graças a Deus
fui eleito com 25.285 votos absolutos.
IL- Na Assembleia Legislativa
o senhor se elegeu deputado estadual, como foi esta experiência?
AC – Como eu já tinha certa desenvoltura no meio político,
em 2006, tornei--me deputado estadual com quase 95 mil votos conquistados em
280 cidades de São Paulo. Nesta fase tinha plena ciência da necessidade de que
as mudanças sociais, positivas e inovadoras deveriam ser feitas urgente mente.
Com isso, foquei o meu mandato na Alesp para o Empreendedorismo Social onde
constitui uma ampla frente parlamentar suprapartidária com mais 28 deputados,
parceiros e amigos, de nove partidos políticos.
IL – Como o senhor vê
a cidade hoje, se comparada com a época de seu primeiro mandato, no final dos
anos 90?
AC – Caraguatatuba sempre teve uma realidade a de que era
conhecida como o “patinho feio” do Litoral Norte, o banheiro do Litoral Norte.
Tudo muito pejorativo fazendo com que a população sofresse muito. Quando aqui
cheguei, em 1997, encontrei uma cidade com pouca infraestrutura, os loteamentos
sem regulamentação e sem nenhum tipo de condições. Claro, que ainda há problemas que enfrentamos até hoje, como é o
caso das questões ligadas a drenagem urbana, mas, aos poucos tentamos mudar a
cara e melhorar as condições da nossa população. Para se ter ideia quando assumi
pela primeira vez, a Prefeitura tinha 2,8 mil alunos na Rede Municipal de Ensino.
Não tínhamos pontes de concreto, só aquelas conhecidas pontes de madeira,
pinguelas espalhadas por todos os bairros. O tratamento de esgoto era uma realidade
apenas para 8% da população.
IL- E como está esta realidade
nos dias de hoje?
AC – Desde que assumimos a prefeitura, nos dois primeiros
mandatos deixamos a Prefeitura com mais de 16,3 mil alunos, isso significa que
fizemos sala de aula para mais de 13 mil alunos. A educação sempre foi nossa
prioridade. Em relação à infraestrutura fizemos mais de 80 pontes de concreto
e, apesar de tudo, hoje a cidade está bem estruturada, pavimentada. Temos um
Teatro Municipal que se tornou referência em todo o Estado de São Paulo. Temos
um modelo inovador que é a preocupação com os Centros de Educação Infantil.
Tivemos um investimento bastante significativo na rede de esgoto de toda a cidade,
com uma importante parceria com a Sabesp atingimos quase 80% de esgoto coletado
e tratado em toda a cidade, é claro, que a nossa meta é chegar a 100%.
IL – E por falar em Educação,
ela é e será realmente a prioridade em seu governo, se eleito em 7 de outubro?
AC – Como eu já disse, temos um modelo inovador de
preocupação com os Centros de Educação Infantil, chamados por nós de CEIs. Esta
já é uma realidade em Caraguá e, não tenho dúvida, será uma referência para o Brasil.
Vejo muitos políticos dizendo que fará creche para a mãe trabalhar. Claro que existe
a questão da mãe trabalhar, porque é importante, mas, acima de tudo existe a questão
pedagógica. Todos os dados da neurociência dizem que a criança desenvolve o seu
intelecto até os seis anos de idade, e o Brasil não atende isso, o país não
pensa nisso, só pensa em creche para mãe ir trabalhar. Isso é, em minha opinião,
mediocridade de visão política. E é justamente isso que queremos levar para um
bom administrador chegou a presidência do Consórcio de Desenvolvimento Integrado
do Vale, Serra e Litoral – Codivap e também da Associação dos Prefeitos das
Cidades –Estâncias de São Paulo. discussões em nível de país. Porque, ou o
político discute com os neurocientistas dizendo que ele está errado, ou, acata.
Neste modelo, já adotado em Caraguá, você pega uma criança pequena,fica o dia
todo com ela, acompanhando o desenvolvimento do intelecto e evitando que ela
fique em casa, muitas vezes, absorvendo os problemas familiares que as cercam.
Não tenho nenhuma dúvida, de que com isso, nós vamos criar cidadãos muito melhores
com reais condições de disputar vagas nas universidades, sem precisar- mos de
quotas para isso. Além disso, hoje oferecemos na cidade uma educação inclusiva
de qualidadecom mais de 60 técnicos trabalhando com as crianças que tenham
qualquer tipo de deficiência, esta criança é acompanhada. A Prefeitura hoje
paga pós graduação para estes técnicos e, por incrível que pareça, a Unicastelo,
nossa parceira neste projeto, precisou desenvolver o curso tendo como base o
modelo de atendimento de Caraguá, para, ai sim, conseguir capacitar os
profissionais. Hoje temos mais de 800 crianças com algum tipo de deficiência
nas escolas.
IL – O senhor sempre
foi conhecido como o homem das obras, como será se for eleito? Elas continuarão
sendo feitas na cidade?
AC – Vamos sempre investir em infraestrutura. Entendemos o
potencial que a cidade tem para o turismo e que ela deve ser uma cidade boa
para morar, visitar e investir. O país precisa de desenvolvimento para a geração
de emprego e renda. Queremos lutar para o hospital estadual que atenda o Litoral
Norte. Afinal, não é mais possível fazer saúde no litoral sem um hospital. Sabemos
que a responsabilidade do município termina na atenção básica. E nós estamos construindo
toda a infraestrutura para isso. Temos equipamentos no novo Pronto Socorro que
só tem no hospital Albert Einstein, na capital, queremos a garantia de um
melhor atendimento de atenção básica para a população. Hoje existe uma
legislação que obriga o município a investir 15% de seu orçamento na saúde, nós,
investimos 30% porque temos vontade política de fazer. Há projetos para a criança
de um bairro voltado para ações de turismo, artesanato e a música. Nós planejamos
transformar o Cantagalo em um bairro com importante potencial com a construção
de um centro turístico e educacional. Se Deus quiser, com mais um mandato vamos
terminar toda a duplicação da avenida da praia e, agora com o contorno norte
vamos até o Massaguaçu. Outra importante conquista para o nosso município. Já
desapropriamos e vamos construir um novo prédio atrás do Centro de
Especialidades Médicas (CEM) no Jardim Primavera para abrigar toda a estrutura
da Secretaria Municipal de Saúde e equipa-lo inclusive com um heliporto para ser
utilizado, inclusive, na remoção de pacientes que chegam ao Pronto Socorro Municipal.
Além disso, temos a intenção de zerar os atendimentos de três meses a quatro
anos, já nos próximos dois anos. Continuaremos investindo na educação profissional
e nas ações de capacitação e qualificação da mão de obra com ações de
oportunidade para quem mora aqui se profissionalizar e entrar no mercado de trabalho.
IL – E as questões
ligadas à segurança pública, como o senhor vê este problema? Pretende implantar
a Guarda Municipal em Caraguá?
AC – Já neste mandato fizemos o maior investimento de
iluminação pública com a implantação de mais de 15 mil lâmpadas, isso é um
aporte considerável para a segurança pública. Agora nossa meta é investir
pesado em câmeras de monitoramento que comprovadamente melhora a segurança. Tem
ainda a questão do pró-labore para a Polícia Militar onde cada policial garante
um aporte de 450 reais no salário pagos pela Prefeitura a todos os PMs da
cidade. Já com relação à implantação da Guarda Municipal, confesso que não
tenho uma conclusão sobre isso. Quero deixar passar a eleição e ter uma
conversa com o Secretário de Estado da Segurança Pública. A Constituição do país
fala que a responsabilidade da segurança pública é do Estado, eu sou municipalista
e se nós pudermos municipalizar esta questão, certamente serei o primeiro a me
candidatar. Só que, em minha opinião, a Guarda Municipal nunca terá a mesma
hierarquia da Polícia Militar, com todos os seus comandos. Claro que tenho a sensibilidade
das questões voltadas para a segurança pública. Quero, inclusive, levar a proposta
para o governador de aumentar 100 policiais na cidade e fazer-mos um convênio
entre prefeitura e Estado. Ele (governador) manda 100 homens para cá e Caraguá
paga os salários destes PMs com o comando do Estado e nós pagamos o salário.
IL – E como o senhor tem
visto a campanha nas ruas? A receptividade tem sido boa?
AC – Para mim campanha é serviços prestados. É claro que não
vamos conseguir fazer tudo neste mandato e nem no outro. Sabemos também que não
vamos agradar a todos. Agora o importante é agradar a maioria. Nós que estamos
na rua, temos tido uma participação muito grande nos comícios, no facebook da
campanha. Trabalhamos com uma equipe maravilhosa e estamos sendo recebidos com
muito carinho e amor pela população e até por moradores de outras cidades que
vem elogiar o nosso trabalho, o que nos deixa muito envaidecidos.